Gantz #357: Gantz só é bom quando não é Gantz

ESTE POST CONTÉM SPOILERS ATÉ O CAPÍTULO 357 DE GANTZ!!

Gantz é um mangá que desprezo e aprecio enormemente. É incrível como o autor consegue ser tão clichê e forçado em cenas de ação padrão, mas consegue construir e desenvolver personagens tão bem nesse contexto bizarro.

Sei que tem muita que odeia por completo esse mangá, pra falar a verdade, mesmo as pessoas que gostam, “assumem” que o mangá é pobre, que só leem pelas cenas de ação e putaria e que o mangá não possuiu nenhum típo de plot bem bolado, é só mesmo um “Power Rangers para adultos.

Estou aqui hoje pra “defender” Gantz. Admito que o fanservice é uma constante na obra e que muitas vezes temos cenas de luta totalmente clichês e sem importância, mas por trás disso, temos um complexo e muito bem construído plot centrado em personagens e a essência humana. É o que sempre digo: Gantz só é bom quanto não tenta ser Gantz.

Vamos tomar o Capítulo 357 como exemplo. Tudo começa há uns capítulos atrás quando a personagem Reika resolve pedir ao Gantz uma segunda ressurreição do Kurono. O pedido é realizado e desde aquele momento, sem nem mesmo o autor nos dizer nada é fixada em nossas cabeças a ideia de que “Algum Kurono vai ter que morrer”. É obvio isso, não tem como a história terminar com os dois vivos, isso não teria sentido algum, em alguma hora, quando houver um confronto grande, um  dos dois vai morrer.

Por isso que, quando o Kurono original vai correr atrás da Tae e o clone fica numa espécie de arena, lutando e matando aliens cada vez mais fortes, a ideia de que “essa é a hora que o clone vai morrer” surgi. Essa ideia é fortemente reforçada pelo drama da Reika nos 2 capítulos anteriores ao fatídico 35T. Naquele momento fica obvio que o autor só criou o clone pra reforçar e desenvolver a Reika como personagem, a garota que só teve tudo do bom e do melhor na vida precisava de um drama, um sofrimento, pra crescer como personagem.

E finalmente, o óbvio e previsto é anunciado já no começo do capítulo. Kurono2 morreu.

Ou não né. Essa página é interessante porque no primeiro quadro coloca o personagem na clássica posição de “herói morto”, que era o que todos esperavam, pra logo depois desmentir o fato.

Enfim, Kurono2 ainda vive, mas o interessante é o que vem em seguida. Encontramos a Reika deitada no chão, não sabemos ainda o que exatamente aconteceu com ela, mas a dúvida logo é tirada pelo clone que simplesmente não encontra nenhum tipo de batimento cardíaco e já parte para uma desesperada tentativa de reanimação.

Aliás, a cena acima também é muito interessante. O leitor de Gantz, já acostumado com bastante fan-service, diria que estes quadros foram só mais uma forma do autor mostrar alguns peitinhos, mas eu achei genioso. Foi exatamente pela sexualização e idealização da mulher que a Reika ganhou um contexto como personagem, mas aqui, agora, isso simplesmente não importa. Não tem como qualquer leitor se importar com isso neste momento, é um corpo deitado no chão com vísceras saindo pelas costas, não tem tesão nisso, e é exatamente por isso que se torna tão significativo. (Mas isso também é só uma análise minha, pode ser só por causa das tetas mesmo).

Logo depois, temos a real surpresa do leitor com a cena, representada no pânico do Kurono 2 desesperado e, logo em seguida, a confissão (e desenvolvimento) do personagem, arrependendo-se de tudo o que fez e disse para a Reika. Então, como nos clássicos contos de fadas da disney e animes da sua infância, o príncipe/herói dá o beijo apaixonado na princesa, esperando que por algum milagre, a força do seu amor vença e a sua forte respiração traga a ela dama de volta a vida…. só que não.

