Verão de 2013: Gin no Saji

Como já é de praxe, no início de cada temporada de animes do Japão, eu faço um post sobre algum mangá que ganhará anime nesta temporada em questão. Esse post aproveita a atenção maior que a série está recebendo e tem por objetivo apresentar a mídia impressa original pra quem tiver interesse ou gostar da versão animada da obra.

Nesta temporada atual, a de Verão de 2013 (equivalente ao inverno nosso), infelizmente só haverá uma série na qual realizarei postagem. Felizmente, não é qualquer série, pois é nada menos que o mais novo sucesso da autora de Fullmetal Alchemist. Estou falando da autora Hiromu Arakawa e mangá mais recente, o já premiado Gin no Saji (ou Colher de Prata).


(Clique nas imagens se quiser ampliá-las)

Inicialmente, é válido ressaltar que a autora nasceu e foi criada em Hokkaido, a província-ilha que fica mais ao norte no Japão. Embora já nutrisse desejos de se tornar uma mangaká desde jovem, Arakawa trabalhou grande parte de sua infância e adolescência na fazenda de seus pais. Anos depois, abandonaria o campo pra tentar o sucesso artístico na cidade grande, onde eventualmente acabou atingindo-o com a aclamada (e quase universalmente aceita como boa) série Fullmetal Alchemist, publicado mensalmente na Shonen Gangan, já concluída tanto no Japão quanto no Brasil, pela editora JBC.

Com todas as suas obras anteriores voltando-se especificamente para a fantasia, neste trabalho recente Arakawa fez um movimento que por muitos foi considerado arriscado: sair de seu lugar-comum e se aventurar em algo não-fantasioso. Em Gin no Saji, publicado na Shonen Sunday semanal, Arakawa pode retornar espiritualmente a sua terra natal e reviver e compartilhar conosco muitos de seus conhecimentos sobre a rotina e a vida no campo. No mangá, acompanhamos Yugo Hachiken fazendo o caminho inverso de Arakawa, abandonando a maior cidade de Hokkaido, Sapporo, para estudar no Colégio Agricultural Yezo, uma escola de interior onde a vivência do campo e suas tarefas diárias estão integradas nas tarefas escolares obrigatórias. Em seu vasto território, o colégio possui vacas, porcos, plantações, cavalos, instalações pra processamento de carne, queijo… e tudo isso mantido com o auxílio braçal dos alunos, que moram no colégio durante o período estudantil e trabalham em várias tarefas como parte de suas atividades extra-curriculares.

Em primeiro momento, Hachiken alega ter escolhido essa escola por ter nela uma chance maior de se destacar como bom aluno, já que a média geral da escola era menor do que de outras escolas mais famosas. Porém ele não possui qualquer conhecimento ou experiência sobre as atividades de uma fazenda, e precisará aprender do zero (junto conosco, leitores) tudo sobre esse mundo novo.

O conceito de um mangá sobre “ensino agrícola” não é novo e tampouco a primeira obra de sucesso sobre o tema; Moyashimon já usava esse conceito antes (que particularmente ainda não tive a oportunidade de ler), tendo um sucesso relativamente grande. Porém, além do competente ensino de todos os processos de uma fazenda, o que a Arakawa mais brilha em nos trazer, e o que mais colabora para o sucesso do mangá, é um elenco enorme, diversificado e interessante de personagens que brilham ao longo da obra. São dezenas de alunos, professores, familiares e funcionários que sustentam a história e dão suporte para o desenvolvimento de Hachiken e seus colegas, todos possuindo histórias bem trabalhadas (na medida de sua relevância pro enredo), com suas próprias características marcantes. Com tamanha evolução e grande background, Gin no Saji é, acima de tudo, um mangá de slice of life sobre crescimento de personagens.

Na verdade, estou sendo bonzinho. Me refiro a “personagens”, no plural, mas embora possua o já citado elenco diversificado e, acima de tudo, bastante divertido e compatível com o enredo, os que de fato são foco de qualquer evolução acaba sendo alguns poucos; o principal deles é obviamente o protagonista, Hachiken. Porém não é por terem poucos personagens como foco evolutivo que o mangá falha, muito pelo contrário: essa escolha engrandece, e muito, a relevância do protagonista. Ao longo da obra, descobrimos as reais motivações para a ida de Hachiken para um colégio afastado, sua relação com sua família, como sua incapacidade de recusar ajuda irá influenciar no seu relacionamento com os colegas de escola, e, o mais interessante para mim, como ele lidará com os reveses da vida do campo, desde a morte de animai até os problemas financeiros tão comuns nesse mundo.

A história é contada em estações; cada conjunto de capítulos é intitulado “Outono 1” ou “Primavera 5”, demarcando com clareza a passagem de tempo. E nesse período que o mangá atravessou até aqui, pouco menor que um ano, não só conhecemos muito mais profundamente a personalidade de Hachiken como também vemos sua evolução natural. E não só: como citado, alguns outros personagens tem evolução e arcos dramáticos de extrema relevância e, por que não?, sensibilidade, como toda a relação familiar de Aki e seus problemas pessoais, ou todo o processo que envolve o jogador de baseball Komaba. Em todos esses casos, Arakawa nos entrega histórias de extrema importância para o enredo, e nos mostra os impactos imediatos e a longo prazo de cada escolha que é feita pelos personagens.

Gin no Saji é de fato um slice of life, mas diferentemente de outras obras do gênero que apostam pouco no desenvolvimento a curto prazo, é perceptível como cada pequeno detalhe, cada micro-acontecimento, encontro ou conversa, faz com que o enredo do mangá avance um pouco. Passo a passo, estamos conhecendo um mundo novo e ficando mais e mais envolvidos com a história e com os hábitos dos personagens.

Além de tudo isso, a autora consegue manter uma história nesse nível sem jamais deixar de lado um humor bem encaixado e bastante recorrente ao longo da obra, tornando Gin no Saji, na maior parte do tempo, uma leitura alegre, divertiva e descontraída. E educativa, também, já que toda a explicação dos processos do colégio são didáticos ao mesmo tempo que são interessantes. Graças a algumas explicações da autora, respeitarei eternamente todas as pessoas que produzem queijo.

Gin no Saji felizmente está aí para nos mostrar que Arakawa não era uma “one-hit-wonder“, uma autora de um sucesso só. O mangá ainda é muito jovem e já tem nas suas costas um prêmio Manga Taisho (prêmio oferecido por lojista) e um prêmio Shogakukan (fornecido pela editora) na categoria Shonen. Tamanho sucesso fez com que, nesta temporada, tenhamos um anime vindo aí pelo estúdio A-1 Pictures, que foi responsável no passado por, entre outras coisas, Blue Exorcist, Uchuu Kyoudai, Magi e Sword art Online. Dado o histórico do estúdio e a qualidade narrativa de Arakawa, não tenho dúvida alguma que Gin no Saji será um sucesso ainda maior do que já é. Sucesso, na minha opinião, totalmente merecido.

Uma resposta para “Verão de 2013: Gin no Saji

  1. arakawa é muito foda mesmo , e tinha muita gnte que duvidava desse mangá só pelo fato de ser diferente de fullmetal alchest , mas tai a prova o mangá é muito bom mesmo e espero muito do anime

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