1Volume: SWWEEET #02


Volume 02 (de 02), por Kei Aoyama.


Pois é, me decepcionei. Mas calma, vamos chegar lá.

Após as revelações do final do primeiro volume, este volume final traz os dois protagonistas (e alguns coadjuvantes) em uma busca em entender o que aconteceu com Tsutomu e quais eventos que levaram a este acontecimento.

Afagando antes de estapear, acredito que (embora tão óbvia quanto a reviravolta do volume anterior) todo o tratamento dado pelo autor a tudo o que diz respeito aos gêmeos é bastante competente. As novas reviravoltas, o tratamento dado a cada uma das personalidades e suas implicações no enredo, todo o desenrolar dos fatos relativos a esse ponto em específico é bem trabalhado e justificável dentro da obra. E lembram-se do possível problema dos lapsos de tempo entre os capítulos do volume 1? Pois é, tudo parece indicar uma intenção do autor em realizar dessa forma; o que não significa que seja o melhor pra obra, mas ao menos é justificado através da mente instável dos personagens principais. Aliás, personagens estes que revelaram-se não tão complexos quanto poderiam ser, afinal; parecem inclusive simples demais, como crianças devem ser. Portanto, essa característica em específico pode ser perdoável, uma vez que eles são (dã) de fato crianças.

Além disso, o final do mangá em si; sua conclusão e, especialmente, suas últimas páginas são carregadas de significados para serem interpretados, o que é algo bem incomum na obra até esse momento, pelo que eu parabenizo o autor. O problema é o que vem imediatamente antes deste final.

A começar que todos os problemas citados no volume anterior permanecem neste volume final, o que por si só já seria motivo de decepção. Porém o que agrava tudo é a resolução que o autor deu para o mistério que buscava ser resolvido. O que vemos é um show de reviravoltas que não possuem nenhuma previsibilidade dentro da obra (o que ou denota uma incompetência do autor na inserção prévia desses elementos, ou uma ausência de planejamento; ou minha falta de competência de percebê-los, claro), tendo informações jogadas pelos personagens e escavados de sua memória de forma, senão irreal, bastante forçada. Embora exista de fato embasamento científico para uma pessoa simplesmente esquecer ou reescrever acontecimentos traumáticos de sua memória, para lembrá-los subitamente ao longo da vida, acho conveniente demais que essas memórias perdidas surjam gradativamente conforme seja necessário para o enredo e para os providenciais cliffhangers entre um capítulo e outro (provavelmente mirando na publicação em revista).

Como se isso não fosse o suficiente, a gente tem a participação do irmão mais velho de uma coadjuvante, que alegava ter descoberto os mistérios do passado dos personagens principais, o que parecia nos direcionar melhor para a resolução de tudo; a grande questão é: se todos os envolvidos no evento não se lembravam do ocorrido, como ele obteve a informação que alegava (e demonstrou em certas partes) ter? Jamais é explicado, jamais é justificado. Há até a possibilidade de se formar teorias disso (teria ele encontrado Tsutomu no passado?), mas com um pouco de questionamento, vamos que há dúvidas demais e pistas de menos. Aliás, ainda no âmbito deste personagem, a existência de sua namorada é interessante (em partes) para o enredo, mas seu discurso para Susumu no meio do volume destoa tanto da narrativa da obra que estou até agora tentando buscar uma interpretação mais complexo dessa fala, porém tudo me soa tão superficial e tão óbvio que é difícil não ficar muito decepcionado.

Eu sei que todo este texto vai soar como se eu desgostasse imensamente da obra, mas não foi isso que ocorreu. Eu gostei dela, juro. Mas me decepcionei por todos os indicativos parecerem me levar a uma obra complexa (a recomendação original, a revista pelo qual saiu, o scanlator americano que a fez) e eu encontrar um mangá simplório. Repito: ele não é ruim; inclusive acho que é altamente recomendável para pessoas que querem começar a entrar nesse estilo de obra mais simbólica e interpretativa, justamente por sua simplicidade; a questão é que isso a deixa muito aquém do que poderia ter sido, ou ao menos muito aquém do que eu queria que ela fosse.

Avaliação Final

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