Mangá² #30 – Simbolismo

Sejam novamente bem vindo ao episódio cagueta do Mangá², o melhor podcast de mangás do Brasil!

Nesta semana falamos sobre a simbologia, o simbolismo, a semiótica, o subjetivismo presente em diversas obras de mangá. Ouça enquanto falamos sobre os símbolos em Bleach e Punpun, sobre simbolismos explícitos e ocultos, e até onde dá pra forçar a barra dizendo haver um significado profundo em alguma obra!

Sejam também convidados a ler a próxima obra que analisaremos no Mangá Enquadrado que sairá na semana que vem: Nijigahara Holograph!

E esta semana, por ser um episódio múltiplo de 5, temos uma Recomendação do Ouvinte! Desta vez, Gustavo Moura, o Boxa, nos recomenda uma obra curta cheia de pequenas reviravoltas.

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Cronologia do episódio

(00:20) Discussão semanal – Simbolismo

(24:49) Leitura de Emails

(40:10) Recomendação da Semana, por Gustavo Boxa – Getenrou

Download (CLIQUE COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E ESCOLHA A OPÇÃO “SALVAR DESTINO COMO…” OU “SALVAR LINK COMO…”)

29 Respostas para “Mangá² #30 – Simbolismo

  1. Vou ser cinsero, não curti muito esse episodio =/

    Melhor ficar com o simbolismo sendo analizado apenas em obras especificas =x

      • Assim cara, so não curti o tema mesmo. O programa e otimo ainda, so que não me agradou dessa vez pois voces ficaram muito no “o que e simbolismo?” e tentaram analizar algumas obras por cima pra não dar spoiler. Acho que funciona melhor na analise individual mesmo.

  2. P: Toda obra tem simbolismo?
    R: Tem, mesmo que de forma inconsciente. Aliás, outro ponto que gostaria de colocar é que você nunca pode dizer que o autor quis dizer alguma coisa, afinal, você nunca falou com o autor para ter certeza. Vocês só podem afirmar que a obra quis dizer em si, não o autor.

    Sobre o Pun Pun ser o pássaro por ser mais fácil de desenhar, eu lembro da Arakawa comentando a capa do Vol. 9. Ela comenta que ela ouviu que a capa ficou um máximo, porque dava a impressão do Mustang estar falando “Sigam-me” para os subordinados e numa escadaria acima de todos. E depois admite que só ficou com preguiça de desenhá-lo de frente.

    Só pra terminar. Freud sempre disse que o ser-humano era movido pelo desejo inconsciente de reprodução, mas quando perguntaram “Ah, então você é gay, afinal, sabe que o charuto tem formato fálico e ainda o fuma!”. Ele responde que “Às vezes, um charuto é só um charuto”.

    2 Séries com simbolismo:
    – Evangelion
    – [C] : The Money of Soul and Possibility of Control

    No mais, gostei muito do Podcast o/

    • ” Aliás, outro ponto que gostaria de colocar é que você nunca pode dizer que o autor quis dizer alguma coisa, afinal, você nunca falou com o autor para ter certeza. Vocês só podem afirmar que a obra quis dizer em si, não o autor.”

      “NUNCA” eu acho muito forte… Algumas vezes as representações são tão óbvias que é possível dizer que o Autor usou aquilo deliberadamente.

      Por exemplo, difícil eu dizer que o autor de Kokou no Hito não usou de propósito um desenho de uma Mitose pra representar uma Dicotomia ideológica. Existe todo um conceito que se respeita na cena. Se ele só colocou aquele desenho lá porque ele gosta de Biologia Celular e acha bonito eu desisto de ler mangás.

      (o que é ligeiramente diferente do exemplo que você deu sobre Freud, que a opinião do interlocutor foi colocada fora de contexto)

      • Mas ainda assim. Autor e obra são duas coisas separadas. O Autor pode morrer e você nunca terá a resposta, mas a obra dele é eterna, por isso é análise da obra em si, não o que o autor quis dizer. Muito porque a semiótica hoje está presente a níveis de subconsciente. O próprio autor pode ter feito algo cuja explícação simbólica é cabível, mas nunca ter pensado nisso especificamente.

