Mangá² #274 – Fire Punch

Sejam bem-vindos ao episódio 274 do Mangá², o podcast semanal de mangás mais imortal do mundo.


Neste programa,  Judeu AteuEstranho, LeonardoIzzo (Dentro da Chaminé)e Luki fazem mais um mangá enquadrado, desta vez analisando o polêmico, imprevisível, profundo e complexo, mangá anterior a Chinsaw Man, de Tatsuki Fujimoto: Fire Punch.

Neste programa, damos nossa impressão sobre a obra, o que ela faz bem, no que ela falha, analisamos personagens, metáforas, simbolismos, e comentamos o porquê de gostarmos tanto dela! Tudo isso com spoilers!

Contato: contato@aoquadra.do

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Cronologia do episódio
(00:20) Fire Punch
(1:36:20) Leitura de e-mails
(1:46:20) Recomendação da Semana – Hokuhokusei ni Kumo to Ike

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9 comentários

  1. O que fez ler Fire Punch foi a arte que me chamou a atenção quando vocês falaram da capa no Julgando Pela Capa.
    Sinceramente, ouvir o Podcast porquê não passei do quinto capitulo hahaha! Agora, eu realmente quero ler até o final.

  2. Fico super feliz que vocês gostaram tanto assim de Fire Punch e que o Fujimoto tenha entrado pros queridinhos do AoQuadrado.

    Eu comecei a ler FP quando saiu a capa do Vol1 la no Japão, porque tinha achado daora pra caralho. E a história me conquistou já no primeiro capitulo, mas o que fez FP se tornar um dos meus top 5 mangás favoritos são justamente todas as temáticas que ele trabalha, em especial você ter que “atuar” pra se encaixar no mundo.

    A experiência de ler ele semanalmente foi bem única, tanto que só o próprio Chainsaw Man chegou próximo. Quando aparece a árvore, já tinha gente com certeza absoluta que tava pra acabar tipo, no próximo capítulo, do mesmo jeito que todo mundo cantava que CSM ia acabar, quando na verdade era só o fim da parte 1. Toda essa metade final de FP foi bem parecida com CSM pós-arco dos assassinos internacionais, só que bem mais absurda. Começar o capítulo 82, com o Agni no cinema, assistindo ao filme em que ele mesmo é o ator e personagem principal, ficando tão admirado com o que via, pra na página seguinte você de repente estar vendo a Yuda no espaço, e do nada na outra página milhares de anos se passam, e na outra milhões, e na outra centenas de milhões e ai ler “Surpass the eternity of time! Next week, the spectacular final chapter!” foi literalmente inacreditável. Naquela semana até o último capítulo lançar, eu não lembro o que eu fiz da vida, só lembro que eu só pensava em Fire Punch e se aquilo que eu tinha lido tinha realmente acontecido. Aliás, essa frase ai foi retirada na versão de volume, claro, mas eu adoro muito ela, por algum motivo.

    A minha relação com esse mangá é parecida com a do Leonardo, até de começar não gostando tanto do Togata pra depois virar um dos meus personagens favoritos da vida. Essa história me toca pessoalmente e cada vez que eu releio, ela se engrandece mais e eu acabo gostando mais ainda e querendo falar do mangá pra todo mundo. Mas é complicado recomendar FP por causa do seu primeiro volume. É frustrante ver gente julgando o mangá por um volume, quando todo o resto dele é tão profundo (e eu mesmo sou culpado de fazer isso com outros títulos também). Eu adoro o primeiro volume, mas não gosto dele por causa disso, mas não consigo pensar em outro jeito de estabelecer todo o mundo que ele criou de uma forma tão perfeita como foi feita.

    Sobre o porque de continuar vivendo, eu também acho que o Fujimoto deixa pra cada pessoa decidir, mas… assim, tirem 15 minutos dos seus tempos pra ler TODOS os one-shots dele. O cara escreve sobre desgraça e coisas depressivas com humor negro, mas o cara sempre faz um final bittersweet, pra não dizer feliz. Nos fim das contas, eu acho que ele quer mostrar que, mesmo que o mundo seja uma merda, você precisa continuar vivendo. Ele quer passar uma mensagem esperançosa, e eu admiro muito ele por isso.

