Mangá² #172 – Arte e Público

Sejam bem-vindos ao episódio 172 do Mangá², o podcast semanal sobre mangás que é o normalfag mais hipster de todos.


Neste programa, Judeu Ateu, Estranho e Leonardo Souza  se reúnem novamente, para desta vez realizar o podcast mais convoluto e focado da história. Esta é uma conversa sobre como diferentes públicos, “normalfags” e “hipsters”, interagem com obras de arte.

Contato
Sugestões de pauta, sugestões de leitura, dúvidas, elogios, críticas, qualquer coisa! O email para contato é: contato@aoquadra.do

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Cronologia do episódio
(00:33) Arte e Público
(42:00) Leitura de Emails
(54:00) Recomendação da Semana – Eden: It’s an Endless World!

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27 Respostas para “Mangá² #172 – Arte e Público

  1. Primeiro gostaria de parabeniza-los por essa longa jornada que estão trilhando! 172 Podcasts e vcs ainda continuam tendo assuntos de fato interessantes, curiosos e honestos de se discutir! Ainda sim queria que vcs tentassem apostar mais alto, como quando vcs falaram de Hentai ou de Lolicon. Aquilo foi um tiro pro alto e sinceramente gostei das discussões!

    Sobre o programa ele é praticamente uma Ode a minha frustração ao público normalfag! Eu sinceramente não tenho nada pra reclamar desse público, é o que eu normalmente diria, mas com o anime de Boku No Hero acontecendo eu me sinto pessoalmente injuriado!
    Porque o mangá é sim muito bom, tudo nele me encanta! Tanto que eu o acompanho firmemente antes de qualquer um pensar que ele iria fazer o sucesso que fez, eu sempre discutia sobre Boku No Hero com pessoas que de fato se interessavam por ele e se interessavam a discutir sobre ele! O Fato do anime ter chegado sinceramente me ofendeu, até aquele momento pessoas que eu conhecia e não queriam saber de Boku No Hero, aí viram o anime se dizem ser fãs desde sempre! Isso me enoja de uma forma que me deixa sem palavras! Se vc gostou admite que gostou pelo anime e que não vai ler o mangá pós o anime terminar, ponto. Eu me sentia bem no meu “canto” conversando sobre Cadmia, com a vinda do anime eu sinto como se meu espaço pessoal tivesse sido invadido, não me leva a mal continuarei a acompanhar boku no hero até o fim! Mas ainda preferiria que fosse algo de nicho uma pérola escondida na Jump que pessoas que só procuram o hype do momento nunca botassem os olhos sobre…

    • “Ainda sim queria que vcs tentassem apostar mais alto, como quando vcs falaram de Hentai ou de Lolicon. Aquilo foi um tiro pro alto e sinceramente gostei das discussões!”

      Que tipo de discussão sugere? Não temos uma pauta muito ampla disponível ainda.

      • Hmm tenho algumas sugestões: Pro segunda potência vcs poderiam conversar no quesito games sobre “O quão forte é a influência da cultura dos games tanto nos mangás quanto no mundo hoje.” & “O que faz uma adaptação de games para mangá & ou em anime ser Ruim ou Boa? O que torna ela Ruim ou Boa?”

        Pro mangá ao quadrado vcs podiam falar sobre coisas que as pessoas normalmente só falam de maneira superficiais das obras como: “Até quando a mensagem de um mídia seja ela qual for está certa ou errada? Independente de sua mensagem!” & “Gore é algo que é preciso ser tratado com cautela? Ou é algo que nem os adultos deveriam ter acesso? Ou simplesmente é algo que ngm precisaria se preocupar com?” outra boa “Até onde discussões/brincadeiras sobre uma mídia podem ser consideradas apenas como descontração e quando elas se tornam doenças: Exemplo pessoas que se masturbam ou se casam com suas “Waifus do mangá/anime”

        A minha lista também é pouco curta mas é porque vc me questionou de surpresa essas sugestões, espero que elas sejam interessantes o suficiente pra pelo menos entrar no campo do talvez pro ao quadrado.
        Outra coisa pra participar do podcast o que é preciso?

  2. Caralho Estranho, que ódio. Eden foi uma obra que eu li com tanto desgosto(tirando os primeiros volumes), ai antes de ouvir a recomendação pensei “nem fudendo eu vou ler essa merda de novo”, *longo suspiro*…

    …coloquei na lista de releitura.
    Que ódio.