        Sem falar de autores que tinham uma ideologia própria e a obra em si demonstra outra. E digo isso não só em mangás, mas também em obras literárias, filmes e etc.

  3. Bem, vou deixar aqui alguns mangas que consigo enchergar algum simbolismos.

    Inugami – E um manga seinen que a primeira vista parace um Ginga – Nagareboshi Gin (Porrada entre animais), porem com os principais sendo um cão demoniaco e um jovem poeta. No decorrer da obra entra no meio satanismo, magia negra, medicina, vida, cristianismo, folclore, etc. Tudo banhado com gore =D

    I’m a Hero – Apesar de ser um manga sobre zumbis consigo enxergar alguns sumbolismos, como a mariposa gigante, os pesadelos bizarros, a mente dos zumbis, etc.

    Mangas do Inio Asano – Preciso mesmo dizer? lol

    King of Thorn – Cara tem muita referencia a contos misturadas no meio de um manga survivor em uma ilha pos-apocalipta com dinossauros mutantes.

    Bem, isso e o que lembro de cabeça XD

  4. Uma vez lendo o TvTropes, achei uma frase interessante do crítico de filmes Roger Ebert, dizendo: “Quando você tem que se perguntar o que aquilo simboliza, ele não é um simbolismo”. E eu até concordo, mas preciso me explicar.

    Se for pensar puramente no conceito de Símbolo, é um elemento gráfico ou textual CONCRETO e DELIBERADO que representa algo ABSTRATO na obra. De forma mais ortodoxa: uma referência histórica (swastika representando o nazismo), religiosa (crucifixos representando o cristianismo), cultural (número 4 no Japão representando a morte), entre outras.

    Ou seja, pra ser um símbolo, precisamos que o elemento CONCRETO e o ABSTRATO se conectem de alguma forma objetiva (por isso não concordo com o uso do termo “subjetivismo”, mesmo se tratando de conceitos abstratos).

    E é nesse ponto que a frase do Ebert se aplica. Sim, o símbolismo depende 100% do entendimento do leitor, mas isso implica também que, dado o devido tempo e dedicação, qualquer um consegue enxergar o simbolismo proposto pelo autor.

    Alguns exemplos seriam a Mitose representando Dicotomia em Kokou no Hito; a Música representando a Controle em Music of Marie; a Tangerina representando o Fim abrupto de Shaman King, etc.

    Claro que com isso NÃO quero dizer que o Símbolo independe da Semântica. O significado dos símbolos pode ser debatido, mas se ele está intrincado com o enredo, dificilmente ele vai ser subjetivo.

    Se um símbolo é considerado muito subjetivo, provavelmente a idéia por trás é muito ampla e poucos a captaram ou o autor não quis dizer nada com aquilo (como a maçã do Ryuk ou o PunPun ser um pássaro).

    Dois tropes interessantes sobre o assunto:
    – World of Symbolism (http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/WorldOfSymbolism): Quando a OBRA EM SI é o simbolismo (fazendo muitas vezes com que a narrativa só funcione se você a encarar de forma metafórica)
    – Faux Symbolism (http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/FauxSymbolism): De onde eu tirei a frase, se trata de símbolos usados sem a variante abstrata.

  5. bem interessante ,não esperavba vocês abordarem esse tipo de assunto ,bem isso me lembrou uma coisa
    se voce pegar um quadro em branco e derramar um pouco de tinta preta em cima,vai formar uma mancha dai se voce mostrar essa mancha pra varias pessoas ,cada uma vai ver algo diferente

    como voces dizem existem dois tipos de simbolismo aqueles que o autor deixa na obra,e aqueles que o leitor ve ,e não tem como saber qual é qual ,a não ser que o autor revele para o leitor,mas como vocês diseram isso quebraria a graça do simbolismo , um bom exemplo death note ,existia uma teoria que avia um simbolismo no fato do shinigami ryuki comer maças , dai saiu uma entrevista que o obata disse que só queria desenhar um shinigami comendo maças ,dai foi tudo por agua a baixo

    sobre esse mangá que vao analizar no proximo podcast tem em portugues?

