Mangá² #280 – Você, mangás e a sociedade

Sejam bem-vindos ao episódio 280 do Mangá², o podcast semanal de mangás mais coringado do mundo


Neste programa, Judeu AteuEstranho, Leonardo e Izzo (Dentro da Chaminé) entram em algum tipo de vaga crise existencial, sei lá, talvez seja só a idade, mas a gente resolveu se perguntar: a arte pode mudar o mundo? Num quadro no qual a gente sempre analisou o impacto individual das artes, esse impacto acaba tendo algum resultado real no mundo? Vale a pena se importar com isso? Como de clássico, muitas perguntas feitas, nenhuma respondida, mas um maravilhoso episódio num mix maravilhoso de otimismo, pesimismo e politicagem barata.

Contato: contato@aoquadra.do

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Cronologia do episódio
(00:20) Iscas que eu mordo
(49:00) Leitura de e-mails
(01:03:20) Recomendação da Semana – Kowloon Generic Romance

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9 comentários

  1. Coisas jogadas q pensei enquanto ouvia o podcast

    A Arte só muda a sociedade dentro dos limites da estrutura em qual está inserida ( nesse caso o capitalismo ), vc pode fazer um quadrinho q transforma todo mundo q lê em comunista, vão existir infinitas propagandas contra, boicotes e proibições pra q seu impacto seja o mais reduzido possível e infelizmente o mangá não vai criar pernas e tomar os meios de produção

    Tb pensei q a Arte só teria um impacto estrutural e não individual se for organizada, um movimento artístico com pautas e demandas claras, então artistas do mundo uni-vos

  2. O Leonardo comentou sobre arte como estratégia política. Queria comentar um pouco disso. Tenho um bom exemplo aqui: Nier é um jogo meio controverso. Acho engraçado como dentro da esquerda existem pessoas que abraçaram e que não abraçaram os jogos. Por que isso acontece? Pq Nier tem uma apelação que pode irritar uns esquerdistas mais sensíveis. Não é raro, por exemplo, eu ver pessoas do meu grupinho da internet que fala que não vai jogar Nier Automata pq o design de personagem da 2B é machista, é ofensivo, que é uma merda que só punheteiro gosta. Mas aí que tá a questão. Punheteiro gosta dessa porra. O jogo pode não atrair a atenção de parte da esquerda, mas talvez ele atraia a atenção de gente do outro lado. Ele tem o potencial político e revolucionário de conversar sobre um assunto importante com gente que tá fora da bolha. Um potencial que talvez um obra mais abertamente esquerdista não tenha. Nier se disfarça. As pessoas podem entrar nele por ser um jogo popular, ou pelo design, ou até msm pq a pessoa viu que o jogo irrita uns esquerdista, então, porra, pq n? Daí, depois de horas jogando, Nier começa a tratar de assuntos relevantes. E, tipo, talvez não é todo muleque conservador que vai entender, ou que vai gostar desses momentos de debate, mas ao menos o jogou conseguiu a atenção desse muleque, diferente de muitas outras obras aí.

    Mas aí é que tá. Não acho que o Nier foi pensado como uma estratégia política. Acho que ele foi concebido assim por circunstâncias que, no fim, não importam. O Leonardo jogou a frase mágica “intenção do autor” na discussão. Nesse caso eu não acho que a intensão do autor valha de alguma coisa. Se foi ou não, o importante não é isso, o importante é que Nier tem um potencial de mudança e que, no fundo, talvez isso devesse ser analisado e celebrado mais.

    Enfim, bom episódio! Amei essa capa. Parabéns pra quem a fez.

  3. Ótimo podcast’, me fez pensar sobre a relação com a música, como um desses meio sem muito efeito coletivo, por exemplo uma música pode ser marcante pra uma pessoa, mas são raras que marcam gerações, como se pode dizer de alguns estilos que vão ser sempre lembrados como históricos, mas eles se relacionam com o período histórico deles, seja musicas compostas durante a ditadura, guerra de canudos, derrubada do murro de Berlim
    whind of change é uma música que com o contexto e clipe dela marcam mais pela relação com o período histórico mas não tem tanto apelo pra quem não vê ela dentro desse contexto

    Então tem também um grande expoente da música brasileira popular, que começa cantando “Oh mulher que me deixa na ponta do pé, a normal ela suga a cabeça do *$# …””

    Musicas assim se tornam populares, sem nenhum julgamento moral, se tornam algo cotidiano ao ponto de cantarmos refrões como ocorria muito nos anos 90 sem nem lembrar o contexto das palavras, e por mais que pareça absurdo de certa forma, é assim que me vejo com quadrinhos, quando a gente lê muito sobre um tópico ele se normaliza, sou critico de isekais, mas vendo e entendo por muito tempo você aceita melhor aquele chorume, e nesse ponto pra mim, é o que arte tem a ver com sociedade, no exemplo de você de como a representatividade importar é isso, ser algo contínuo que nem seja um questionamento à um leitor de algo
    .
    Normalizar, e não mudar significativamente pessoas como um conjunto social, seja isso de uma forma boa ou ruim aos olhos de quem não consume um funk, um isekai, ou algo filosófico

