1Volume – Henshin Mangá 2014

Volume único, por vários artistas.


Em 2013 a editora JBC anunciou o Brazil Mangá Awards, um concurso de mangás para revelar brasileiros talentosos na área de quadrinhos. O Henshin Mangá é o resultado desse concurso, uma antologia com os cinco autores vencedores. São cinco one-shots com a média de 30 páginas que tratam de temas e estilos diversos. A ideia é que o concurso seja anual e tenhamos mais antologias como essa.

Incentivar essa cena de mangás nacionais é muito bom para os autores e pode ser muito proveitoso para os leitores. Ler, analisar e discutir as obras é essencial para que a qualidade desses mangás cresçam para um dia termos um mercado forte com muitos títulos realmente bons inspirados nos quadrinhos japoneses, mas acrescentando nossas experiências brasileiras.

Dissertarei sobre cada obra individualmente evitando dar spoilers pesados, mas as análises serão melhor aproveitadas por quem já tiver lido todas histórias. Seguirei a ordem da revista e, portanto, começarei do início.

Quack – Kaji Pato

O primeiro one-shot da revista trata de um aviador com chapéu de pato chamado Baltazar e um pato com gravata de gente chamado Colombo. Os dois caem em uma floresta cheia de coisas estranhas e acabam em uma série de confusões e altas trapalhadas nesse lugar muito louco.

Primeiramente, o ponto mais forte dessa obra é o desenho. Os cenários, as criaturas, os personagens e até o cocô possuem um design interessante, ora bizarros, ora estilosos, mas geralmente com um bom equilíbrio. Todo o universo é bem divertido e as piadas visuais são as que mais funcionam. A quadrinização é mais simples, com poucas experimentações ou variações grandes no estilo dos quadros. Mesmo assim, não é ruim, tudo é bastante compreensível e flui bem na leitura.

Colombo e Baltazar parecem personagens interessantes, com uma relação áspera entre eles e personalidades bastante consolidadas individualmente. Baltazar é um rapaz infantil e bobinho enquanto Colombo é um sacana sem muitos escrúpulos. Mas o problema está no ponto mais fraco da obra: o roteiro.

Desde o começo é fácil notar que Quack é uma comédia misturada com aventura. Isso pode aumentar a suspensão de descrença do leitor, fazendo-o aceitar estruturas e situações menos usuais. A estrutura narrativa aqui é feita em pequenas situações que se seguem linearmente, mas sem muita conexão entre si. Como roteiro, essa estrutura acaba deixando a próxima ação dos personagens menos relevante, pois nada tem grandes consequências e nenhum conflito real é criado.

O momento de apresentação do “vilão”, por exemplo, poderia acontecer em qualquer momento da história sem importar o que veio antes, pois nada levou àquilo, além de dar uma motivação confusa para o tal vilão enfrentar os heróis. A resolução do vilão é cômica, mas acaba não sendo tão surpreendente, assim como outros momentos da trama que têm desfechos bastante óbvios. Entretanto, outros momentos que poderiam gerar uma relação mais forte do leitor com a história, como a discussão mais acalorada entre os protagonistas, que acaba abandonada e nunca explorada a fundo.

A história serve como um amontoado de situações cômicas, mas as últimas páginas deixam um gosto de desperdício por parte da obra. Temos alguns belos quadros dos personagens tendo experiências muito interessante, fazendo-os esquecer do seu objetivo inicial e tudo termina com o narrador falando de aventuras, fazendo parecer que esse seria o tema da obra.

A aventura, porém, foi colocada no final como um conceito vago e nunca construído durante a jornada dos personagens, algo que anula um possível final emocionante ou catártico. E os personagens passam pela maior, talvez única, transformação da história deles fora da tela. O momento que poderia ser o mais interessante de vivenciar com o Pato e o Humano foi apenas contado pelo narrador e exposto em dois quadros.

Uma história com algumas boas piadas, uma bela arte, mas um ritmo um pouco desinteressante e um roteiro que não liga pontos nem aprofunda nada.

Crishno: O Escolhido – Francis Ortolan e Lielson Zeni

Um garoto aparece correndo de monstros-árvores misteriosos e é abduzido por criaturas ainda mais misteriosas. Ele entende seu destino, descobre o que são os monstros e volta para combatê-los com a ajuda de seus vizinhos. Sendo acompanhando por um passarinho muito divertido, ele está pronto para vencer sua batalha, afinal, ele é O Escolhido.

