Re:En² #17 – Berserk Vol 04-07

Sejam bem-vindos ao décimo sétimo episódio do Re:En², o podcast mensal de mangás que é o sexto dedo de Deus.


Neste programa, Judeu Ateu, Estranho, Luki, Boxa e Izzo (Dentro da Chaminé continuam com o projeto mensal de analisar 4 volumes de um mangá, desta vez com Berserk.

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5 comentários

  1. Não vejo como cabe tentar entender o Gambino (ou qualquer personagem de Berserk, na verdade) com uma dualidade de ser ou não escroto. Só consigo vê-lo (como qualquer personagem de Berserk²) como uma figura trágica. Ele era contra adotar o Guts, provavelmente culpa o moleque pela morte da própria mulher, pela perda da própria perna, por gastos e mais um monte de coisas. Ele ir bêbado matar o moleque evidencia como ele projeta os próprios problemas nele. Ele ajudar o Guts e não mandá-lo embora evidencia esse conflito interno entre estar certo em projetar os próprios problemas ou não. O que é um sentimento bem natural e diria que até documentado. É uma contradição que faz sentido dentro do espectro humano de emoções.

    Quando ele vende o Guts, ele o faz a distância. E é algo que corrobora com algumas visões que o personagem verbaliza -sobre dinheiro. Talvez não esteja de acordo com o que ele sente, mas essa contradição bate com a contradição acima. Uma das formas de você lutar contra um sentimento contraditório dentro de si é afirmando a crença externa a si mesmo de uma posição confortável. Não querendo dizer que ele é uma boa ou má pessoa. Ele é um desgraçado, sim. Sim, é pra sentir ódio dele. Mas não vejo como se enxerga o personagem como dentro de bom ou mau. Ele é uma pessoa, não uma entidade divina ou infernal.

    Essas contradições pessoais até reverberam nas referências literárias e artísticas que Berserk evoca. Mas é uma discussão que não acho que sou a melhor pessoa pra falar sobre, rs.

    Mas ainda sobre o Gambino, tem algo bem daora desse começo que vai ser sempre importante pro mangá que é a relação do Guts com a espada. Não entrarei em detalhes pra não afetar a opinião de ninguém sobre capítulos futuros, mas queria apontar isso.

    Sobre as lutas, tem umas que me incomodam bastante pelo motivo que vocês citaram. Especialmente a luta dos 100 homens. Eu não acredito naquela luta até hoje. E não ajuda a falta de manejo do Miura em deixar a luta legível. Aquilo é muito escuro e poluído.

    MAS! Acho que muitas funcionam porque, em Berserk, importa menos a representação cinematográfica da cena e mais como os personagens são feridos. Você vê mais ou menos os “plot points” (na falta de um termo melhor) da luta e como eles levam aos ferimentos e ponto, é isso. Às vezes funciona, às vezes não. Mas é uma decisão que se encaixa com o direcionamento da história.

    Sobre numeração de capítulo: o começo de Berserk é uma bagunça do cacete.

    Sobre a guerra: as estratégias do Griffith são legais. O jogo político é legal. Só. O resto é bem whatever, mesmo. Concordo demais com vocês.

    Sobre o Griffith, bem, já aviso aqui que ele é meu personagem preferido de toda a ficção. Sem meneios, Berserk é uma das minhas histórias favoritas de todas porque tem meus personagens favoritos de todos.

    Não li Berserk TÃO cedo, mas li cedo o suficiente pra escapar de um bombardeio de piadas sobre a filha da putice do Griffith. Acho que posso afirmar que li o começo bem seco, sem influência externa.

    E minha impressão inicial sobre ele, desde que ele convoca o Guts pro bando, foi só uma: ele é um cara dissimulado. Porque o contraste entre a presença demoníaca -vista na Godhand- e a pureza quase clínica -vista no Golden Age, na minha experiência, é o que melhor descreve simbolicamente um desgraçado fdp dissimulado do caralho. Então a partir disso, todas as cenas de abertura emocional que o personagem tinha soavam como dissimulação, mas com um pingo de honestidade no fundo.

    A cena do banho é a que acaba descrevendo melhor essa contradição entre ação calculada e dissimulação. Porque ela é representada de forma bem sincera, direta e aberta, mas é cercada de diálogos sobre o quão confuso é o personagem. E, bem, o que melhor dá base pra essa confusão é que por mais honesta que a cena pareça, nada ali impede que aquilo tudo seja atuação por parte do Griffith.

    Mas ainda tem um momento que entrega que existe um apreço sincero do líder do Falcão pelo Guts: a luta contra o Zodd. Aqui nem tem muito sobre o que discorrer, além de que o Griffith confiou e se pôs em risco pelo Guts em uma situação de vida e morte que era mais morte do que vida. Essa é uma evidência gigantesca de conexão pessoal.

    O que até me fez ver a cena da escada de forma diferente (aliás, c’mon, o Griffith e a princesa estavam absortos na conversa, claro que não veriam o Guts). Porque o discurso do Falcão parece bem sincero, mas vai completamente de encontro com o que, naquele ponto, na minha leitura, estava óbvio sobre a relação dele com o menino amaldiçoado. E aqui repito a ideia que quis passar falando do Gambino. Ele é uma pessoa, não um conjunto de características empacotadas. Quando eu vi ele falando de maneira tão honesta com a princesa, logo essa contradição do discurso com as atitudes me soou como ingenuidade. Sabe, algo que ele expressa com palavras, mas que ele nunca confrontou com sentimentos. Algo que ele diz querer com tanto afinco -e talvez queira, mas que talvez venha entrar em contradição com o que ele sente.

