Mangá² #90 – Linguagem e Experimentação

Sejam bem-vindos ao episódio digimon do Mangá², o podcast semanal que não tem linguagem e nem é uma experimentação.


Neste programa, Judeu Ateu e Estranho conversam sobre um tema recorrente dos outros podcasts, a linguagem dos quadrinhos. E também o que significa experimentação no mundo dos mangás. (Essa descrição é uma experimentação)

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Cronologia do episódio
(00:28) Discussão Semanal – Linguagem e Experimentação
(36:25) Leitura de Emails
(53:00) Recomendação da Semana – Takemitsu Zamurai

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26 Respostas para “Mangá² #90 – Linguagem e Experimentação

  1. Uma experimentação simples mas que achei muito legal foi em One-punch Man, uma que mesmo em universo “quadrinhos” não poderia ser utilizada por seu custo, mas por ser uma HQ digital isso torna-se possível. São as cenas de ação “quadro-a-quadro”, o que não é uma técnica inventada por eles, mas elevaram isso ao extremo. Tem um capítulo que gasta, se não me engano 30 páginas só com uma cena de luta que levaria 4 quadros em situações normais.

  2. tambem prefiro o anime de digimon ao de pokemon
    gosto de experimentaçoes ,uma que acho bacana (não me lembro o nome do mangá agora)é um mangá em que a propia autora é um personagem e interage com os outros personagens ,e rola umas piadinhas do tipo “você não é aquela famosa mangaka ?” “não sou apenas uma pessoa muito parecida”

  3. Pow, eu sou apaixonada por Arvore da Vida. Viva Darren Aronofsky! Mas não acho que aquele filme qualquer coisa de experimentação nele. Tem um exercício imaginativo criativo, mas são basicamente efeitos especiais, então não vejo muita diferença com muita dos mesmos efeitos usados no cinema comercial (parece que este filme foi concebido como blockbuster mas foi um fracasso retumbante de bilheteria. Também, né?). Acho que aquele que se enquadra como experimental é P.I (primeiro filme dele com recursos escassos) por causa da linguagem utilizada para contar uma história de suspense. Ele lembra Primir, que é ainda mais experimental e muito difícil de acompanhar. Não consigo colocar isso em palavras, mas são filmes com uma linguagem que não é própria do cinema, eles nadam contra o senso comum e ignoram processos básicos de direção. É como se tivessem tentar transpor livros para o cinema sem migrar de plataforma.

    ps.: Primer é genial, mas é chatão. P.I é fantástico e ritmicamente pesado, mas incorpora mais técnicas cinematográficas, de modo que como entretenimento funciona melhor que o anterior.

    • (Caraca, resgatei do spam! Que que você andou fazendo pro WordPress te achar spammer, Beta?!)
      Acho que você confundiu Árvore da Vida com Fonte da Vida, que é o único do Aronofsky que não vi ainda. Adoro PI e consigo enxergar o que citou, embora faça bastante tempo desde que assisti. Lembro de ter achado diferentão e adorado na época, preciso rever pra opinar.

  4. Além do Shotaro, acho que faltou o Go Nagai, um dos pilares do mangá moderno, mesmo na época, já se experimentava nos níveis de violência mostrada, além de ser bem experimental no tema, chegando até ser um tabu. E sem ser do movimento dos gekigas, para deixar claro.

    Eu não gosto de quadrinização de mangás, geralmente não tem muita experimentação, vejo nos comics, uma experimentação muito maior e que as vezes deixa a história muito mais legal que apenas quadros com ângulos retos e tal..

    Irei postar algumas páginas de comics e mangás que acho interessante.

    Essas cinco de Marvel Knights v2: Spider-man(passar com mouse, pode abrir um link)

    Sobre o esquema de cores de Azul é a cor mais quente, também tem um exemplo com Bedlam, só que no caso é vermelho.

    Movimentação em uma página dupla e perfil com as luzes, numa hq do Before Watchmen.