A arte de Crishno é a primeira coisa que chama atenção quando a história começa. Pode parecer um desenho feio a princípio, além de muito carregado no cinza do início ao fim, mas essa aparência desagradável se resume ao design do protagonista. Este possui uma anatomia muito estranha, com um rosto que mal cabe na cabeça e traços muito inconstantes. Só que os inimigos-árvores, os personagens coadjuvantes e os objetos são bem trabalhados no estilo do desenhista e conseguem se tornar bastante agradáveis exatamente por serem mais simplificados e caricatos. E outros elementos que precisam ser mais impactantes visualmente não deixam a desejar.

A comédia do mangá, geralmente relacionada a quebras da quarta parede ou ironias metalinguísticas, é realmente engraçada e pode gerar risadas de verdade. O personagem do passarinho é o mais engraçado, servindo de observador da história. Seus comentários ácidos e sua personalidade sarcástica é um dos atrativos durante a leitura, que nem sempre é tão agradável.

O roteiro acaba sendo problemático por falta de motivações e identificação com os personagens. Pelo modo que o roteiro e os designs são feitos, eles se tornam bonecos sem personalidade que moram em casas que ficam em um lugar no meio de uma floresta, mas que parece lugar nenhum.

Temos o protagonista mudando de ideia drasticamente duas vezes sem nenhuma apresentação das motivações dele para mudar, devemos apenas acreditar que naquele espaço branco entre um quadro e outro ele pensou em algo totalmente diferente e agiu. Os coadjuvantes são igualmente sem motivação e sem alma, aceitando as ordens do tal garoto escolhido sem questionar e nunca hesitam.

Porém, essa é uma obra feita para o seu desfecho. A piada final do mangá é incrível, combina perfeitamente com o resto da história e com o traço que, por ser mais infantil, é essencial para sucesso do final. É uma boa conclusão, que faz sentido em sua comicidade e dá pontos extras para o que veio antes.

Boas piadas metalinguísticas e quebras de expectativas bem feitas, tanto no roteiro quanto na arte, mas com personagens rasos que te tiram um pouco da imersão e complicam a experiência de leitura.

[Re]Fabula – Nameru Hitsuji

A história começa com aquelas famosas páginas de explicação do universo, muito comuns em mangás shonen. Somos apresentados a um gato e um rato que tiveram conflitos durante uma competição proposta por um imperador a mando de Deus para decidir quem seriam os 12 animais do zodíaco. A trama em si trata de uma nova competição onde os dois inimigos acertarão as contas.

Os problemas desse one-shot já começam aqui, em suas páginas de apresentação. O tal clichê expositivo não funciona tão bem, pois a história é confusa e o leitor não precisa se prender aos detalhes dela para seguir a narrativa que se segue. São muitos elementos apresentados rapidamente e que depois nem precisavam ser tão complexos.

O universo como um todo não é bem explicado ou apresentado. Os poderes dos personagens, que lembram muito Naruto, surgem de repente sem aviso prévio e podem acabar difíceis de compreender por isso, como o gato que vira uma ratoeira em poucos quadros. Na primeira leitura, os poderes ficam muito confusos e servem exclusivamente para a batalha, sem ser relevantes para o roteiro em mais nenhum momento.

Roteiro, aliás, que começa com a explicação expositiva dos personagens e confusa do universo, segue com uma interação entre dois personagens, do Rato e do Leão, que serviria apenas para apresentar a personalidade do Rato, mas se mostra desnecessária por termos a personalidade dele explícita em páginas anteriores e posteriores. Depois temos a batalha que é interessante e cheia de estilo, mas por vezes abstrata. E por fim, temos uma última página dispensável para concluir. Ou seja, é um roteiro fino e linear, sem grandes barreiras ou curvas narrativas.

A arte, entretanto, é muito bonita e ajuda muito a criar o visual “cool” da obra. É tudo muito bem desenhado tecnicamente e os quadros são dinâmicos em sua falta de padrão. Infelizmente, os poderes não possuem tanto apelo visual, como a saliva de leptospirose ou a bola de pelo. E as expressões parecem exageradas e inconstantes, fazendo personagens parecerem humanos em um momento e monstruosos em outro. Os momentos difíceis de compreender também pesam contra a obra, dando destaque para a falta de linhas que delimitem o corpo dos ratos em uma certa parte da luta.

Os personagens em si não salvam a história também. O Rato é um ser desprezível e é o único personagem que possui uma personalidade de verdade, sendo o mais interessante da obra, mas ele possui apenas um lado, sem conflitos ou variações. O Gato não possui nenhuma personalidade e o Tubarão fica menos interessante por ser tão destoante do resto dos animais, já que é o único que é representado sempre como um animal e parece não possuir nenhuma inteligência.

Uma história cheia de estilo e ideias, mas que não funcionam tão bem nessas poucas páginas, fazendo parecer que estamos em um capítulo trivial no meio do arco de um mangá shonen qualquer. A cena que definiu minha opinião negativa sobre o mangá é quando o Gato precisa morder seu dedo para jogar sangue na água, sendo que o Rato havia sido espancado e já deveria estar sangrando, e mesmo assim o Tubarão era um amigo que poderia ajudar independente do sangue. A mordida no dedo foi uma cena legal, mas conteúdo coerente deveria ser mais importante que o “cool”.