  6. O cast foi interessante a um ponto de eu ter achado um pouco chato, não por culpa de vocês, mas o assunto de simbolismo não rende muita coisa, vocês trataram simbolismo quase como um modo de interpretar o que o autor que passar(ou não). Simbolismo em Punpun que foi o mais citado e o único que me lembro agora é onde mais consigo ver, acho que o fato do menino ser um pato(!) é mesmo pelo autor mostrar que não é ele quem vive ali(Punpun) e sim o leitor, um caso pra você se identificar com qualquer coisa que ele faça.
    Simbolismo vemos em qualquer coisa, filmes, mangás, hq’s, até mesmo em música, temos nossos modos de interpretar as coisas, nossos modos de entender. XD

    Dieferson, 16 anos, Porto Alegre – Rio Grande do Sul(Só não mandei por email pois essa porra tá toda errada aqui :V)

  7. Gostei. Eu acho que o simbolismo ”posto pelo leitor” pode (não necessariamente) remeter a Pareidolia: Um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago sendo percebido como significante. Perceber imagens em nuvens, ver face em Marte, ouvir alguma coisa pondo o disco da xuxa pra tocar ao contrário, etc.

  8. Voces que são mais informados no mundo dos mangas, teria como voces comentarem o porque que o Yoshihiro Togashi parou de escrever o Hunter x Hunter. Acho que até daria um bom tema para o podcast. Brincadeira, fora isso o podcast de vcs esta em um nivel mto bom

      • infelizmente é isso
        no primeiro hyato era problema de saude
        no sengundo hyato era por que o filho nasceu
        no terceiro hyato nem se deu ao trabalho de inventar uma desculpa de tao preguiçoso que é

  9. Uma pauta interessante seria voce e o estranho fazerem igual um table of cast em que eles criaram um manga no estilo battle shounen ressaltando os cliches presentes nesse genero, podendo assim criar obras de diferentes generos, como:
    *Outros shounens
    *Seinen
    *Shoujo
    *Yaoi(brincadeira)…

    O podcast de voces estao em um nivel muito bom mas poderiam sair as vezes de temas como o desse Manga², falando assim mais de cada autor ou de uma obra como foi sugerido para o proximo. Fora isso continuem o bom trabalho que vem fazendo.

    • Podcast mais informativo, de falar de autor e tudo mais é coisa do ToCast, bem como o tema que sugeriu de criar outros mangás fictícios. Infelizmente a frequencia é menor porque o tempo é curto.

      O formato do Mangá² é desse estilo mesmo, falar mais da mídia como um todo, e de vez em quando analisar (com spoilers) algum mangá.

  10. Por esses dias eu estava lendo os três volumes iniciais de Kurosagi: Delivery Service of Corpse, de Eiji Otsuka, lançado por aqui nos bons tempos da Conrad. A estranha temática do mangá, somada ao humor negro quase insensível com o qual o autor recheia seu enredo, me fez encara-lo de imediato como uma crítica – alegórica e, portanto, simbólica em essência – à degradação da espiritualidade japonesa, sobretudo refletida no modo como a sociedade nipônica contemporânea passou a lidar com a morte, seja tratando os altíssimos índices de suicídio, seja abordando o descaso para com o destino dos cadáveres. Partindo desse princípio, me vi formulando mil interpretações para cada detalhe do quadrinho. Mas eis que, no posfácio do segundo volume, o autor revela o verdadeiro motor criativo da série. Na íntegra, Otsuka diz: “Criei Delivery Service of Corpse pensando em produzir uma história de terror daquelas bem ortodoxas. Hoje em dia, as pessoas veem zumbis andando por aí como se fossem a coisa mais normal do mundo, por causa da proliferação de jogos eletrônicos e filmes de terror, e não sentem mais nenhuma estranheza nisso. O que eu quis fazer foi voltar às origens, àquela época em que só o fato de um cadáver se mover já era suficiente para aterrorizar as pessoas.”. Por um lado, minha compreensão não estava de todo equivocada, afinal trata-se de uma crítica à perda da mística no seio social, entretanto, é evidente que o comentário sociocultural em questão não é tão profundo como imaginei.

