The Tatami Galaxy

E lá vamos nós novamente nos aventurar por esse obscuro e intimidador mundo dos animes. Dessa vez trago o talvez-não-tão-undergrounds-mas-quase-ninguém-na-grande-blogsfera-deu-a-atenção-merecida, um dos meus animes favoritos: The Tatami Galaxy.

Fui saber desse anime pela primeira vez num post do ~blogueiro~ Qwerty, lá dizia que este então seria a melhor exibição de 2010. Curioso e confiante da indicação do amigo, resolvi quebrar meu jejum de animes (fazia muito tempo que não via um, naquela época) e já vou adiantando, foi uma das mais incríveis experiências que já tive com essa mídia animada.

A estruturação da história é mais simples do que a execução.

Com direção de Masaaki Yuasa e produção pela Madhouse (porra, essa combinação também não tinha como dar errado), Tatami Galaxy (ou Yojouhan Shinwa Taikei) é uma anime de 11 episódio, onde é contada a história de um personagem principal sem nome, Watashi (uma das formas de se dizer “eu” em japonês). Um garoto recém-entrado na colegial e que está em frente à difícil escolha de em qual clube irá passar os próximos 2 anos e meio.

Cada episódio do anime contará como seguem os anos de acordo com a decisão com que ele toma, sendo indo pro clube de tênis, cinema, clube secreto… O interessante é que no final de cada episódio, as coisas acabam não tão certo quanto planejado e, por algum tipo de força desconhecida, o tempo volta para antes da decisão ser tomada, mostrando o que aconteceria se outras escolhas fossem feitas.

Sendo assim, todo episódio começa com o personagem refazendo a escolha que fez no episódio anterior, um loop “sem fim” (É mais fácil entender do que explicar, acredite). Assim, estruturação básica do anime inteiro é parecida: Watashi escolhe um clube, conhece alguns personagens secundários, após algum incidente começa a se lamentar sobre a sua decisão e tem a chance de retornar ao começo no fim do episódio. 

Lendo a premissa, a ideia que alguns podem ter é de que esse anime seria incrivelmente repetitivo. E realmente, a estruturação teria de tudo para ser algo repetitivo, mas é incrível como o anime, com uma ideia tão simples e ao mesmo tempo engenhosa, consegue abranger tantos temas que são universais ao ser-humano.

Por mais que cada episódio seja parecido em estruturação (e as vezes nem isso), eles são sempre tão diferentes nos temas que trata: Crescimento, auto-aceitação, amizade, amor, a incontrolável passagem do tempo… todos esses temas diversos conseguem ser explorados em um sistema de episódios que é basicamente o mesmo, sem nunca ficar repetitivo e isso porra… É GENIAL! É como ver 10 temporadas de Power Rangers seguidas e nunca achar nada repetitivo.

Só que! O interessante MESMO, pra mim, em Tatami Galaxy, está no fato de , por mais diversificados que os temas tratados em cada episódio sejam, o tema central da história, é tão universal ao home, que consegue facilmente abraçar todos eles.

Existem poucos emoções humanas tão compartilhadas por toda a nossa espécie quanto o arrependimento. O “e se…” é um pensamento tão recorrente e comum em nossa existência e dia-a-dia, que ele consegue acompanhar e servir como plano de fundo pra qualquer outro tema e é exatamente isso que acontece em Tatami Galaxy.

Enquanto várias possibilidades de escolha do personagem principal são desenvolvidas, vários temas, que vão desde inveja até isolamento social são tratados. E enquanto este desenvolvimento acontece, o “e se…” sempre fica pairando no ar, sendo como o arrependimento do personagem ou sendo como o próprio motivo das coisas terem dado errado, mas principalmente nos finais de episódio, onde o personagem tem a chance inimaginável de aplicar o “e se…” na prática.

Mas o clímax no desenvolvimento de temas em Tatami Galaxy, está em seus dois episódios finais, onde o arrependimento deixa de ser somente um companhamento e vira o prato principal da história. Uma análise crua e fria que realmente faz o personagem principal e o próprio espectador repensarem as suas vidas e a forma com que tomam decisões. São momentos tão tocantes quanto são questionadores.

Ainda sobre o enredo, um dos aspectos narrativos que permite esta ampla abrangência inteligente de temas, são os diálogos rápidos e afiados. Personagens pensam e falam tão rápido e ,de certa forma, tão complexamente, que fica até difícil acompanhar as legendas. Fator este que certamente é o que faz com que 80% do público largue o anime nos 3 primeiros minutos.

Uma parte arrogante e prepotente minha quer na verdade que estas pessoas que logo desistem da série vão se ferrar. Fracos! Não merecem nem presenciar esse maravilhoso espetáculo criado pelo homem, “normalfags”, não preciso de vocês. Maaaas, por outro lado, não quero que um potente público inteligente e refinado se perca do caminho só por um mero detalhe como este.

Por isso, não se preocupem com as legendas, só vejam o anime que uma hora se acostuma com isso. Nem fique tentando pausar toda hora pra entender tudo, ACHO que não foi assim que os diretores planejaram que a série fosse vista. Só relaxe e veja.

