Mangá² #207 – Pagando por Arte

Sejam bem-vindos ao episódio 207 do Mangá², o podcast semanal de mangás pelo qual ninguém nunca pagou.


Neste programa, Judeu Ateu e Estranho fazem mais o episódio clássico mais pessimista e triste da história do mangá², uma análise fria e sombria sobre corrupção moral, o falso-teatro capitalista e dissipamento da alma que ocorre quando pagamos por arte.

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Cronologia do episódio
(00:20) Os Limites da Arte
(39:30) Leitura de Emails
(56:00) Recomendação da Semana – Totsukuni no Shoujo

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13 Respostas para “Mangá² #207 – Pagando por Arte

  1. Muito bacana o tema desse podcast

    No meu caso nunca ganhei um centavo pela minha arte, mas já cheguei a conversar com pessoas que vivem de sua arte e algumas já me disseram que chegaram num ponto em que virou apenas um trabalho pra ela, e só sente prazer em desenhar quando esta fazendo algo pessoal como um fanzine e afins.

    E como vocês falaram é difícil botar um valor monetário numa arte, mesmo para os pro pios artistas, na verdade ainda hoje existem varias discussões no meio dos quadrinhos de quanto se deve cobrar por uma pagina, e tem editora que se aproveita disso querendo pagar o artista com divulgação.

  2. Acho que a conclusão desse podcast faz muito sentido, somos uma geração que paga por produto e pouco por experiencia. Meu momento mais lucido foi na infância, olhava o quadrinho na banca, me questionava se queria ler ou não, juntava dinheiro e comprava, era a relação direta com a experiencia, tudo mais era irrelevante. Mal sabia ele que no futuro deixaria de comprar uma boa história por conta de papel.
    Penso ser um exercício mental importante tentar ao máximo separar a questão econômica da arte, isso atrapalha. Posso pensar que o Punpun é daquela forma pelo proposito de chamar atenção e vender, mas dessa forma se perde a magia.
    Hoje em dia separo uma pequena parte do orçamento para financiar meus hobbies, dessa forma deixo livre o uso do dinheiro sem a paranoia de “fazer um bom negocio”, espero que nunca tenha que vender minha coleção para pagar contas, seria um caminho sem volta e nunca mais conseguiria dissociar hobbie como gasto de dinheiro, e minha experiencia não seria condicionada ao prazer da experiencia, mas a resposta ao meu investimento.

  3. Sobre ler Online oficialmente no Brasil, teve uma editora que começou um projetos a uns dois anos atrás e teve até site mas acredito que não tenha ido a lugar nenhum.

  4. É legítimo comprar e vender arte, conforme todas as partes estejam cientes da “arte”: objeto da troca voluntária, entre o “artista” e o comprador. Não cabe a mim, ou ao Manga² chegar a um valor imutável de determinada “obra de arte”. O valor só faz sentido para quem compra/encomenda a “arte”.

    Dito isso, podemos tentar achar a lógica das anomalias nos preços de várias obras em diferentes mídias, o que é tido como preço, diz respeito ao valor estipulado pelo artista em questão, certo? Não em todos os casos, isso só se aplica a contratos diretos entre artista e comprador, nesse caso o artista leva em consideração seu trabalho individual. No caso das indústrias, as dos mangás especificamente, o preço final engloba todos os custo de uma editora para manter a publicação, incluindo desde o salário do mangaká, até o transporte das revistas aos vendedores finais.

    O quanto vale Fairy Tail? Pro Autor, pra editora, pro editor, pro comprador japonês, pro comprador brasileiro, pro leitor de mangá online, etc. Para todas as pessoas que consomem tal “arte” o valor é subjetivo e diferente. O que é cobrado e pago pelas páginas de fato se trata do custo de produção em primeira análise, e a demanda por tal “arte” é onde o valor subjetivo se torna palpável pela indústria, possibilitando produzir mais a medida que a demanda surge. É o que acontece com os diversos animes “Ecchis” que são lançados temporada após temporada no Japão. Demanda por calcinha = Mangás de Calcinha. Isso é ruim? Pra quem gosta de calcinhas, e paga pelos BluRays caríssimos, certamente não.