  3. Vou causar ódio no Judeu e ver o anime de Ashita no Joe ao invés de ler o mangá.
    Acho que concordo com quem comentou que não dá pra culpar os normalfags. Convenhamos que somos todos seres humanos que gastam tempo com trabalho e/ou estudo, então não dá pra se aprofundar sempre em tudo. Eu tento não me importar muito com popularidade e leio o que dá na telha. E sobre o lance de esperar o anime antes de ler o mangá: porque não? Tu pode valorizar a equipe do anime também, ué. Genroku Shouwa Rakugo Shinjuu é um anime é um anime que eu esperei messes antes do lançamento do anime sem tocar o mangá, e vou esperar mais uns pra segunda temporada e estou completamente satisfeita. Mas lógico que é porque o anime em si é bom e não só por méritos do mangá.
    Ah, só pedindo: ainda aceitam recomendação em áudio?

  4. Só comentar uma coisa irrelevante aqui: Slam Dunk n é o mangá mais vendido de todos os tempos, OP, Golgo 13 e DB são os mais vendidos se não me engano, pelo menos foi o que eu vi nas fontes que eu procurei.

  5. Nossa, eu teria um milhão de comentários sobre esse programa (é basicamente o tema da minha dissertação né), mas vou tentar ser sucinto.
    Em primeiro lugar, o que normalmente costuma ser visto como o que diferencia obras populares de obras hipsters é a “facilidade” (eu já comentei isso aqui no passado). Uma obra, pra ser considerada boa pelo público hipster, tem que ser de difícil “digestão”, não pode ser facilmente consumível. Vocês inclusive já comentaram em algum programa, que qualquer final feito pelo Furuya (acho) seria bom porque ninguém entenderia porra nenhuma.
    Isso acaba criando um gatekeeping com pessoas que simplesmente não tão afim de quebrar a cabeça lendo mangá, porque acha que essa é uma mídia leve que tá aí só pra descontração.
    Sobre a culpa do autor em tentar ser popular, o Judeu falou que ele como confeiteiro tem a responsabilidade de fazer doces bem-feitos, mas fica a provocação: e se eu, como cliente, quiser um doce com um sabor que você, Judeu, não gosta (digamos, sei lá, tutti-frutti). Você estaria errado ao fazer esse doce que vai contra as suas sensibilidades “só” por dinheiro?
    Inclusive eu defendo que um dos melhores mangakás é o Ken Akamatsu porque ele já falou em entrevista que um dos prazeres dele como autor é tentar descobrir o que o público gosta e arranjar um jeito de entregar isso. Eu considero esse trabalho dele (quase detetivesco) um jeito válido de ser autor, porque o cara tá fazendo o que ele gosta, ele se diverte com isso, e ainda por cima está ganhando rios de dinheiro.
    Uma outra coisa que eu queria comentar é justamente que vocês falaram que os hipsters só tão querendo ajudar, e, sério, isso é meio balela – tem gente que sente prazer na verdade em justamente apreciar obras que ninguém mais aprecia. É o (já clássico) “diferentão”. Essa pessoa não quer que todo mundo leia Punpun, ela quer se sentir segura em seu trono de obscuridade.
    Por fim, fica uma provocação que surgiu durante a minha pesquisa de mestrado sobre como o prestígio de uma obra é definido: https://www.instagram.com/p/5flqHBub2o/

    • Sobre sua analogia com doce, acho que um bom contra-argumento é que o sabor seria como o gênero do mangá, ou algo parecido, e o autor pode tentar fazer o seu melhor, mesmo que ele não goste. Por exemplo, o autor de Inside Mari parece não ser o maior fã de ecchi, inclusive criticando o gênero na obra, mas mesmo assim ainda há cenas de meninas semi-nuas ou complexamente nuas. O mesmo vale para Madoka, Evangelion e muitas desconstruções. O autor pode fazer algo diferente sem deixar de colocar o “sabor” desejado, como mostram esses mangás que reformularam elementos do gênero, mas ainda fazem parte dele de alguma forma.