Agora, sobre a arte…. argh, isso é um negócio difícil pra mim. Não consigo dizer muita coisa além de “Porra! Esse negócio é muito diferente e fora do padrão! Muito criativa essa merda!” Não possuo muitos termos técnicos…

Mas sei, por exemplo, que o character design foi originalmente feito por Yūsuke Nakamura, talvez conhecido por alguns pelo seu trabalho ilustrando projetos da banda Asian Kung-Fu Genration. O interessante, é que aqui o character design, que já tem um tom simplista, foi simplificado mais ainda para que se gastasse menos tempo preocupando-se com isso, tendo assim mais tempo para realizar um animação de maior qualidade.

É a mesma ideia que o diretor usou pra Kaiba e o resultado fala por si só, diferente, ousado, vivo, colorido, ao ponto de ter ganho a Japan Media Art Festival como melhor animação, prêmio inédito para uma série de TV. É realmente algo que você nunca viu antes e provavelmente, nunca verá.

Enfim, acho que falei demais, talvez alguns tenham ficado um pouco confusos com a descrição,mas acho que o importante é que tenha ficado a ideia de que isso é algo diferente. Algo pra você que está de saco cheio com uma possível mesmice de temporada, algo pra você que quer experimentar algo novo e incrível, algo pra você que não irá se assustar com legendas rápidas, pra você sim….

Eu recomendo: Tatami Galaxy.

13 Respostas para “The Tatami Galaxy

  1. Comecei a ler o post por cima e me vi adorando a forma como tava descrevendo tudo, mas ai parei de ler. Hahaha quero tentar assistir sem saber muito detalhes dos que já sei, depois de ter lido uns dois posts a respeito (o da Pandora e o do Cuerti), que não são muito introdutórios. Vou tomar vergonha na cara e maratonar. Repetindo o que já disse em outras ocasiões, eu me lembro de quando saiu esse anime. Vi excelentes comentários, mas as ressalvas me assustaram. Todos dizem que os diálogos eram intensamente rápidos e que as legendas saltavam das telas XDDDD

    Enfim, volto aqui quando terminar de assistir. 😀

    • Oh, fiz uns comentários sobre os 2 ep. finais, mas sem nenhum spoiler, se quiser ler, vai sr medo.

      Mas sobre as legendas, é realmente um pouco complicado. Como comentei no texto, é um aspecto que se faz necessário na obra, mas é também uma faca de dois (le)gumes , pois afasta 80% do público alvo.

      De qualquer jeito, não é algo que estrague a experiência. E a cada episódio você acaba se acostumando com as legendas, principalmente por esse carácter “repetitivo” da série. É só ver e relaxar, sem se preocupar muito com as legendas ou tentando ficar pausando pra ler tudo.

    • Eu tive a mesma reação no começo. Mas vá em frente. As legendas podem ser insanamente rápidas no início, mas com o passar dos episódios ganham um ritmo mais “lento” e fácil de acompanhar. Além do mais, nem sempre elas são de relevância pro entendimento da obra, servindo apenas para demonstrar a infinidade de pensamentos e questionamentos na cabeça do protagonista, e, claro, fazer graça também (porque, sim, embora não tenha sido explicitado no post, o anime é recheado de situações deliciosamente engraçadas). Tatami Galaxy pode até não ser uma obra genial, mas não é, de forma alguma, algo do qual você possa se arrepender de ter assistido. Basta conseguir transpor a barreira do primeiro episódio e deliciar-se (assistir ao anime com legendas em português pode facilitar bastante a experiência 🙂 ).

  2. Achei que poderia ser interessante, mas pelo estilo da arte que simplesmente não me agradou (já vi várias obras com artes parecidas) terei de deixar a obra para depois. Tenho muitas coisas para assistir e ler, e um anime de 11 episódios que não tem um grande mistério ou um grande objetivo não entraria em minha lista no momento, mas obrigado pela dica, no futuro darei uma olhada.

  3. Tatami Galaxy é o melhor anime da Madhouse, PONTO FINAL! xDD
    Adorei maratonar, até minha irmã assistiu depois e adorou. Não via um anime que me agradasse tanto na conclusão desde Wolf’s Rain. 10/10 na minha MAL, perfeito.

    Sobre as legendas, não sei se foi só comigo mas achei que depois do primeiro episódio (levei uns quarenta minutos para terminar, de tanto pausar ^^”) deu para acostumar com a velocidade delas, assisti os episódios restantes mais de boa.

  4. O que me chamou atenção na sua resenha foi, além de despertar a vontade de assistir, o fato dele não ser repetitivo partindo da mesma premissa. Kuchu Buranko (Trapeze/Trapézio) é bacana, mas alguns eps reciclam a mesma ideia. Poderia ser mais curto – ou mais diversificado.
    Assistirei!

    • É, também tive essa sensação com Buranko. Talvez fazer isso seria pedir demais, ou pedir pra estereotipar, mas acho que faltou um certo que de House no anime.

      Tipo, mais de metade dos diagnósticos era “você tá estressado”, no começo achava que seria alguma coisa diferente por episódio. Não sei se simplesmente é assim mesmo que é o cotidiano de quem lida com “doenças neurológicas”, e talvez eles quisessem passar essa ideia, mas é o que você falou, ficou repetitivo.

      Sem querer hypar mais, mas Tatami Galaxy é muito mais redondo.

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