  4. Essa conversa me lembrou muito de Ashita no Joe. Não sei se da pra afirmar que o mangá em si influenciou os movimentos proletários no Japão na época, ou foi algo mais conjunto, o famoso zeitgeist do Japão da década de 60 que já estava indo pra esse lado e acabou que tudo coincidiu. Porém, que o mangá foi usado como símbolo pelos movimentos estudantis revolucionários do Zengakuren e Exército Vermelho é fato, e provavelmente houveram jovens que se uniram a esses movimentos por causa do mangá. Tudo bem que esses protestos todos não conseguiram trazer nenhuma reforma política direta, mas eles influenciaram muito toda a cultura e mídia do Japão, ajudaram no avanço dos movimentos feministas japoneses, possibilitaram a criação de partidos e grupos de esquerda no futuro, etc… Ou seja, pensando em um nível muito “pequenas engrenagens girando juntas pra mover uma máquina gigante”, Ashita no Joe pode ter mudado o Japão.

    • Hoje eu discordo disso.
      Como é a cena inicial de “Ashita no Joe”? Joe caminhando, cruzando a ponte indo para a favela. Ele apenas entre em um mundo que já existia, fugindo de um mundo que já existia, se relacionando da única forma que o mundo ensinou para ele, com violência.
      Ashita no Joe é fruto do contexto e clima da época, ele não influenciou nada, pelo contrário.
      O Joe apenas foi identificado como algo surgido dentro daquele contexto pelos moleques que já estava na rua chamando o governo para briga. O mangá começou a ser publicado no início de 1968, naquela época esse povo todo supostamente “inspirado” já estava organizando e fazendo baderna. A série não é nenhum símbolo, é uma mera pichação em um muro mal conservado para chamara atenção dos passantes que em sua maioria ignoram e só é notado pelos otakos que já o conhecem.

  5. O mundo não pode ser mudado porque ele não existe. Quando pensamos nesse “mundo” na verdade estamos nos referindo a “sociedade”. A sociedade é um conjunto de comportamentos e regras que as pessoas criam, então devemos mudar as pessoas? Não, porque as pessoas que com seus atos impõem esses comportamentos e regras não mudam. Mudanças na sociedade são forçadas contra a vontade de pessoas que discordam dessas sejam elas positivas ou negativas, ou seja, a solução é violência.
    Então otakos, “Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas!”

    Pensei em finalmente mandar um áudio comentário para o podcast mas sinceramente me falta energia para mover a mandíbula e expelir o ar dos pulmões, ultimamente estou a beira de cometer atos violentos. E justamente por isso aproveito para finalmente recomendar um mangazinho de efeito calmante… “Kimi wa Houkago Insomnia” (Insomniacs After School) da autora Makoto Ojiro (de “Fujiyama-san wa Shishunki” e “Neko no Otera no Chion-san).
    A série é sobre dois estudantes do ensino médio, Ganta e Isaki que sofrem de insônia. Essa aflição comum os aproxima e acaba por os levar a reviver o clube de astronomia da escola, cujo observatório serve de refúgio para os dois.
    É um romance leve como as duas séries anteriores da autora, só que finalmente em Insomnia ela “colocou um pouco de história”. Não que isso seja motivo para recomendar, é algo que você lê apenas pela paz de espirito e sentimentos positivos, apenas que nesse caso há “algo” para se pensar (sim estou evitando spoilers aqui, não leia de jeito nenhum a thread que tenho sobre a série no Tuíter antes de ler!), tanto para nós leitores quanto para os personagens, que acaba por elevar a série a patamares superior a das séries anteriores. Nesses tempos em que tanto pensamos em morte Insomnia faz pensar no assunto por um ângulo menos violento. É algo que faz sentir bem quando leio, simplesmente é bom e bastante bonito.
    (bônus: música sugerida para a abertura/encerramento de um hipotético anime, “Cosmic Love” da Yurie Kokubu)

  6. é um pouco tangencial ao q vcs comentaram, mas de 2017 pra cá eu tenho acompanhado um pouco da cena do rap nacional, e visto como representatividade tem virado cada vez mais a conciliadora de classes do rap. Se em 2015 a gente tinha linhas como “basta de Globeleza, firmeza, mó faia” no mainstream do rap, agora a maior parte dos principais nomes (em números) se comporta como se fossem propagandas ambulantes de marcas como a Lacoste, Nike, Adidas, entre outras. E qualquer ressalva a esse comportamento é “rebatida” com acusações de querer limitar o rap a politicagem, ou os artistas a miséria.

    é óbvio q pra esses cara novo, é a impressão q dá, mas a cada ano q passa eu vejo como tem nego mal intencionado no movimento, q vende a “mercantilização” como a “evolução” pra conseguir mais uma publi manter o networking com a galera. Não quero ser demasiadamente pessimista, mas acho q o rap daqui chegou numa normalização do liberalismo irreversível. A profissionalização do rap ajudou mta gente a ter alguma perspectiva de sucesso, mas junto com ela veio uma glorificação da ascensão individual q não tem autocrítica que pare. Ainda temos inúmeros artistas tentando ser resistência nesse sentido, mas o principal do mainstream age como se ter um preto bilionário fosse mudar alguma coisa num país onde reina a seletividade penal.

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