    Acredito que esse seja um bom exemplo dos dois tipos de simbolismo por vocês formulados: o intencionado pelo autor e o particular. Contudo, são pouquíssimos os casos em que é possível distinguir um do outro com base nas palavras do criador.

    Agora, vamos expandir um pouco. “Se a gente for pensar mais para o lado da semiótica, do estudo dos signos, aí há um estudo muito maior, um estudo quase científico em cima disso”, disse o Estranhow a 1 minuto e 36 segundo do episódio. Na realidade, é um estudo genuinamente, e não parcialmente científico; tanto que os “pais” dessa ciência, Peirce e Saussure, eram um matemático e um linguista, respectivamente. Se atendo à linguística (deixo claro que não sou formado na área, e sim um mero estudante de jornalismo que fala com base nas três disciplinas atreladas a esse campo que teve durante o primeiro ano de curso), é fácil constatar que a semiótica não só está presente, como também rege a vida de todos. Como? Por meio da língua, principalmente. A língua portuguesa, assim como qualquer outro idioma, nada mais é que um sistema de signos. Letras, silabas e palavras não passam de símbolos totalmente abstratos que representam algo (material ou não) em nossa realidade. Portando, desde a alfabetização do ensino primário, quando te convencem que a palavra mãe simboliza a mulher que te colocou no mundo (ainda que esse conjunto de três letras não se relacione ou se assemelhe de modo algum com essa mulher em particular), você já está estudando semiótica.

    Então, por que eu falei toda essa merda? Para chegar a uma “vertente”, por assim dizer, do simbolismo que vocês relevaram enquanto comentavam as representações visuais e narrativas (o que é bastante compreensível, afinal a mídia chama mais atenção pelas ilustrações). Falo dos “símbolos textuais”. Quando tratamos mangás (livros, filmes e peças também), o título de um segmento/capítulo ou, como comumente acontece devido à complexa estrutura da gramática japonesa, na qual cada caractere é dotado de significância, o nome de um personagem pode ser simbólico. Tenho certeza que vocês conseguem se lembrar de algum caso em que personagem tal diz que seu nome se escreve desse ou daquele modo, significando isso ou aquilo, e que, não por acaso, esse significado diz algo sobre a personalidade do fulano. O que é isso, senão simbolismo?

    Dito isso, dado o grande – maior que o habitual, o que é difícil – numero de comentários vexatórios dirigidos a Bleach, e em resposta ao questionamento sobre a carga simbólica da série, eu, como fã desta (podem me julgar, já estou acostumado), posso dizer uma ou duas coisas a respeito. A começar pela significação oculta em nomes, a qual me referi há pouco, basta estudarmos o protagonista: Ichigo se divide em (Um) e 護 (Protetor), fato explicado bastante didaticamente no início do mangá, podendo ser lido como “aquele que protege” ou coisa que o valha. O nome já diz bastante sobre ele, revelando o principal aspecto de sua personalidade. Como observado por muitos a fim de denegrir Alvejante, Ichigo é um personagem central sem um propósito grandioso; ele não deseja ser o melhor em nada, não quer ser Hokage ou Rei dos Piradas, almeja apenas proteger aqueles com quem simpatiza – objetivo originalmente destinado apenas à sua mãe, e que se alastrou por seu ser quase como uma moléstia após a morte da mesma, criando a espécie de “protetor patológico” que nos é apresentado.