    E essa ingenuidade sobre a contradição entre verbo e sentimento também é vista na cena onde ele se vende. Ali fica bastante explícito que o que ele diz e o que ele sente não condizem. Fica até explícito como ele busca ativamente por se esconder de fraquezas. E, de novo, talvez ele realmente acredite e deseje o que ele diz, mas isso não quer dizer que um desejo não pode entrar em conflito com outros, sabe? E o fato do Miura plantar essas contradições de maneira tão sutil me arrepia até hoje.

    Uma das coisas mais incríveis dessa construção do personagem é que, por mais que eu não me veja nem um pouco no Griffith, eu ainda me identifico totalmente com ele. Eu não quero as mesmas coisas, não concordo com os métodos, não sinto a pressão do contexto dele, mas em um nível bem abstrato de sentimentos, eu já fui um jovem com palavras grandes q- caralho, eu ia me aprofundar mais do que deveria no personagem. Mas não posso dar spoiler. Deixa isso pro próximo programa.

    Bem, pra fechar eu ia falar da Caska. Mas nem discordei tanto quanto achei que fosse discordar. Acho essa questão de gênero dela também uma contradição proposital. E talvez tenha uns exageros ali no meio, mesmo. Mas vocês mesmo falaram que, com exageros ou não, ainda existe uma boa intenção que é bem condizente com a construção da personagem. E não vou lutar e dizer que esses exageros não existem, mesmo. Talvez deixemos essa discussão pra uma melhor oportunidade.

    Então vou só finalizar dizendo que a revelação do Zodd sobre uma futura traição do Griffith é demais… assim, primeiro que é claramente uma escolha de uma narrativa trágica. Bla, bla, bla, teatro grego, bla, bla, bla, Édipo. Segundo e mais importante, isso vira mais um elemento de tensão pra relação entre os personagens. Porque por um lado, voê sabe que vai acontecer, mas por outro, quanto mais o tempo passa e a relação evolui, você se nega a acreditar. O Guts se nega a acreditar um pouco, o leitor muito mais, porque já viu como é o futuro.

    É isso, espero não ter ficado um texto prolixo ou repetitivo. E, principalmente, espero não ter revelado nada importante. Flw!

  2. O podcast foi um pouco corrido por isso não da para comentar tudo sem fazer um textão, vou comenta apenas alguns pontos.
    Sobre “rank de poder“ não vejo problema, o Guts e muito forte mas não tinha tanta experiencia em combate quanto Griffitht e somando agilidade e velocidade torno a vitória Griffith bem crível.
    O motivo do Guts sai bando pra min foi obvio o Griffith falo que só considera amigo quem tem um sonho e luta para alcançá-lo, o Guts perceber que não tinha sonhos ele estava vivendo pelo Griffith, ele resolveu sai do bando e buscar um objetivo para sua vida e assim se igualar ao Griffith se tornar realmente um amigo e não uma ferramenta.
    O maior problema do Griffith e que ele não ama ninguém só ama amor que as pessoas sentem por ele, ele não se importa com ninguém todos tem um valor equivalente a sua agilidade, quando Guts resolveu sair do bando ele viu seu sonho ficar mais distante e perdeu a cabeça.

  3. Só fico feliz em acompanhar um sério do cast de um mangá que eu já consumi previamente e não preciso ler kkk, nem reler pois já li até parte que pretendem ir exatas 3 vezes… o motivo é que sempre que parava de ler o mangá por algum motivo pessoal eu voltava e relia do começo.

  4. Pois é, apesar de algumas coisinhas nessa parte me incomodarem, principalmente a inutilização da Caska que o Miura faz, foi a parte de Berserk que eu senti que o mangá, de fato, fica bom, ao menos foi onde ele me ganhou. Dos volumes 4 ao 7, eu senti que a história melhorava volume após volume, então terminei essa parte em uma crescente, deixou uma sensação boa.

    Pra mim é escancarado que o Gambino é mau, independente de uma coisinha aqui e ali que ele faz, dando a entender que ele pode fazer boas ações também, não só atrocidades. Não me convence que ele possa ter algum lado bondoso. Zodd foi uma situação bem bacana, dinâmica diferente, e a primeira vez que a aparição de um demônio nesse mangá não parece ser algo normal, os personagens sentem medo e estranheza frente a ele.

    Desenvolvimento do Gatts com a Caska ficou bacana nessa parte também, torna os 2 personagens mais interessantes, aliás, torna o Gatts finalmente interessante, coisa que não aconteceu nos 3 primeiros volumes. Assim como a relação do Gatts com o Griffith também foi bem feita, desde a primeira vez que eles se encontraram, até a cena na escadaria, à ordem de assassinato… muito bom.

    Poucas críticas realmente até essa parte, dentre elas esse problema do Miura falar que a Caska é uma lutadora foda e pouco em seguida transformar ela em donzela em perigo, e o fato daquele cara com uma armadura idiota, que embosca eles na floresta, ser 110% desinteressante.

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