    Numa hq do Batman, acho que vocês até comentaram por aí.

    The Bus. tirinhas geniais sobre ônibus, um exemplo aqui:

    The Superior foes of Spider-man tem esse perfil, que me lembra bastante jogos de plataforma 2d.

    Agora de mangás achei dificil isso, só achei essas páginas de exemplo de Ultra Heaven, que é de um autor bem experimentação.

    • Acho que é metade metade, porque enquanto os mangás não costumam ir tão longe nas brincadeiras com a quadrinização, a disposição dos quadros de mangás “convencionais” costuma ser muito mais interessante que a dos comics convencionais. É que é uma prática tão comum nos mangás que não consideramos nada de muito especial, mas vira e mexe há bastante brincadeiras com quadros, principalmente nos shoujos (quem diria?!).

      Ademais, bons exemplos citados, conferirei alguns quando possível!

  5. Olá Quadrados, Quadres,Quadradeiros, [], sei lá;
    Olha só citaram Ishinomori – que ainda carece de uma recomendação aqui – e Scott MaCloud.

    Uma coisa interessante sobre as sarjetas é como os japonese a usam para marcar tempo entre quadros, sarjetas grandes geralmente demonstram ruptura de tempo, ou espaço, ou pensamento, muito grandes.

    Por experimentalismo, sempre entende como brincar/ testar a linguagem de modo como ela não tinha sido usada antes. Afinal quando experimentamos algo não estamos a testar, fazer coisas de um modo diferente do nosso usual?

    E sim, as bandas de bater panela e recitar poema são experimentais, ser bom, já é outra coisa.

    Sobre o quadrinho de Azul é a Cor mais quente, não li, mas este jogo de usar cores pontuais, Frank Miller já o fazia em Sin City, autor este que possui clássicos como Batman O Cavaleiro das Trevas, e que foi um dos responsáveis por trazer Lobo Solitário pra cá causando uma revolução na linguagem dos comics americanos, algo notável em Ronin do Miller (que recomendo, só não gravo áudio por falta de equipamento). Nota: as capas das edições americana e nacional de Lobo Solitário é do Frank Miller.

    Por fim, futuramente façam mais uma edição deste programa pois vale a pena.

  6. Um mangá que acompanho que experimenta às vezes é Are You Alice?
    Como o mangá se passa num mundo meio surreal e com os toques literários vejo a autora brincando bastante com isso, principalmente alterando o estilo de arte.
    Tem vezes que ela imita o estilo de ilustrações originais do livro e faz páginas só com hachuras

    Tem umas vezes que o texto não fica exatamente em quadros, mas sim num formato que parece uma página de um livro

    Essa página recente também teve um efeito interessante apesar de eu não ter percebido de cara, a autora fez a floresta aparecer no cenário como uma mancha

    Nessa aqui além da borda com padrão, teve o efeito dos quadros se partindo
    http://m.mhcdn.net/store/manga/6232/06-026.0/compressed/m001.jpg?v=11340007842
    O lance de olhar para o leitor (câmera) que também não é tão comum

    Tem essa página que acho que se explica sozinha

    Teve essa em que os personagens entram num livro e o cenário fica simplificado
    http://2.bp.blogspot.com/-BP9u3LdUZrE/TmmmOrW6lhI/AAAAAAAAC00/DjncC1Uhi54/003.jpg?imgmax=3000
    E essa que protagonista desenha a introdução do volume
    http://2.bp.blogspot.com/-UU_30LCBEYI/TmmmCBmZpCI/AAAAAAAACzA/CidTFEwwvvo/000.jpg?imgmax=3000
    Enfim, são vários. Eu me lembro de muita experimentação em shoujo clássico também.

    • Eu tinha dado uma olhada por cima nas imagens desse mangá quando você indicou pra gente naquela lista de possíveis Enquadrados, e tinha gostado do que vi. Só não usamos ele por causa do tamanho e o fato de ainda estar em publicação. Mas é um que foi pra minha Wish List na época.