      O Ken Akamatsu me parece um bom empresário, um bom “pesquisador”, mas não um bom autor. Sim, há qualidade neste trabalho de compreensão do público e isto será de grande ajuda para o mercado, mas não são qualidade artísticas ou autorais. Ele é como um confeiteiro que descobre que o público gosta de tutti-frutti e muda o nome da loja para Tutti-Frutti Store e só vende variações do doce preferido das pessoas. Talvez ele e o público fiquem felizes com o resultado, mas acredito que não basta gostar do que se faz, como até demos a entender no podcast, acho que é importante saber analisar de uma maneira mais distante e do ponto de vista artístico. Inclusive, acho que no momento que a Turri-Frutti Store lançasse um doce de limão siciliano com raspas de chocolate meio amargo, o oposto do que o público pedia, e usasse o conhecimento prévio para torar esse doce agradável e inovador, a loja poderia aumentar seu público e ajudar os amantes de tutti-frutti a expandir seus horizontes.

      E citamos esse hipster patético, estávamos falando dos hipsters moderados no final. Claro que sempre haverá esse tipo de gente que está nos pontos mais extremos do espectro, mas acho que o ponto era mostrar como o espectro do normalfag tem mais possibilidades negativas do que o espectro hipster.

      • Sobre o gênero do mangá, meu contra-contra-argumento é que ele seria mais o tipo de doce (cupcakes, tortas, bolos, mil-folhas, etc): existe ali um padrão, uma fórmula, que pode ser seguida ou não e que pode ser inclusive descontruída.
        Mas o sabor é algo principalmente subjetivo. Alguns sabores (digamos, de fezes) serão objetivamente ruins, e outros são reconhecidamente de baixa qualidade (tutti-frutti). Mas se existe um público consumidor interessado, eu não acho errado ter um autor (confeiteiro, na analogia), que preencha essa demanda.

        Sobre o Akamatsu, discordo novamente. Falar que as obras dele (me foco basicamente em Negima! e UQ Holder, embora eu possa defender até Love Hina e Ai ga Tomaranai) não têm qualidade autoral é negar a capacidade do Akamatsu de se posicionar dentro das obras (que é algo que, pra mim, ele faz de forma inegável). Falar que elas não têm qualidade artística eu acho ainda mais complicado porque teríamos que definir o que é arte (algo que o podcast tenta há anos e nunca conseguiu) – mas se for algo na linha de inovação, qualidade técnica, ou capacidade de entreter o público, ele peca muito pouco. Não digo que ele seja o melhor autor do mundo, mas acho que falar que ele não chega a ser um bom autor é, na minha opinião, injusto.

        Por fim, discordo mais uma vez que o espectro normalfag seja mais negativo que o espectro hipster (mas poderíamos discutir o quão irônico é ter esse debate em um podcast notoriamente hipster :P). O lado normalfag tem uma qualidade que o lado hipster normalmente acaba perdendo, que é a capacidade de curtir uma obra sem compromisso, sem ficar procurando grandes motivos ou mensagens pra justificar o seu gosto. Acaba sendo uma apreciação até, de certa forma, mais genuína.

        O hipster leva o seu gosto talvez a sério demais, elevando a arte a um patamar em que ela tem que ser a coisa mais sublime possível (de forma quase Kantiana), ou então ela é ruim. E acaba exigindo do artista que ele seja alguém dotado de “superpoderes” artísticos e negando a capacidade artística de alguém que pode ser “somente” um bom artífice.

        • Meu contra-contra-contra-argumento é que os sabores tem o mesmo nível de objetividade e subjetividade do tipo de doce. Morango é morango, assim como folhado é folhado, algo objetivo, e alguém pode gostar ou desgostar de ambos da mesma forma, a parte subjetiva. E existe público consumidor para doces sabor fezes (2 girls 1 cup), mas isto não faz o produto ser bom. Se considerarmos o sabor fezes objetivamente ruim, então estamos aceitando que quem gosta dele tem mal gosto, e que esse conceito existe, o que é um ponto para os hipster que tentam aprimorar o gosto dos normalfags.

          Eu não li nada (talvez um ou outro capítulo de algum mangá) do Ken Akamatsu, por isso falei o que me parecia baseado na sua descrição da qualidade dele. Eu apontei que as qualidades que tu citou não compõem um bom autor, mas sim um bom homem de negócios ou pesquisador de mercado. Talvez ele seja bom, mas não por dar ao público o que ele quer ou por repetir fórmulas apenas “pelo dinheiro”. Particularmente, acho improvável que ele seja bom na parte de “inovação”, uma vez que está há tanto tempo na mesma linha de histórias, mas sou ignorante quanto ao conteúdo, então não afirmo nada.