Vocês estão entendendo a genialidade dessa cena? Gantz, que é um mangá rodeado (e até baseado) de clichês, estão criticando… um clichê. Não é à toa que o autor separou uma página inteira para o beijo, ele estava esperando estava esperando uma reação padrão do leitor acostumado com clichês, esperava que nós pensássemos no beijo e nas lágrima ressuscitando a garota indefesa, e até pensamos um pouco, só que não é isso que acontece. Alias, pior do que não acontecer, o autor esfrega nas nossas caras a inexistência do milagre:

Poxa, que lindo isso. Reparem bem no primeiro quadro da página acima, aqui o autor mostra o quão ridículo é o clichê do “beijo salvador”. Porra! O cara tá beijando um cadáver, nada ali encaixa, ele não está beijando, ele está sugando os lábios de um corpo. É horrível e até chega a lembrar um pouco uns ero-guros mais leves como The Laughing Vampire do Maruo. Acho sensacional que algo assim possa ser passado para um público tão mainstream, mesmo que de uma forma mais leve e mesmo que a maioria não compreenda.

Pra terminar, o Kurono 2, conformado com o seu clichê-falho, relaxa, carrega o corpo da Reika em seus braços, saindo de cena e terminando o capítulo em um pacing PERFEITO.

Gantz é um mangá cheio de defeito e eu normalmente sou um dos primeiros a apontar quando aparecem (a maior parte da invasão alien foi uma merda gigante), mas também é um mangá muito depreciado pelas pessoas, principalmente pelos próprios leitores. Constantemente escuto a frase “Ah, só leio Gantz pra relaxar com tetas e violência ocasional”, pode até ser, mas acredito que a maioria leia Gantz por esses raros de picos de desenvolvimento de personagens. Acredito que a maioria leia por esse motivo e acredito que a maioria nem saiba disso…. bom, pelo menos até agora (talvez) 😀

13 Respostas para “Gantz #357: Gantz só é bom quando não é Gantz

  1. Caramba, tem tanta gente que esculacha gantz mesmo? no meu entorno só ouço elogios.
    Eu particularmente gosto bastante. Pela arte, batalhas, e o fato de como o autor consegue seguir esses clichês mencionados, e ainda assim me surpreender várias vezes (ele mata todo mundo, até o protagonista, nunca esperava por essa haha). No começo eu pensava “meu deus, que história fascinante, o autor ja deve ter escrito o desenrolar todo dela.” Mas minha duvida foi crescendo e agora acho o oposto. Mas ainda o considero um mangá ótimo, me marcou pelo menos.
    Ver Gantz pelos peitos? Acho bem estranho, no começo esse “fan-service” é natural, sendo que o próprio Kurono passava ao leitor esse desejo sexual, retratava a adolescência, oque justificava. Fora que depois da cena do abatedouro humano na nave Alien a nudez perdeu todo o apelo sexual e começou a ser apresentada como algo “natural”, somos humanos, com corpos, e é isso, todos diferentes, gordos, magros, peitos pequenos, grandes etc mas ainda são apenas corpos. Foi assim que eu encarei.
    Ver Gantz por causa da violência? é….parece justificável haha
    O desenvolvimento dos personagens eu acho razoável, no começo focava mais nisso, depois se perde ja que bem….eles morrem. Mais a frente retomam em algumas partes, como o relacionamento com a tae e a reika. A Reika foi trabalhada um pouco como disse o texto, já a Tae só serviu para o desenvolvimento do Kurono ( e da reika consequentemente). Mas afinal de contas ela é só uma menina normal no meio disso tudo (que conseguiu sobreviver por milagre do roteiro).
    Bom, tem clichês e falhas mas adoro essa série. A maioria dos mangás que eu vi são conhecidos, tenho olhado o seu site e ja encontrei várias sugestões “underground” que adorei. Valeu pelo blog. Falou!