    • “Eu me lembro de muita experimentação em shoujo clássico também.” — Verdade. Por ser de uma década fértil e uma área que ama conflitos internos, o shoujo setentista investiu numa plasticidade um bocado inventiva. Swan, da Kyoko Ariyoshi, usa e abusa dos espaços: http://imgur.com/xQH42Ah /// Zankoku na Kami ga Shihai Suru foi feito vinte anos depois, no entanto, é fruto de uma autora (Hagio Moto) que soube manter o espírito daquele tempo: http://imgur.com/eqiOVzq

  7. ¹ Assim como o Thiago Machado, encaro o experimentalismo como um teste de possibilidades que desafia o convencional (o que não significa, necessariamente, arte ilegível e abstrata). Nesse sentido, as metáforas visuais de Shokugeki no Soma e Toriko passam longe de modelos extraordinários e radicais. Não forçam forma e conteúdo a um novo patamar, mas sem dúvida agem como soluções criativas, utilizando os elementos atraentes ao público-alvo a fim de atribuir uma identidade à trama e fazê-la caminhar de maneira mais expressiva e menos clichê. E isso é o mínimo para uma boa leitura: autores que, apesar dos entraves do mainstream, saibam extrair o potencial da história que querem contar, com texto e imagens se completando através da narrativa – o Komi Naoshi em Island, por exemplo, não soube. (Me lembrei agora de uma entrevista com o Togashi; quando questionado se os editores interferiam muito em Yu Yu Hakusho, ele respondeu que não, embora recusassem todas as suas propostas experimentais – por não saber mais como prosseguir com a série, a única alternativa seria desconstruí-la, e nem ferrando que a Jump permitiria, então a ideia acabou levada para um fanzine.)

    ² Toda a descompressão que os quadrinhos japas possuem, obtida com a manipulação de ritmo e fluxo – enquanto produções ocidentais são mais ilustrativas e densas –, é sustentada por uma escada de inovações técnicas. Portanto, o Gekigá foi basicamente uma evolução da linguagem do mangá. A cinemática que este sedimentou, aquele lapidou, sofisticou. A temática mais “crua” pedia uma estrutura nova, menos conservadora. Desse modo, a diagramação foi reorganizada, com seus enquadramentos e transições de valor atmosférico (aí entra o chamado “aspecto-para-aspecto”, que o Scott McCloud difundiu), o estilo de desenho se distanciou do padrão disneyficado e…

    … bem, o resto geral conhece: o manifesto de Tatsumi abriu as portas para caras como Sanpei Shirato, que impulsionou a criação da Garo – antologia adepta do espírito freewheeling e uma das “mães” do seinen – que incentivou o nascimento da COM, e esta publicou, em 1967, a magnum opus FANTASY WORLD JUN, do saudoso Ishinomori – é o tipo de mangá que cativa por não se deixar domesticar; fiquei tão apaixonado que até fiz um textinho na época (que, COINCIDENTEMENTE, contém uma citação ao – odiado pelo Estranho, mas admirado por mim – A Árvore da Vida (!!), entre outras obras que também se encaixam no assunto do podcast).

    >>>> Tá aqui, caso alguém tenha paciência pra ler :): http://i.imgur.com/04t2ZbL.jpg

    ³ Outras dicas de quadrinhos que fazem de suas páginas um playground: Asterios Polyp, Jimmy Corrigan, Household, Elektra: Assassina, O Espinafre de Yukiko & Garotas de Tóquio, Cages, Red Colored Elegy e o excelente (e brasileiríssimo) Terapia.

    • Sobre ¹, entendo essa postura e acho inclusive que ela deve ser a mais popular por aí. Os exemplos que citei no podcast são de fato pouco inovadores e distantes do convencional, mas ainda assim considero um tipo de “mini-experimentação”, pois utilizam das possibilidades da linguagem para fazer mais do que um um filme em papel. São longe de serem geniais, mas são bons utilizadores dos quadrinhos.