          E discordo, e muito, da afirmação que o normalfag tem essa “qualidade” que o hipster carece. Muito pelo contrário, acho que essa característica traz muito mais malefício para o normalfag, pois ele geralmente acaba “curtindo” a obra sem compromisso, ainda que ela mereça ou peça um compromisso maior. Ele não procura grandes mensagens e, por isso, acaba lendo só parte do que a obra tem a oferecer. É só olhar a quantidade de obras preferidas de um normalfag, geralmente 1 ou 2, e de um hipster. Isto porque o normalfag limita-se ao apreciar por completo apenas obras com uma profundidade curta.

          O hipster, por outro lado, por buscar a profundidade da obra, pode aproveitar uma gama maior de título por ter vários níveis de alcance. Inclusive, qualquer hipster que esteja minimamente longe do extremo do espectro por tentar se aprofundar em obras mais “rasas” e perceber a falta de profundidade e, caso a obra mereça, aproveitá-la pelo que ela é. E mais, quando não há profundidade, podemos buscar compreender as motivações do autor para a forma de contar a história, analisar aspectos mais técnicos como quadrinização, pacing, etc., e ainda curtir durante a leitura. É só fazer um tutti-frutti de qualidade, e não copiar a receita de sempre. Isso vai agradar tanto hipsters quanto normalfags, enquanto o medíocre agrada só um deles.

          • Hmmm. Entendo mas discordo: embora você possa aprender a gostar de sabores (coprofagia, que você mencionou, DEVE ser um gosto adquirido), ainda assim não existe a categoria “sabores de morango”, que você pode inovar a seu belprazer. Você pode adicionar ou não uma calda de morango, ou até a fruta, ao seu doce, mas ainda assim a essência do sabor continua ali. Tipos de doce, por outro lado, são fórmulas com as quais você pode inovar (ou não) à vontade. Você pode desconstruir o cupcake, mas não pode desconstruir o sabor de baunilha.
            Saindo da analogia, que já está deveras confusa, eu trouxe isso pra defender que um autor pode ser especializado em um gênero (ecchi, ou battle shonen, ou whatever), ser competente em prover exatamente o que o público quer, sem ser inovador-criativo-genial, e ele não se torna menos artista por isso.

            Considerar existem coisas objetivamente boas ou ruins (e que, consequentemente, mau gosto existe), não é aceitar que todos os gostos sejam objetivos, ou até mesmo que sejam igualmente subjetivos. O hipster, ao tentar “aprimorar o gosto dos normalfags”, está sim impondo algo subjetivo como se fosse objetivo: é a velha piada quem fazem com seinen psicológico – afinal, quem decidiu que seinen psicológico é o melhor tipo de obra, e porque devemos aceitar essa decisão?

            E eu discordo, e muito, da sua afirmação de que essa característica traga ~malefícios~ para o normafag. Qual o problema – que vocês mesmo comentaram no podcast – de consumir uma mídia (mesmo que minha mídia favorita!) de uma forma mais casual, sem precisar procurar grandes profundidades, mensagens, ou simbolismos?
            Eu concordo que consumir “com profundidade” é uma experiência excelente, veja bem (inclusive eu acho que há um prazer muito grande nisso), mas eu acho que a hipsterização da mídia acaba criando categorias imbecis como “guilty pleasure” ou “assistir/ler ironicamente”, como se nós tivéssemos o dever moral de só apreciar obras de grande profundidade, e ao desviar disso nós estaríamos praticamente pecando (veja que mesmo pra obras “rasas”, o hipster sente a necessidade de “compreender as motivações do autor para a forma de contar a história, analisar aspectos mais técnicos como quadrinização, pacing, etc”).

            Resumindo (que isso já tá muito confuso), minha opinião é que existem igualmente vantagens e desvantagens em todos os pontos do espectro normalfag-hipster (ou “cult”, que o panino mencionou), e que ficar criando gatekeepings sobre qual é a forma certa de apreciar uma obra ou uma mídia acaba sendo tão danoso quanto apreciar de forma “descerebrada”.

  6. Eita, tô feliz que o Judeu pegou Black Mirror para ver! E o restante, pode assistir, é muito bom mesmo.

    Sobre o tema do programa, gostei do rumo que tomou, principalmente pelo grande teor de autocrítica. Às vezes tomamos as obras como se fossem nossos tesouros pessoais; torná-los populares é como devassar a (pseudo) pureza que possuem. As mãos sujas e as opiniões popularescas podem denegrir a imagem boa que determinada obra tem (bem, é o pensamento que já rodou na minha cabeça), e a mensagem intrínseca da obra se tornar pobre. É mesquinho pensar dessa forma, não somos donos de nada, as obras estão aí para serem espalhadas e apreciadas. Hoje, acho babaquice essa coisa de apropriação de mídias.