    PS: Só eu acho que o mangá faz uma crítica direta ao consumo de carne? Acho bem obvio mas nunca vi ninguém comentar (talvez por isso mesmo…)

  2. putz, eu adoro Gantz. Mas acho que pegam no pé muito pelo fanservice. Acham que só pelo fanservice a obra já perde o caráter ¨sério¨. Po, tudo bem, o próprio autor já admitiu que curte uns peitões, mas abstraindo o fanservice a obra é muito legal. A mais interessante para mim é exatamente isso que você disse: os personagens morrerem de supetão, sem ter feito nada extraordinário. Você acha que ele irá realizar algo e seguir na história por um tempo, e não, ele morre ali de maneira patética às vezes, deixando-nos apreensivos de que ninguém ali realmente está seguro por um capricho do artista. o.o

    SPOILER:
    Você fica na mesma situação dos personagens no começo, não fazendo ideia do que está acontecendo, as muitas mortes que você vê pela ignorância, pode perfeitamente visualizar acontecendo se estivesse na mesma situação. A forma como os personagens aprendem na marra como agir é o que interessa na trama. E dizem que Gantz apela para violência absurda, falando que é também apenas para impressionar. Poxa, Gantz não abusa da violência. Tudo bem, você pode até dizer que o alien lá estorando todo mundo na escola é RÌDICULO, mas acho aquilo totalmente condizente com a força do personagem. Veja be, se você soltasse um urso ou leão numa sala, acho que não dá para dizer que seria um passeio no parque, né.
    O que quero dizer em resumo quanto a violência do mangá, é que Gantz só mostra explicitamente que com a força de golpe tal, em tal área, você pode estourar seu miolos, ou quebrar sua bacia e ficar com as tripas de fora. Poxa, isto é característica dos seinens, MAS NÂO, se é no Gantz é apenas para impressionar, é violência gratuita.
    Meu Deus, é um mangá de açãoficcão científica -.-
    Agora, Gantz tem várias falhas sim. Para mim estava cada vez mais dramático, a arco de Osaka, quando eles vão para Itália e agora isso(essa invasão alienígena decepcionante). Só me surpreenderam quando mostraram que os alienígenas eram gigantes. Você sente que vai ser um guerra desesperadora. Mas enfim, não tá sendo. E também os vampiros, caramba, o Oku colocou porque achava legal e agora não sabe o que fazer com eles rs
    Ah, e também as escolas em Gantz, pqp hein ashuahsusa parece Brasil aquilo lá, não, um Brasil piorado isso sim Meu deus aushaushuah
    E por último, sei lá a parte das personagens de fan service, não acho que esteja errado em colocar personagens ¨desprezíveis¨, com desvio de caráter e tal. Eles existem, colocá-los mostra a realidade como ela é. Mas exagerar nesses personagens aí também, né…

  3. ah, eu estou lendo o Kamisama no Iuutori. Acho que foi aqui que comentaram dele, enfim obrigado pela dica. É muito legal mesmo, lembra Gantz na fase áurea. o.o

  4. Não sei se é tão genial assim…

    Seja como for Gantz já irritou tanto que nem pelo desenho bonito eu leio mais pelo menos desde sei lá quando (acho que desde a primeira leva de ressussitações). Francamente…

    Tá parecendo Dc e Marvel, só que não tão bem desenhado.

    • Acho que talvez essa minha análise seja sim um pouco forçada, tentando procurar pelo em ovo… mas é uma análise, dá pra enxergar dessa forma. De qualquer jeito, acho que consigo concordar que Gantz tem muito mais momentos ruins do que bons.

  5. Parabéns pela sua análise! Gostei muito do blog e de como você trata os temas. Creio que independentemente de ser fan service ou não o mangá tem seus créditos, mesmo que tenham aparecido com menos frequência ultimamente. Hoje em dia não acompanho semanalmente como fazia a uns quatro anos atrás, mas creio que o que me prende ao mangá são os personagens e suas evoluções através desse cenário apocalíptico que o autor desenvolveu.

  6. nossa, não sabia que as pessoas tinham tanto rage assim por Gantz. Fico meio constrangido em gostar, da mesma forma de chegar num grupo de amigos e dizer que não tenho nenhum fanatismo, mas leio Naruto.