    Esse é o papel do dinheiro, dar valor ao que as pessoas querem pagar mais. Nem sempre meu gosto pessoal reflete nos preços de fato das coisas, principalmente em arte. Diversos músicos fazem sucesso com produções musicais horríveis aos meu ouvidos, mas é dado valor significativo para muitos desses, pelos mesmos motivos que citei acima, oferta e demanda.

    Seria o dinheiro um problema para arte? Em suma, pra mim não. Levando em consideração que os artista não são obrigados a produzir, e eu não sou obrigado a comprar. Não há como argumentar que o dinheiro, simplesmente um objeto para facilitar trocas voluntárias, cause problema para alguma das partes. O artista quer sua arte valorizada, e pagar por ela é um jeito bem simples de fazer isso. Agora o valor exato de algo nunca será possível afirmar, pois o preço como argumentei, não é de fato um “medidor de valor artístico”, mas sim um medidor de valor “vendável”, ou seja, a pergunta feita pelos diretores das editoras é “Qual o preço mais competitivo para tal produto, levando em consideração o custo de produção e a demanda?”. Essa pergunta não leva em consideração o valor artístico diretamente.

  5. Valeu pela música.
    Nao sei se foi o tema, voces ou o ultimo podcast ser o de one piece(que abaixa minhas expectativas com o programa) mas esse aqui guardei no coração.
    Quando vi o tema achei que sairia daqui me sentindo culpado por ser um arrombado que não compra uma história seja da mídia que for, mas não. Independente da minha condição financeira nem fodendo eu compraria a quantidade de mídias que consumo, justifico dizendo que grande parte é pela história ser um lixo.
    Blame! está em lançamento no brasil. Blame! é muito bom. Não comprarei Blame!.

  6. Tive umas discussões sobre essas coisas nas ultimas semanas na faculdade (finalmente tomei vergonha na cara e entrei no curso do design). Concordo que acho que falar que artista não pode querer ganhar dinheiro é besteira, porque DESDE O INÍCIO DOS TEMPOS tem artista é pago pra fazer as coisas.
    Mas tipo, isso que vocês falaram de variar o preço dos mangás X ou Y mesmo eles sendo feitos com dedicação diferente não faz sentido. Como vocês disseram, um quadro de Picasso vale porque ele é raro, mas uma pintura de um artista desconhecido também é única e vale menos, porque ele é mais renomado. Mas tipo, não tem como tu aplicar nisso num mangá, por ele, como produto, NÃO É único. Existem centenas de cópias de Vinland Saga por aí, por exemplo, então o que é único é a história em si, não onde ela está impressa. Fora que indo pra uma mídia que também é tradicionalmente impressa tipo literatura, tu tem obras que tem grande valor cultural/histórico distribuídas na web de graça, e isso não faz elas valerem menos.
    Acho que a questão é separar o produto em si da história que ele está acoplando. O que faz uma história valer mais não é o fato de tu poder cobrar mais por ela mas sim que as pessoas vão comprar ela ao invés da outra mesmo as duas estando no mesmo preço. E o valor artístico disso está nela conseguir resistir ao teste do tempo e ter gente ainda querendo ir atrás dela por muitos e muitos anos. Akira por exemplo tá tendo um tratamento diferenciado porque é Akira. É uma edição mais refinada, por isso é mais cara, mas o pessoal vai comprar não por isso mas porque Akira é Akira, não um mangá aleatório dos anos 80.
    No caso de material online, tu paga pela exclusividade de ter o material ali na hora e lógico, pro cara continuar produzindo, ou em acervos online, pelo acesso à biblioteca de conteúdo.
    Agora, sobre a indústria em papel acabar: acho que não rola. Por mais que a gente tenha a industria da música indo pro digital, tu tem também o FUDENDO VINIL voltando à moda em pleno 2017:
    http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2016/05/vendas-de-vinil-voltaram-com-forca-e-estao-crescendo-cerca-de-20-ao-ano.html
    Isso significa que ao mesmo tempo que as pessoas querem mais facilidade de acesso ao conteúdo, querem ter a coisa ai nas mãos. Não é exatamente consumismo, mas a experiência digital e física com o objeto ali, que tu pode pegar na mão, é diferente. Tem uma palestra do Chip Kidd que meio que comenta sobre isso.

  7. Pingback: Arte e sobrevivência | Missão Ficção·

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