    Kubo usa desse mesmo recurso em quase todos os personagens do primeiro escalão. Orihime – 織 (Tecido), 姫 (Princessa) –, por exemplo, é uma alusão à lenda do Tanabata, o que se reflete em seu amor trágico (aqui platônico) pelo protagonista. Já Rukia, embora não tenha significado explícito, se refere à pronúncia de Rue (ルー), uma flor que conhecemos como arruda, e que no Japão é descrita como “a flor do arrependimento”; isso é confirmado pelo autor no 16º volume da obra, no qual conhecemos o passado trágico da personagem, e que recebe o nome The Night of Wijnruit (A Noite da Arruda), ou seja, A Noite do Arrependimento.

    Falando em botânica, outro exercício simbólico se esconde nas flores que representam cada divisão do Gotei 13: no japonês, a campânula, brasão da 4ª divisão, a unidade de cura, expressa que “aqueles que sofrem são amados”. Percebem? Também não é por mero acaso que a 6ª divisão, historicamente dominada pela família Kuchiki, seja conhecida pela camélia (“razão nobre”) ou que a 10ª, a divisão dos Kenpachi, tenha recebido o milefólio (“lutar”). Uma vez que toquei na questão das estruturas militares, os Espadas também são arquétipos indubitavelmente simbólicos, entre os quais se dividem dez aspectos da morte (solidão, envelhecimento, sacrifício, descrença, desespero, destruição, obsessão, insanidade, ganância e ira) que compõem as personalidades de cada um deles, as quais Aizen teve que se sobrepor – se sobrepondo, assim, a própria morte – para se tornar a divindade contra a qual se cometeu o deicídio (Deicide). Convenientemente, Deicide é um bom exemplo de simbolismo escrachado no título (seja de um capítulo ou de todo um volume), ao qual, como creio já ter demonstrado no caso do 16º encadernado, o mangaká é bastante chegado.

    Em certo ponto do cast o Estranhow usou o termo “poético” para definir uma suposta aproximação de Kubo com uma escrita mais onírica, que, teoricamente, não teria sido utilizada desde o princípio. Achei a expressão bastante engraçada, pois, não sei se vocês sabem, a poesia acompanha o mangá desde o primeiro volume. Explicando: cada tankobon de Bleach contém um poema escrito pelo próprio autor, que se relaciona de modo intrincado com o volume em questão, em especial com a ilustração da capa; é algo que pode ser visto como a ideia geral do apanhado de oito, nove, dez, ou sei lá quantos capítulos ali dispostos sintetizada na forma de versos abstratos. Quer algo mais simbólico que isso? Essa página os reúne, deem uma olhada e percebam como é uma relação (muito bem) pensada: http://bleach.xpg.com.br/informacoes/poemas | Vão notar que, a bem da verdade, o poema do 45º volume (“você pode viver toda a sua vida de joelhos / mas no momento de sua morte, precisa estar de pé”), que tem Yamamoto na capa, foi recentemente resgatado no momento derradeiro do personagem, entre outras jogadas similares.

    Mas não apenas dessas representações sutis se faz Bleach. Alegorias visuais também podem ser encontradas aos baldes. A morte de Tousen, em particular, me parece um bom exemplo: enquanto cego, o personagem era dotado de um grande senso de honra e de justiça, após o obter o poder hollow, entretanto, ele passou a enxergar. Nesse ponto, sem razão aparente, ele assume a forma de uma monstruosa mosca e vemos seus valores de outrora absolutamente subvertidos. Os globos oculares das moscas, vejam vocês, são demasiadamente complexos, contendo entre três e seis mil “olhos simples” cada; por isso, ainda que não possam focalizar detalhes do ambiente como fazemos, as moscas possuem uma visão em mosaico assombrosa, fazendo com que seja tão difícil matar aquelas moscas de padaria, etc. Isso foi feito para mostrar que, naquele momento, Tousen enxergava melhor que qualquer outro. Não obstante, esse poder mutilou suas crenças e tornou desnecessárias as estratégias de batalha que ele por tanto tempo desenvolveu com o intuito vencer a adversidade física. Em suma, destruiu sua individualidade. Por conta disso, ele foi subjugado por um Hisagi semimorto. Resumidamente, ao ser corrompido pelo poder e passar a enxergar, Tousen se tornou verdadeiramente cego.

