Mangá² #35 – Pacing

Sejam novamente bem vindo ao episódio Dragão Coral do Mangá², o podcast que não segue qualquer lógica de pacing.

Nesta semana, tentamos ser um pouco mais técnicos e analisar o funcionamento do pacing. O que é o pacing, como ele deveria (idealmente) funcionar, quais são bons exemplos e mais. Vamos tentar analisar o trabalho que qualquer autor tem na sua preocupação com a manipulação do tempo.

E esta semana temos Recomendação do Ouvinte, que trouxe uma paradoxal obra underground da Shonen Jump.

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Links Comentados

Extra Credits – Pacing

Cronologia do episódio

(00:22) Discussão Semanal – Pacing

(23:52) Leitura de Emails

(40:17) Recomendação do Ouvinte – Majin Tantei Nougami Neuro, por Felipe “Divaio” Amaral

Download (CLIQUE COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E ESCOLHA A OPÇÃO “SALVAR DESTINO COMO…” OU “SALVAR LINK COMO…”)

24 Respostas para “Mangá² #35 – Pacing

  1. Realmente o pacing de mangá é muito diferente de uma comic, pra tu ler 100 pgs de um comic e 100 pags de mangá, os acontecimentos tem uma velocidade totalmente diferente.
    É muito mais cansativo ler 400 pags de comics do que ler 400 de mangá.

  2. Dois exemplos de mangás com bom pacing é Prince of Tennis e Eyeshield21. Ambas as obras tinham terminado quando li então não percebi tantas “travações”, o que foi o que aconteceu na continuação do Prince of Tennis, que sai agora mensalmente, pois 1 mês para avançar poucos minutos num jogo é muito tempo e algumas vezes chega a quebrar a tensão.

    Olha só, puxando uma coisa nos e-mails ligando ao pacing, os artistas criam, ou criavam, albuns pensando no pacing do ouvinte, como comentando sobre os Beatles, a ordem das músicas tinha um propósito. Talvez, meio que sem querer querendo, deram um exemplo de pacing em outra mídia.

  3. parece que alguem ai curte link park
    eu devo ser o unico que simplesmente baixa o arquivo de audio sem ,nem se quer dar uma olhada no conteudo do podcast,então pra min é tudo surpresa
    neuro por conhecidencia tem um scan que começou a traduzir o mangá

    • Nem é tão coincidência assim. Todos eles se conhecem, então em uma conversa vai,conversa vem, uma hr ou outra traduziriam …

  4. Muito bom o tema, até porque eu particularmente não conhecia o termo.
    Mas será que realmente o autor se da o trabalho de pensar como o ritmo da obra vai ficar no semanal ou no volume? Tenho minhas dúvidas, talvez eles pensem na história como um todo, logo mais voltado para o volume e só adapta o gancho para o próximo capitulo, ou então em casa de precisar mudar por causa dos toc’s e utiliza cliffhanger’s pontuais.Claro não generalizando, deve ter autores que pensem a obra em todas suas camadas.

    Sobre Watchmen, vale a curiosidade de que se o quadro do capitulo começa com o Coruja o capitulo vai acabar com Coruja, se ele começar de tal diâmetro, vai ter o mesmo diâmetro na última página, não necessariamente na última, só um exemplo mesmo.

    Entendi e realmente vi como isso funciona, tive um exemplo nos videogames, pois ontem jogando Assassin’s Creed 3, acabei sendo pego por eventos que me surpreenderam de certa forma e hoje ouvindo o podcast, realmente posso falar o autor me “usou”, o que realmente é bom, afinal te leva por um caminho que você não esperava.

  5. Realmente, um pacing de um mangá é muito diferente de um comic, pra ler 400 pags de mangá vai numa velocidade e muitas vezes numa intensidade muito menor do que ler 400 pags de um comic.

    • Concordo, contudo até mesmo dentro de uma midia, seja de um genero para o outro, tipo terror e romance, ou até mesmo do tipo de cena, momento de revelação e batalha, o autor te força a certos ritmos de leitura.

  6. Podemos ver o pacing pagina por pagina, capitulo por capitulo, volume por volume e como a obra completa. Ao meu ver obras silenciosas tendem a ter um melhor pacing geral, por não precisar ficar parando como balões de fala. YKK, Blame, Gon e por ai vai.

  7. Excelente cast!

    Não sei se eu vou falar bobagem, mas um ponto interessante do pacing dos mangás são os cliffhangers. O autor além de ter que pensar na narrativa em diferentes tipos de apresentações, ele também tem que administrar as mudanças de roteiro,como prender o leitor até a próxima semana e etc.

    Um cliffhanger que funciona em um mangá semanal talvez perca o sentido em um volume. E o exagero desse recurso fatalmente tornará a leitura entediante. O mangá pode passar aquela sensação de que: “Putz todo capítulo acaba da mesma maneira, sempre tem uma revelação bombástica que não serve para nada.”(Hungry Joker – Deve ser complicado ler os volumes deste mangá).