  3. Fire Punch é uma obra que eu tô sempre mudando a nota no final. Ao terminar a obra (com o ânimo do momento) dei um 9, desceu pra 8, depois pra 7, daí ouvindo o podcast subi um ponto. Porra!

    Quanto ao tema de identidade, tem um ponto (meio raso, talvez) que queria trazer. Já vi muitas pessoas (da própria comunidade trans) lutando por uma boa retratação nas obras de arte. Na busca por uma boa retratação é interessante, dizem, a não violência/morte para personagens assim e a não vilãnização da personagem. Daí que entra a questão com o Togata, que é um dos meus personagens favoritos de mangá (ponto), mas ele passa por esses dois estágio. No começo é visto como vilão. Depois tem uma morte tortuosa. Ainda assim, envolta desses conceitos, desses que poderiam ser problemas, não consigo deixar de achar o personagem fascinante, não consigo deixar de achar foda tudo o que circula ele. É, talvez, outra contradição pra enfiar no meio da obra? Talvez uma contradição que luta contra essa carteirada artística de “pra ter uma boa representação NÃO pode fazer x, y e z”. Sei lá, foi algo que passou por mim, mas n pensei tanto a respeito.

    E, oh, vou parar um momento aqui pra fazer um elogio pra vcs pq, nossa, que podcast gostoso! A sensação é que o conteúdo de vocês só melhora (e digo isso na perspectiva de quem os acompanha desde 2013/14), que sempre tem um podcast novo pra eu poder dizer, “eita, talvez esse seja o meu novo favorito deles”. Amei a primeira metade com as discussões temáticas, algo que, na boa, a sensação é que falta mt em todo o ambiente de critica na internet. E foi mt divertido rir do mangá no terço final, só lembrando dumas cagadas narrativas que o autor fez. Excelente, gente! Brigadão pelo conteúdo.

  4. Esse foi wall of text mesmo, foi mal.

    Achei meio divertido que esse podcast veio logo depois do enquadrado de Girls’ Last Tour. Eu comentei nos comentários daquele programa que é um mangá sobre como muito do que faz a vida valer a pena e fazer sentido são as outras pessoas, e eu acho que Fire Punch também é muito sobre isso. Só que Fire Punch é a história de uma Chii (o Agni) que perde sua Yuu no primeiro capítulo do mangá, e consequentemente a vida dele… não vale mais a pena e não faz mais sentido. E isso me deixa meio reservado com o mangá.

    Eu gosto de acreditar que vale a pena continuar vivendo, mesmo quando a gente tá numa situação terrível, porque eventualmente um dia a situação pode melhorar, a gente pode conhecer outras pessoas e construir algo bom e tal. Eu diria que Fire Punch é um mangá que, de certo modo, acredita em algo um tanto diferente. Não sei se o mangá acha que o Agni “deveria” ter morrido ali junto com a Luna, mas ele retrata uma vida de eterna dor, eterno sofrimento, quase completa incapacidade de construir relações com outras pessoas, e quando surge algo diferente, algo melhor, algo que faz o Agni esquecer da dor por um momento que seja, o mundo (que é o Fujimoto) vai lá e esmaga isso também. Eu olho pra Fire Punch e vejo uma obra que me diz que a partir de certo ponto viver é dolorido demais, é sofrido demais e praticamente não tem parte boa alguma (vide o quão deprimido o “Sun” tá pós-timeskip).