Entre Monstros e Deuses – Pedro Leonelli e Dharilya

Louvre é um jovem restaurador de templos e pintor que é chamado para trabalhar em um templo em que aconteceu uma tragédia envolvendo uma terra dominada onde uma nova religião é imposta para que os deuses antigos sejam esquecidos. Acompanhamos o protagonista restaurando o templo enquanto conhece pessoas de todos os lados desse conflito religioso.

Tudo na arte dessa obra é incrível, desde os cenários até os designs dos personagens. O desenho cria uma identidade visual muito original e prazerosa de acompanhar. A quadrinização pode parecer confusa em algumas passagens, mas experimenta muito com os formatos diferentes e marcantes, além das onomatopeias que são apresentadas de maneira muito inteligente e harmoniosa com o cenário. Também tem um traço versátil, mostrando elementos em vários estilos distintos, cada um com sua força própria. Entrega tudo que se espera de uma história que trata tanto de arte como tema.

A história em si é muito poética e profunda, tratando de tema realmente relevantes. Os conceitos relacionados a representação divina têm peso, além de serem interessantes de acompanhar. No nosso mundo esse sempre foi um tema forte, o modo como as pessoas interpretam os deuses e como isso dá força à fé de cada religião. O título também é muito bem pensado e passível de interpretação, principalmente quando pensamos em quem seriam os tais “Monstros”.

O roteiro tem um bom ritmo, nos fazendo acreditar que acompanhamos a restauração completa do templo sem ser reto ou fácil demais. Os diálogos são especialmente interessantes, servindo muito bem para tornar os personagens identificáveis e agradáveis de acompanhar. O que eles falam realmente é importante e muda a história.

Personagens estes que são muito sólidos. O Sacerdote é feito, até mesmo no design, para ser um personagem rígido e até hipócrita, sendo mostrado triste pelo desastre no templo, mas ignorando sua humanidade em relação a situação da noviça. Esta é também uma personagem interessante, com um trauma compreensível e ações justificáveis. Já o protagonista possui bons diálogos, é uma pessoa muito agradável de se ler, mas possui um desfecho complicado de aceitar.

A relação de Louvre com a nativa é interessante de se acompanhar, mas é levada a consequências fortes demais para serem engolidas rapidamente. O pintor é mostrado como uma pessoa bondosa, mas sua identificação rápida e avassaladora com a moça é quase inexplicável. Talvez tudo melhorasse se a história já começasse com a relação dos dois levemente estabelecida, mas o desenvolvimento presente na obra não é tão eficiente. É o maior, e talvez único, problema do roteiro, dando a impressão que faltou espaço nas páginas para desenvolver aquele final que é, mesmo com a incoerência, belíssimo.

Starmind – Toppera-TPR e Ryot

A última história da revista apresenta um garoto que sente-se mal por não ser inteligente. Ao pedir para uma estrela cadente para ficar inteligente, tudo muda e ele se torna o super herói da sabedoria, podendo deixar pessoas mais inteligentes usando seus punhos. Em sua breve jornada para disseminar a sabedoria acaba encontrando um rival a altura, aquele que defende a ignorância como benção.

Logo nas primeiras páginas podemos notar a qualidade da arte dessa obra. Os traços grossos cheios de impacto, com um estilo bastante original e que se distancia do estilo mais comum dos mangás, tudo chama bastante atenção. Conforme a história se desenvolve, vemos um ótimo uso de quadrinização, com muitas piadas visuais e uma versatilidade impressionante. O autor vai do estilo cartunesco até um realismo de encher os olhos em poucos quadros, além de referências a videogame e tiras de jornal na composição das cenas. Os designs dos personagens são especialmente criativos e agradáveis, além da inventiva página dupla, com a estrela compondo os quadros.

Alguns momentos não são tão bons, como a cena de apresentação do vilão, onde há todo o foco da página no fato do mendigo ser sujo e não na ignorância que seria sua característica mais importante. A cena onde o título é apresentada é muito bonita, com um logotipo muito bem trabalhado, mas acaba sendo uma repetição de uma cena anterior com um traço mais detalhado, soando como uma simples vaidade do desenhista em mostrar sua versatilidade invejável.

Se tratando de uma comédia, o roteiro em si não é complexo, mas nunca deixa de ser coerente ou se torna chato. Pelo contrário, as coisas mudam na narrativa e a conclusão é o ápice das risadas. O que realmente recheia a leitura são as piadas e as referências, que vão de filósofos a games. É possível rir do começo ao fim ou, no mínimo, sentir-se feliz pelas situações divertidas.