    Saindo um pouco da discussão, vocês falaram de páginas duplas, sobre que elas podem tanto atrasar quanto adiantar a leitura. Um exemplo interessante ocorreu comigo em Slam Dunk.
    Tem uma cena que o Hanamichi vai pegar um rebote, mas o Inoue muda totalmente o ângulo de visão e ficou parecendo que uma câmera estava filmando a cena de cima para baixo. Não sei se eu fui claro, mas parecia que o Hanamichi ia sair do mangá.
    Nesta hora, eu queria prestar atenção nos detalhes do quadro, mas não queria perder a sequência da jogada. Acabou que eu li o capítulo rapidamente, para depois voltar ao quadro e olhar os detalhes com calma.

    Vocês já pensaram em fazer um cast no estilo do “Montando um Rôbo” do MRG? Acho que ia ser interessante ter um cast com vocês criando um shounen.

    PS – Seguindo a deixa sobre artistas e pacing, o Green Day entrou em uma linha de óperas rock bastante interessantes, principalmente no American Idiot. A maneira com que o cd conta o enredo através das músicas é muito bem feita.

  8. Não conhecia ainda este termo, pacing.
    Duvida, o termo pacing poderia ser trocado por ritmo?
    E num e que verdade, no mercado japones num rola atraso de quadrinhos. O controle de ritmo deve ser perfeito.

    Ouvi falar que o Warren Ellis, que possui vários quadrinhos de qualidade nos seus trabalhos, mas que fez algumas porcarias e ele afirmou que para estes comics de ação burra – cito aqui o péssimo Down, ele mesmo disse ter usado o ritmo de filmes de ação de Hollywood, ou seja, comece com uma puta cena de ação para agarrar o leitor, e depois abaixa desenvolve e termina com uma explosiva seqüência final, realço que o Ellis possui um grande hall de obras boas, mas ele próprio afirma possui uma formula de ritmo para os – alguns – gibis que ele fazia ‘pra pagar hipoteca’.

    Sabe um coisa que vital para construir o ritmo ? A diagramação. Dependendo da que você usa, você pode forçar o leitor

    Judeu, ou seria o Estranho, falou algo muito legal, o mercado japonês, por sua produção semanal, possibilita a descompressão, um ritmo mais bem encadeado, ou maior desenvolvimento das cenas de ação – serio amo comics, mas as vezes as lutas nos comics são broxantes, no mercado americana as 22 paginas são mensais, então por isto mais quadros, no mercado franco-belga em que são álbuns de mais ou menos 5 paginas feitos uma vez ou outra na vida – geralmente chegam a ser quase semestral quando há uma periodicidade, então ele precisam de uma senhora compressão, tem batalhas inteiras que rolam em uma duas paginas.

    E para os que falam que a descompressão dos mangas é preguiça, preguiça o caralho, quero ver estas antas que falam isto fazer 20 paginas na semana.

    Legal, vocês estão discordando no programa, num teve uma vez que alguém disse que seria legal vocês discordando, então acabou de ocorrer.

    Durante o programa vocês falaram que num dos primeiros podcast vocês falaram que no manga o leitor dita o ritmo, parece que o autor de Watchmen, Alan Moore, ou seria outro autor de comics, falou a mesma, só que sobre quadrinhos em geral. Mas eu sempre estranhei isto pois na época eu andava lendo muita review, e varias vezes eu ouvia falar sobre ritmo aqui, ritmo acolá. Então eu gostei desta coisa do pacing, pois vem a confrontar um pouco isto, tudo bem que você pode travar numa cena de ação, ou acelerar numa cena lenta, você pode, beleza, mas há uma construção do autor quando ele é bom, seja nas falas, diagramação ou detalhamento, um trabalho de criar um cadencia de desenvolvimento, imersão e ritmo.

    E por fim gostei da conclusão erótica, onde deixamos o autor ditar o ritmo e ficamos como a parte, num direi passiva, mas q que fica por baixo, apreciando o trabalho do autor/autora.

  9. Comentário – Off-topic

    Estava lendo a entrevista que o Kubo deu na Alemanha, e na hora que li em trecho, pensei em vocês dois na hora. Acho Bleach ok, mas essa desculpinha do Kubo, foi foda huahsuahs.

    Porque você tende a fazer desenhos tão minimalistas sem cenários de fundo, se focando só nos personagens?
    K: Acredito que cenários distraem o leitor para o que o personagem está sentindo.
    Sempre que eu deixo de usar fundos nas páginas, é para permitir que os leitores vejam o coração do personagem.