    Esse é apenas um exemplo. Existem tantos e tantos outros, e eu até gostaria de explanar sobre alguns deles, mas acabo de me dar conta de que já enchi três páginas do Word com esse comentário. Então, fico por aqui. Espero ter acrescentado algo ao debate. Desculpem os ocasionais erros de português. E, sobre os dois mangás nos quais vejo forte simbolismo, chuto Homunculus e Planetes. Bem, é isso. Continuem com o bom trabalho. Paz.

    • Li os parágrafos sobre Bleach em seu texto, e as observações estão muito boas! Inclusive, eu não sabia ou não tinha percebido algumas coisas, como o significado dos nomes e os poemas dos volumes.

      A alegoria do Tousen é realmente muito interessante. É o caso do personagem cego que passa a enxergar, mas, no fim, fica “cego” pelo poder.

      O símbolo mais interessante para mim em Bleach é a máscara hollow, usada pelos Vaizards e pelo o Ichigo. Não sei o que cada uma delas representa, mas me parece que a influência para as máscaras esteja no teatro de máscaras do Japão. Realmente queria saber se o Kubo pensou em algum significado particular para a aparência de cada máscara e porque ele decidiu que o seu protagonista também usaria uma máscara para lutar.

    • Tratando sobre Bleach abaixo.

      Sobre os poemas, eu tinha conhecimento, comprava o mangá até uns meses atrás, e acho uma ideia muito legal para os volumes, mas longe de ser genial ou mesmo simbólica, uma vez que ele trabalha no poema sobre tudo o que ele já tinha desenvolvido no volume. Acaba servindo a um papel de “simbolismo escrachado” para quem não sacou os temas que ele abordou no volume. E pode cumprir o papel dúbio de nos parecer que o autor ou tinha planejado todas as alegorias do volume, ou pensou num significado depois de fazer, igual aos leitores, e tentou nos “forçar” a ver aquilo.

      Sobre os significados de nomes, isso tem em praticamente todo mangá, sem exceção, lol. Somos favorecidos dos japoneses usarem ideogramas diversos para representar nomes na vida real, o que os fazem ter um carinho especial na escolha de nomes dos personagens.
      Mas a parte das flores das divisões eu tinha sacado e achava muito legal também.

      Todo o resto cai naquele limite entre “o autor quis fazer” e “achamos que o autor quis fazer”. O que, claro, não desmerece nenhuma interpretação da obra, como falamos no podcast.

  11. Bom, um mangá que logo me vem a cabeça é Evangelion e todo seu simbolismo, muito dele fazendo referência a religião, então é bem simples até. Não consigo lembrar de nenhum mangá que tem profundidade com os simbolismos.

    Acho que o sakaboto (@kurasea) deu um boa explicação, tem até uma “regrinha” na semiótica que você tem alguns requisitos para descobrir se o simbolo é valido ou não.
    Bem a Semiótica tem varias linhas, a que entendo um pouco é da Pearciana, que você tem as três tricotomias para chegar no simbolo, elá é longuinha, mas o começo dela e acho que bem resumidamente é a percepção, o potencial e a interpretação do simbolo.

    Um exemplo básico que sempre usam é o dessa imagem:

    Que significa e quer mostrar algo, mas sim, muita gente vê o Gordo e o Magro, mas apesar de não ser os personagens que a propaganda tinha a intenção de mostrar, mas não é errado ver os comediantes, segundo a semiótica, o importante é como você chegou no significado, ele vai validar se a interpretação é valida ou não.