E mesmo que as piadas pontuais sejam muito boas, há alguma profundidade na leveza cômica da história. A batalha aqui é entre um defensor da ignorância contra o herói da inteligência. A maioria das referências a filosofia são simples e rápidas, mas isso é algo muito discutível. É comum vermos pessoas falando sobre sua própria inteligência ou negligenciando ela e a obra trata isso sem soar pedante em momento algum. Me parece uma apresentação perfeita de filosofia para crianças e, ao mesmo tempo, uma experiência muito divertida para adultos.

Com sutileza nos temas, diversão no ritmo, primor nas piadas e uma arte versátil e prazerosa de se ver, Starmind merece ser chamada de a melhor obra da revista.

Considerações

A experiência de ler essa antologia é muito diferente do comum. No fim de cada história temos os textos dos jurados, que me parecem inconvenientes e dispensáveis, já que podem induzir a opinião dos leitores. Logo após temos os comentários dos autores, que poderiam cair no mesmo mal, caso fossem algum tipo de defesa, mas acabam por gerar uma empatia por não abordar exclusivamente a qualidade da obra, servindo mais para nos fazer entender que quem escreve aquilo são pessoas como nós, que moram no mesmo país, vivem basicamente na mesma cultura. Mesmo que o mundo seja globalizado, sabemos que a pátria ainda é muito forte na criação das pessoas e é ótimo entender o contexto dos artistas.

Os japoneses que compram a Shonen Jump toda semana devem estar acostumados com isso, mas para nós essa experiência se torna muito mais potente por ser nova. É uma sensação que adoraria ter novamente nos próximos volumes do Henshin Mangá e talvez cada vez em mais projetos que apoiem a produção de conteúdo nacional de qualidade. A tendência é que os autores evoluam e as obras se tornem cada vez melhores, assim como o grande público aprenda a apreciar cada vez mais esse estilo de mangás brasileiros.

Avaliação Final

10 Respostas para “1Volume – Henshin Mangá 2014

  1. muito bom o artigo!
    ainda não comprei o Henshin Mangá por falta de oportunidade, mas pretendo comprar porque acho que é minha forma de contribuir para que tenhamos cada vez mais incentivos aos autores nacionais!

    me deu muita vontade de ler Entre Monstros e Deuses, e gostei do fato de existirem bastante parte cômicas em cada mangá, algo que muitas vezes não conseguimos extrair das obras japonesas.

  2. Pois é achei genial a idéia do Starmind, mas achei o Entre monstros e Deuses melhor já q faz bem mais meu estilo, cara não sei vc mais achei bem confuso (em quesito de arte) o começo de [re] Fabula.

  3. ainda não chegou aqui em araraquara,mas quando eu tiver a oportunidade de ler comento aqui

  4. “No fim de cada história temos os textos dos jurados, que me parecem inconvenientes e dispensáveis, já que podem induzir a opinião dos leitores.” – Se vêm ao final de cada historinha, não vejo problema (é tipo o seu review).

    • O problema é que essas análises estão dentro da obra, é como os créditos de um filme. A pessoa ainda está pensando sobre a obra e já recebe uma opinião, no momento onde a sua própria visão ainda está muito maleável. O julgamento é importante para o autor, mas o leitor pode fazer isso sozinho e, caso queira uma segunda opinião, iria atrás. Mas deixar isso entre uma história e outra me parece uma má ideia por danificar o momento de descompressão de alguns leitores.

      • Em se tratando de uma obra resultante de um concurso, nada mais normal que a presença dessas análises – lembrando que a Henshin não é a primeira antologia brasileira a fazer isso. Se deve ou não ler essas opiniões antes de ter gerado a própria é decisão do leitor (perceba que um dos comentários acima é de alguém que ainda não comprou a revista, ou seja, não é questão de localização).

        • Estando dentro da obra, fazendo parte dela, entende-se que foi pensado para que as pessoas lessem. Há uma certa indução por fazer parte do conteúdo. É como um livro vir com a crítica anexada ao final, ou um filme ter um crítico comentando nos créditos. Mesmo que a pessoa queira ler uma análise antes de ler a obra, ela não é induzida a isso e faz por conta própria. Além de ainda estar fechada para a obra, portanto não há como moldar sua opinião inexistente. Colocar isso dentro da antologia induz o leitor a ler quando já leu a obra, portanto está formando sua opinião, mas ainda está pensando a respeito.

          Talvez colocar todas as análises no fim, naquelas últimas páginas, ajudasse, já que não estaria entre uma obra e outra junto com o conteúdo artístico. E mais, não falo apenas do formato, mas de alguns comentários específicos que são desnecessários também.

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