  10. Sobre essa questão de descompressão, eu lembrei de um exemplo sensacional de Berserk. http://0-media-cdn.foolz.us/ffuuka/board/a/image/1337/07/1337074735098.jpg e uma versão editada, aqui: http://1-media-cdn.foolz.us/ffuuka/board/a/image/1353/58/1353589543713.png

    Os quadros focados em closes não são estritamente “necessários” para você entender o acontecimento básico (Guts indo embora). Mas eles mostram perfeitamente a reação do Guts e da Casca à situação. Ele hesita, mas continua seguindo em frente, mostrando que ele preferiria não ir, mas precisa. Ela chora, mas acaba suspirando, porque sabe que ele é um teimoso incorrigível. (na verdade não leio Berserk, mas essa interpretação parece válida olhando só pra essa página. DÁ PRA CRIAR uma interpretação só com essa página).

    Em suma, descompressão é magia nas mãos certas.

    • Irei usar alguns exemplos de Hawkeye do Matt Fraction e do David Aja(LEIA ESSA MERDA, É MUITO BOOOOOOOOOOOM)


      O modo como os quadros finais são colocados dá a passar uma sensação de que o tempo passou lentamente, já que o Hawkeye se machucou e chegou até nevar e ele sequer acordou ainda.


      Nessa página se pode ver quando a SHIELD vem pra buscar ele, a divisão de quadros passa bem legal a ideia de movimento, e até a própria fala.


      Sem nenhuma fala, já podemos saber o que está acontecendo, a divisão de quadros menores e as cenas ajudam muito nisso.


      O diálogo fica muito mais divertido, dando enfase a piada


      A ideia de tensão/tempo, pequenos quadros dando uma ideia

      Cada pacing pra uma situação, esses dias eu li um mangá de terror, que como tem muita ação, foi rápido demais, e acontece pouca coisa em si, em 23 páginas de Hawkeye por exemplo, aconteceu mais coisas que em 2 volumes do mangá, é algo bem interessante, saber como o autor quer deixar o ritmo pro leitor.

  11. Judeo perdeu o pacing no episodio XD

    Sobre Death Note, acredito que a parte da morte e a “segunda parte”, como alguns chamam, são otimos exemplos do pacing curve, que vocês citaram.

    O manga começa num ritmo mais acelerado com a parte do FBI, vai para algo mais lento com o L e o Raito se conhecendo, começa a variar entre altos e baixos quando começa o real confronto entre os dois, segue para o climax que seria a morte, o ponto de maior tensão da historia, e então o ritmo abaixa para seguir ate o seu final.

    E vale notar que os acontecimentos do “arco final” foram todos coincidencias de acontecimentos anteriores. No pacing DN e muito bom, se for parar parar reparar em certos detalhes (li 2 vezes, então sei do q falo)

    Um exemplo de pacing “interno” intereçantes que me lembro e o da prissão, que da a sensação de demora e angustia e angustia pela o qual o personagem passa.

    Agora citandos outros mangas, temos I am a hero, onde a uma sequencia interna de de quadros pela visão do personagem, que mostra lentamente algo chocante que ele esta vendo e da a sensação de que ou e algo muito rapido (apesar de usar 3 quadros), ou muito chocante a ponto de você ficar parado e aquilo realmente penetrar na sua mente.

    Ainda cintando hero, temos a mudança subta de pacing do inicio, que e um “curve” inverso, onde o manga que ate o momento estava calmo e seguindo outro rumo muda para algo frenetico de maneira violenta e te da varios acontecimentos seguidos, so voltando a vicar calmo quando passa a mostrar a solidão do personagem.

    Outro exemplo bom e o de asilo arkhan, que li a pouco tempo, onde notamos o autor utilizando de 2 historias, que acabam se unindo, ao nos mostrar que o texto de um se encaixa na historia de outro, algo simplesmente genial, onde tudo se encaixa, tornando a cena ao mesmo tempo violenta, filosofica, triste, dolorosa, impactante, insana…

    e retornando um pouco ao tema do post anterior, acredito que estes exemplos são obras com clima mais melancolico, e nem por isso são tratados como tristes, apesar de no fundo realmente exalarem tristesa.

    Ok, arkhan e sobre insanidade, DN sobre um serial killer e hero sobre ação com zumbis…mas cara, um mundo apocaliptico e algo triste, assim como a insanidade e a morte.

    O que aconteçe e que as pessoas classificam como triste ou aquilo que e triste do começo ao fim (ou em sua maioria, como já dito), ou aquilo que faz chorar, mesmo que seja apenas uma unica cena com um impacto absurdo (geralmente final).

    Arkhan varia entre 2 historias, uma “triste impactante” em alguns momentos, e a outra uma historia de “heroi”. i Am a Hero já não e levada como triste por possuir cenas de ação. No caso de DN, acho que nem preciso dizer os fatores que levam a pessoa a pensar o contrario, não é?

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