    Só que ser ser normalfag e raso é razão de crítica? Será que é uma obrigação se aprofundar naquilo que se gosta? Tem que se levar em consideração que para muitos as mídias não passam de puro entretenimento, não constituindo verdadeiramente um hobby. Aliás, tratar filmes, livros, séries etc como hobby verdadeiro é para poucos. As pessoas não querem mais um “trabalho” para gastar o cérebro, querem aquilo pronto para ser consumido. Enfim, é o que penso.

  7. Comentário para apreciação de Golden Kamui.
    O volume 5 está estupidamente foda. Ri demais com a história do assassino psicopata.

  8. Discordo da definição de “hipster” como quem gosta de coisas “obscuras”.
    Tem o “normalfag” que é o público para o qual as obras são vendidas. As coisas chegam para ele, ele não vai atrás. Ele é o alvo das obras feitas para serem populares, obras que sejam fáceis de serem digeridas com poucas resistência. O “hipster” é aquele que já começou a desenvolver algum gosto pessoal e tem alguma ideia de qual ele seja. Ele começa a ir trás das obras que possam agradá-la e para isso tem que pensar um pouco sobre o que consome.
    O que gosta de coisas obscuras é o velho e bom “cult”. Ele vai atrás e gosta de consumir até obras que ele não vai gostar, para ver o que ela tem a oferecer.
    Não é?
    Tem para todo mundo.

  9. To vivendo um pouco disso na pele, meu irmão mais novo começou a se interessar por animes, e me da dor no pâncreas olhar o notebook dele e ver ele assistindo Mirai Nikki, Akame ga Kill, Onepunch-man, etc…Nada contra, mas sempre que eu tento indicar algo diferente pra ele, ele pergunta: tem poder? To sendo paciente e querendo acreditar que é uma fase, mesmo porque anos atrás também já tive uma fase assim e espero que um dia ele se interesse por coisas diferentes, mas basicamente a definição dele de qualidade é ser popular, e ele é só um reflexo da opinião de muita gente desse meio, em mangás então, ele nem chega perto.

    E eu discordo, acho que há casos diferentes de normalfags, tem gente que vê dois ou três animes como quem vê uma série e não tenta se aprofundar na mídia, e tudo bem com isso, as mídias estão aí como arte, mas também como passatempo, com o objetivo puro de entretenimento, mas tem gente que consome animes da temporada desenfreadamente e sempre do mesmo, cara, toda temporada tem anime de garotas mágicas, anime de idols, anime de “seinen psicológico popular”, anime de vampiro ( pior gênero aliás), eu particularmente não consigo entender isso.

    O mesmo vale pros mangás, o que eu vejo muito em leitores de mangás normalfags é que eles se prendem demais a um gênero ou demografia. Digo, tem os leitores de battle shounen, tem os leitores de moe, tem os leitores de shoujo/romance, e não procuram variar e expandir o conhecimento sobre a mídia, pra mim da sim pra culpar as pessoas pela própria falta de vontade de se expandir. E digo pois eu mesmo procurei me expandir e leio de tudo, assim como ficava só nos animes até que procurei me expandir e fui atrás de mangás.

    • Anime de Vampiro? Isso é um gênero? De recente só lembro de Seraph mesmo.
      Eu também tenho um irmão mais novo na faixa dos 15 anos e tento indicar umas coisas pra ele sem sucesso, ele vem com o exato mesmo argumento.
      Mas também acho que não adianta indicar uma obra muito boa que a pessoa ainda não tem maturidade pra dirigir. Uma hora a pessoa amadurece.

      • Ok, dei uma forçada, por vampiro leia-se criatura sobrenatural genérica.

        Por isso mesmo já desisti e to indicando coisas mais condizentes com o gosto atual dele.

  10. Eu como artista vejo o dinheiro como uma consequência e não como um objetivo, mas ate que ponto isso é importante?

    Se inio asano dissesse que fez tudo por dinheiro mudaria o valor de suas obras?

    Se o kubo dissesse que faz bleach puramente pelo amor a arte tornaria o mangá melhor?