      ² Eu falo de gekigá, mas tenho dúvidas se li obras que são genuinamente gekigás. Tem alguns que considera importantes historicamente e, se possível, ainda bons nos dias de hoje para indicar?
      Jun é um que tá na minha wish list desde que os scans terminaram (e uma olhada no MangaUpdates diz que está lá faz quase um ano, nossa), bacana saber que possui experimentações interessantes (embora me preocupe ter relacionado a dois filmes que não gostei tanto: o citado Árvore da Vida e 8 1/2; espero que meu problema seja especificamente com essa abordagem na mídia audio-visual).
      E você devia escrever/blogar mais, Equinócio. Encare isso como um elogio, um incentivo, e possivelmente um convite (só jogando aqui).

      • ² Talvez seja por causa dessa mudança constante que o termo caiu em desuso, afinal, experimentos bem sucedidos sempre acabam absorvidos e transformados. Se a primeira geração, a dos gekigás “legítimos”, ainda estava nas sombras (trocadilho descarado com o nome da antologia Kage que os publicava), a segunda encontrou nas revistas alternativas da contracultura seu laboratório ideal e a partir daí todos passaram a tirar uma casquinha – deliberadamente ou para não perder a popularidade. Infelizmente, por serem trabalhos muito antigos, em ambos os casos só encontro raws ou traduções incompletas (vide Kamui-den) – Black Blizzard, feito pelo Tatsumi nos anos 50, foi lançado há alguns anos pela D&Q; mesmo não se distanciando muito do que era feito nos quadrinhos infantis, já possuía algumas diferenças que sugeriam um novo passo para os mangás, e não apenas pelas texturas, como também por explorar o silêncio, ângulos, planos e novas técnicas de montagem cinematográfica que realçavam dramaticidade e suspense. http://www.drawnandquarterly.com/imagesPreview/a4b54925a8b644.pdf

        Opa, valeu. Usei a palavra “texto”, porém, a quem eu quero enganar? Mais parecem comentários estendidos de tão descuidados.

  8. Uma experimentação em mangás que vem a minha mente é o capítulo 87 de Soul Eater,no qual o autor faz praticamente um capítulo inteiro só com “palitinhos” e borrões de tinta para expressar a insanidade do personagem.
    Segue aí algumas imagens:

    E no capítulo 339 de Hunter x Hunter no qual o Togashi faz um capítulo inteiro em pantomima ou “mudo”,que é uma experimentação pouco usada nos mangás,com exceção de Gon que é todo nesse estilo,o mesmo vale para o capítulo 299 de Fairy Tail.
    Hunter x Hunter 339:
    http://www.mangareader.net/hunter-x-hunter/339

    Fairy Tail 299 :
    http://mangafox.me/manga/fairy_tail/v35/c299/1.html

  9. Acho q nunca cheguei a ler uma obra assim, experimental, além de Punpun (li ontem o volume 12…. sobre o cara q mandou o e-mail falando de Punpun, pra mim, a obra segue um bom ritmo durante td a estória, mas quando chega no volume 11,bixo, deu medo, sei lá, nunca pensei q veria algo do tipo num mangá, Punpun me surpreendeu de diversas formas) e tem outra, mas essa não cheguei a ver, chamada Interstella 5555, se não me engano, os personagens não tem falas, todo o áudio do filme são músicas do Daft Punk.

    Quando eu era pequeno, curtia mais digimon do q de pokemon pq eles voltavam ao estado anterior e eu não gostava do charmeleon (largato feio do caramba kkkkk’), charmander era muito mais supimpa kkkkk’ mas hj prefiro pokemon (o jogo, o anime de ambos é um lixo).

    Putz, curti as músicas deste cast, quais eram?

  10. Galera, galera, avisem no facebook.
    Eu perdi três podcasts porque não sabia que já tinham sido lançados. =/

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