  7. na real leitores desavisados que esperam uma trama de ficção cientifica ou uma historia “seria” quebram a cara quando leem gantz e saem por ai dizendo q é um lixo , só putaria não tem historia , e num se tocam q a vibe do negocio é diversão mermo! o próprio autor já disse isso ¬¬ mas na real grande maioria dos fãs não nota isso e vê a historia como super elaborada ( me expliquem os vampiros e o irmão do kurono ) quando na real o cara tá inventando desafio pra historia na doida ai desde o inicio

  8. Concordo que a temática de Gantz é completamente escrota, nunca disse o contrário. Estou defendendo e analisando a estrutura e formação de plots.

    Gantz é “diversão sem pensamentos”, mas mesmo essa própria diversão necessita de uma estruturação que motive a leitura. Além do que, analisei o capítulo 357 ESPECIFICAMENTE, na enorme maioria dos outros casos o mangá falha grandiosamente.

    (E não entendi muito bem o que você quis dizer no final. Sério, se você teve alguma ponto interessante, ele se perdeu completamente, tente usar virgulas… ou voltar pra 2ª série)

    • Então vamos lá; Acho que você estava ligeiramente perdido, assim vamos ver se posso lhe ajudar. Algo como “Diversão sem pensamentos”, perdoe-me mas se você chegou até o capitulo 357 verá facilmente que a construção da história, é sim extremamente bem feita e autor não só consegue ser habilidoso no transmitir a emoção dos personagens como abre espaço para a evolução dos mesmos. A verdade é que Gants em si satiriza a sociedade e seus esteriótipos, e fica claro várias vezes isso ao longo da história(* Nem me convém citar pois é claro isso, a menos que como em seu comentário anterior, você menospreze isso em outro equivoco…).

      Fanservice?! Faça me rir se você se importa com isso, posso estar enganado mais o fato de seu apelido ser Judeu Ateu não lhe torna menos alienado do que muitos. Há tantas obras que fazem isso, One Piece, Naruto, Fairy tail e entre uma imensidão de outros animes, foque nisso agora: “Gants escancara isso na cara do leitor , sem receio, agora os que citei anteriormente eles só não deixam isso explicito (vamos lá: jutsu sexy do Naruto, corpo dos personagens de One piece, Fairy tail?! O quê é aquilo, é praticamente jogado em cada página, mais não é explicito ao leitor.) Sem falar que cada página da

      Eu entendo o quê são pontos de vistas diferentes mas, pelo sua análise percebi que você no minimo é inteligente e meticuloso o suficiente para entender e quem sabe mostrar-se menos um qualquer na sociedade. A diferença é que nesta sociedade há muitos rebeldes que criticam sem dar solução alguma e poucos revolucionários que de fato predispõe a mudar o mundo. Não seja um qualquer que como você disse “procura pelo em casca de ovo”, gostaria de ver o seu ponto de vista crítico e não algo superficial de mais um inconformado com a história.

      Sim Gants pode ser uma droga ou não, a verdade é que tudo tem seus pontos bons e ruins e convém a história mostrar isso, e o senso crítico julgar isso da melhor forma possível.

  9. Pingback: Eu acho que é 31 – Respostas longas ao Mangás Underground e dante | Joint for Progress pelos animes!·

  10. Eu sei que essa é uma critica de alguns capítulos atrás, mas é que esse post foi usado como argumento para um comentário na minha review do capítulo 378! (puxa! como o tempo passa).
    Eu fiz uma resposta ao seu post http://jogress.wordpress.com/2013/03/12/eu-acho-que-e-31-respostas-longas-ao-mangas-underground-e-dante/ onde depois de tantos capítulos, nós ainda ficamos na dúvida se toda essa história foi em vão, ou não, pois infelizmente todo o drama que o autor nos fez sentir ficou deixado como uma side quest, uma história de valor não notado mais, ou se houvera realmente um significado para tudo isso, mas diferente de um jogo, onde tais histórias, boas ou não, são opcionais, como leitores somos forçados a ler, nos trazendo a pergunta: Por quê?

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