    Acho que ficou tudo muito confuso, mas se tiverem interesse procurem pela tricotomia de Pierce.

    E Estranhow convence o Judeu a ir discutir Bleach com o Kitsune lá no Hangout dele, seria algo muito engraçado.

  12. Ih gente tema complicado, Estranho já mandou bem de cara, a diferença entre os símbolos do autor e do leitor, muito bem colocado, chega a ser interessante quando

    Nisto, coisa bem pessoal, eu costumo detestar finais abertos ou autores que tem a postura – ‘O leitor interpreta do jeito que quiser’ – para min, isto é coisa de autor covarde ou preguiçoso, afinal que esta criando a obra é o autor, então se escritor esta criando um battle shonen de astronautas, eu quero a visão do autor, se eu quisesse a minha visão, eu escreveria a historia eu mesmo. Claro que um autor pode fazer um final ambíguo como Dom Casmurro de Machado de Assis, ou o – comecei ler porque vocês recomendaram – Boa-noite Pumpum, no qual o autor coloca seus símbolos mas pede para, manda, o leitor interpretar.

    Deixa eu fugir um pouco do simbolismo e contar uma historia, meu primeiro manga foi Love Hina, que eu pedir a um amigo meu pegar com outro dele, então peguei os dois primeiros volumes e, depois, os dois ultimo, li o meio quando eu pude comprar, este amigo meu perguntou porque eu queria tanto ler o fim sendo que eu mesmo poderia criar o fim que eu quisesse na minha cabeça, eu disse que a obra era do autor se ele quisesse sacanear no final ou fazer qualquer coisa, incluso o final previsível, era direito dele porque a obra e dele, não e minha. O dia que eu criar o meu manga/livro/gibi sobre ‘treinador de bichinhos’ onde no final o herói morre e tudo contem simbologias sobre a vida aos a morte, por exemplo. E não cismar que Pokémon conta a historia de sonho de um menino em coma porque o Ash tomou um raio no primeiro capitulo e sair criando analises freudianas inexistentes na obra do Seu Satoshi Tajiri.

    A propósito, é muito difícil para o escritor inserir os símbolos, fazer que o leitor o analise, e, caso for o interesse do autor, levar o pessoal a perceber o que ele quer falar – alguém aqui esta pensado nas obras que saíram durante a ditadura ?
    Godzilla era uma sobre a bomba nuclear, será que a galera na época pensou assim? E Invasores de Corpos, conforme o autor, era um filme sobre aliens, mas a galera interpretou como uma possível invasão comunista. Fazer o que galera?
    Ainda o versus interpretação de autor e leitor, penso no anime Evagelion, só depois de muita pesquisa, vagabundagem, na net, fiquei sabendo que o autor fazia uma critica aos otakus, aos japoneses herbívoros, o que me fez respeitar ainda mais a autor, só que, conversando muito com uma amiga minha muito que ama a obra, so que ela não teve estas interpretações, em contra-partida ela diz que via muita ‘simbologia freudiana’, que lendo o que li na rede, sequer fazia menção a isto.

    Um pouco sobre mercado, no site Maximum Cosmo, li que os mangas Love Hina e Love Junkies foram sucesso comercial porque atraiu gente fora do nicho manga, uma fez que se via um gibi com mulher seminua na capa, se eu achar o link do artigo eu passo, mas acho que caçando ‘maximum cosmo pornochanchada’ se acha o artigo. Nota – eu digito e-mails na minha casa onde meu modem queimou.

    Continuem o ótimo serviço, contudo peço ao Estranho que olhe no dicionário antes do cast, é coisa de 30 segundos que incrementa a discussão.

  13. South Park 14.02 – A História de Scrotie Sodomita, este episodio fala muito sobre a relação entre o simbolismo e a procura do homem por sentido em tudo que ha na vida, vale apena dar uma olhada

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