    E me questiono ate que ponto realmente somos hipster, tipo deve ter uma editora de fundo de quintal la no japão que publica uns mangás super experimentais que jamais foram scaneados

    Tambem acho muita prepotência querer mandar no gosto das pessoas, você citaram reborne que eu tambem acho uma bela de uma merda, mas não vou crucificar ninguém por gostar, e não vamos nos esquecer que tambem gostamos de coisas que outros consideram merda, eu por exemplo adoro naruto e se um dia eu for pai com certeza vou apresentar naruto pra ele,

    E vilante saga ainda ta no volume 6 aqui onde moro.

  11. Certa vez discuti com um amigo sobre o que torna uma obra popular, se é por ser boa, por marketing, por outros fatores, etc. Disse a ele o que direi aqui: tenho por mim que toda obra que se tornou popular possui um ou dois motivos fundamentais para tanto. Então concluímos, o boca-boca, marketing, propaganda; pois até o que não é bom, e já sabemos disso, se torna popular com a devida forçação de barra.

    Mas aí pensei com meus botões, se for isso mesmo, pois é raríssimo, ainda mais numa época globalizada e de internet onde todo mundo pode quase tudo sem muito esforço, é raríssimo encontrar trabalhos que se popularizaram solenemente pela qualidade. Agora mesmo não consigo pensar em nenhum; passou pela minha cabeça Shingeki no Kyojin, mas até na época do anime e depois dele! houve uma torrente de propagandas, spin-offs, jogos, etc.

    Esse amigo sentenciou que há por aí uma infinidade de obras que ninguém nunca ouviu falar, que talvez ouviremos falar, ou que jamais ouviremos. É triste, mas quando se pensa nos séculos de história desde Cristo e no número de canônes literários, eu sinto pelos autores que lutaram em suas épocas e não vingaram para a posteridade. Teimei com ele afirmando que não obras “boas” mas só as “muito boas”, ou “excelentes”, por terem uma qualidade acima da média chamavam atenção para si só por isto. Porém, novamente, é improvável isto acontecer.

    Entre a comunidade com qual discuto há um consenso em dizer que o tempo é o melhor medidor de qualidade de qualquer coisa. Shakespeare é tido como o pináculo do escritor de língua inglesa, tramando enredos com impactos atemporais (e, diga-se de passagem, entretetedores para a época) numa linguagem de alcance estético quase alienígena; tem gente que até duvida se o homem existiu. Sabemos que ele escrevia na época elisabetana do reino inglês, mas, se não me engano, os acadêmicos só foram “descobri-lo” quase dois ou três séculos depois de sua morte. Hoje sabemos que o peralta foi o maior dramaturgo de sua época, suspeito se ele era mesmo popular, mas podemos ter a certeza que ele passou uns bocados de anos na obscuridade. E isso que ele é clássico, hein!; imagine se não fosse…

    Ante a esse fato, eu e os demais amigos sentenciamos (é, como pseudo-acadêmicos), depois de muito debate, decisivamente que popularidade de fato não reflete qualidade, e o que é excepcional, não necessariamente será popular. Eis a triste verdade.

    Acho que o nosso trabalho, como público, é fazer do boca-boca um meio de dignificar essas obras excelentes que ainda estão na obscuridade e fazer a massa, seja normalfag ou o caralho a 4, mesmo que desgostemos, reconhecer a grandeza dessas obras, ainda que aqueles não alcancem a beleza lá no fundo da coisa. Isto é ser “fã” de algo e querer compartilhar a alegria que se tem sozinho com os outros. Em última análise, tenho por mim que essas obras merecem o prestígio e um dos fatores principais para serem reconhecidas somos nós mesmos.

    Sempre que toco neste assunto acabo fazendo meu trabalho evangelista de cada texto. Tem um romance brasileiro contemporâneo que até algum tempo atrás nunca ouvira falar. Vi num sebo, comprei, li-o e me surpreendeu pelo compromisso estético com a literatura ainda assim contando um enredo que foge do realismo mainstream tradicional, de quebra zoando com algumas convenções. O romance se chama “Dentro do Teatro de Marionetes”, do André Rangel Rios. Trata de um homem que de repente ganha poderes telepáticos e vai aprimorando-os, usando-o a princípio a bel prazer, com direito a trechos de pornografia, enquanto descobre que existem outros como ele e que usam os poderes de forma inortodoxa.

    Foi a minha surpresa de leitura literária do ano passado. No meu “site” até postei um excerto que me chamou a atenção. Eis o link: https://rasbletras.wordpress.com/2015/11/01/eu-carro/

  12. Qual o nome da musica que toca no final do bloco que voces estao falando sobre o assunto primcipal (arte e publico)?

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