    E sei lá, eu até gosto muito de umas obras deprimentes a nível parecido, como Girls’ Last Tour ou Blame ou as coisas do Asano, mas eu acho que Fire Punch está num meio-termo esquisito. Um mangá como Girls’ Last Tour investe na coisa de “o mundo tá terrível mas existem momentos que valem a pena”, e as relações me convencem, as interações de personagens, as coisas que elas compartilham nesse mundo arruinado movem o meu coração. Um mangá como Punpun é 200% blackpilled, a tragédia humana é um ciclo, o Punpun (bem como o Agni!) não morre apenas porque não consegue se matar. Fire Punch se refestela na desgraça ainda mais que Punpun (os frequentes estupradores e pedófilos, o cara que quer botar o Sun e a Neneto pra transar com cachorro, essas coisas), mas tem essas tentativas de momentos que valem a pena que não me pegam tão forte. A Neneto constrói o cinema do Togata e a gente nem vê ela reagindo a isso, nem um hint da felicidade que em tese ela teve com isso. O “Sun” e a “Luna” se encontram no final do universo e eu acho meio esquisito essa elevação dessa relação a um nível tão cósmico, quando durante todo o mangá foi mostly deprimente e doentio ver o Agni não conseguir escapar dela. Acaba sendo meio que o pior de dois mundos.

    Eu faço um comentário enorme criticando, talvez seja o mangá enquadrado (mangá, não episódio) que eu menos gosto desde o *primeiro*, oito anos e meio atrás (que eu também escrevi um enorme comentário falando que eu não gostava, lol), mas eu ainda gosto de Fire Punch. É uma leitura muito interessante, mas é muito mais do que só isso, tem vários trechos realmente incríveis, eu gosto muito de tudo com o Togata no volume 5, o final do volume 6 com o Agni voltando a ser o Fire Punch é uma das coisas mais doloridas que eu já li em mangá… mas é foda. O mangá se tornou um favorito all-time de todos vocês, e pra mim tá ao mesmo tempo tão perto e tão longe disso.

  5. Fiquei muito feliz que graças ao anúncio do programa de Fire Punch. Vcs me fizeram ler o mangá em 2 dias hahahahah. Curti muito a visão que abordaram do mangá focando no macro e sobre seus temas difíceis sem esquecer dos problemas micro que existem.

    Falando brevemente, eu gostava do mangá até o cap 40 mas depois disso a narrativa não para e os personagens começam a pirar cada vez mais e comecei a adorar de verdade. O tema q mais me tocou foi o questionamento sobre a vontade de viver e como a nossa realidade se baseia em procurar algo pra fazer e esquecer como arde a dor da crise existêncial.

    Acho relevante citar q na cena da praia com o Agni e a Judah faz referência direta ao final do filme End of Evangelion na cena do Shinji e da Asuka, onde ele tenta estrangula-la e ela passa a mão em seu rosto. É pra mim uma das melhores cenas tbm.

    Ótimo programa, deu pra ver bem que vcs estavam animados com o mangá especialmente o Leonardo hahahahah.

  6. vcs falaram de narrativa, mas acho que o tema de fire punch é religião(que é tbm indissociavel de narrativa), mas o ponto de que ele quer criar mostrar como um mitologias religiosa se iniciou com base no pós-apocalipse, o foco no filme é pq o filme seria uma nova biblia, e assim como um personagem.

    Veja só na parte que Sun está sendo usado como pilha, existe uma religião entre os outros presos de que um deus irá mata-los e poupa-los da dor. É para isso se fala o valor estar vivo, poís uma das facetas da religião é justificar a esperança de um lugar melhor, assim como justificar os atos dos soldados que acham justo terem escravos e fazer estupros

    • Outra coisa que completa esse meu pensamento é a questão de identidade: deuses mitologicos tem dezenas de facetas de acordo com aqueles que o adoram e muita vezes colocamos no msm conjunto, isso faz parte do que ele constroi com o Agni/fire punch que ele é uma pessoa mas o tratam como essa personificação do fogo destruidor e do nascimento, ele assume a faceta de destruidor/protetor de acordo com o momento da sua psique.

      Normalmente a gente pega os contos de deus/messias/etc e completamos a personalidade deles conforme os feitos deles se encaixam na nossa sociedade. E acho que isso é uma parte do que ele usa o agni pra conversar com o leitor, ja que ninguem na historia entende os sentimentos de agni como humano, mas preenchem os feitos dele com alguma motivação mistica religiosa.

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