Glaucos

Uma mistura interessante entre Shamo e The Climber: Glaucos.

Glaucos é um mangá escrito e desenhado por Akio Tanaka (Shamo), foi públicada na Morning da Kodansha no ano de 2004 (6 anos após o começo do mangá de boxe). A obra conta a história de um garoto que nasceu no mar e foi trazido a terra por golfinhos. Com uma incrível habilidade para mergulho, o garoto é descoberto por um antigo recordista de Free Diving e é então trazido ao esporte.

Outro dia desses li um saudoso tweet do amigo Estranho (acho que foi ele), dizendo que, após todo esse tempo lendo mangás na internet, ele chegou à conclusão e que é melhor ler um mangá incompleto, do que nunca ter lido nenhum. Foi com essa ideia em mente que foi ler o semi-scaneado (ficou 3 anos parado, voltou e agora está há quase um ano parado) e enterrado no meu HD, Glaucos. Para os curiosos já vou adiantando, a tese foi comprovada, esse é um mangá incrível e mesmo sem saber o final, valeu a pena!

Pra começo de conversa, temos a já conhecida, tiradora de fôlegos arte do mestre Akio Tanaka, assim como em Shamo, a arte não é “só” detalhista, temos muitas páginas e quadros com ideias artísticas muito interessantes, o autor sabe brincar muito com o que ele tem.

Em Shamo por exemplo, ele utliza o boxe pra criar cenas de impacto e movimentos memoráveis. Já em Glaucos, ele aproveita muito o cenário e essa constante contemplação do vazio do oceano. Utiliza muito dessa comparação micro que é o nadador com o macro que é o oceano (algo parecido com o que vemos em Kokou no Hito, como o alpinista e a montanha). Sem exageros, a arte sozinha já faz valer a leitura.

Sobre o enredo…. é complicado e engraçado, mas é muito bom.

Quem leu Shamo, vai ver CLARAMENTE a mesma estruturação, criação e ambientação usada nesta obra, principalmente nos treinos. Mas o curioso e engraçado é que mesmo sabendo disso e tendo em mente a ideia de que o autor  esta usando a mesma receita, não fica a impressão de que estamos lendo um Shamo nas Águas.

Isso é porque o autor sabe usar a receita, mas mudar o gosto. A estruturação é a mesma (garoto prodígio, trinamentos exagerados, foque no rival, passado turbulento….), mas o autor aprofunda tão bem no tema do oceano que deixamos isso de lado. Temas como o caminho da humanidade, os mistérios do oceano e o próprio Free Diving são desenvolvidos de forma tão linda, que deixamos de ver aquilo só pela estruturação.

Parece simples, mas é só pensar em uma obra-receita-pronta como Metalica Metaluca. Por mais que a obra possua uma ambientação, ela é tão focada e centrada na sua estruturação de ser um mangá “battle-shounen”, que nunca deixaria de ser seria vista como mais um “battle-shounen”, por mais que a ambientação fosse mesmo diferente (mineração e tals né, vai, até que é uma boa ideia).

Enfim, admito que ficou esse gostinho de quero mais por não saber como a história termina, mas esse é o peso que carregamos por ter que ler não ter acesso à tudo. De qualquer jeito, repito aqui que vale a pena, uma obra com uma arte incrível, um enredo inteligente informativo, praticamente um must-read para os adoradores da tag “psychological”….

Eu recomendo: Glaucos.

Download: http://www.mangatraders.com/manga/series/1048

Online: http://www.batoto.net/read/_/53422/glaucos_v1_ch1_by_nibo

Português: http://www.uchiha.com.br/

12 Respostas para “Glaucos

  1. Eu falei essa frase numa conversa de skype, se bem me lembro (no dia do brainstorm sobre Punpun).

    Enfim, quando voce tweetou que estava lendo um mangá foda de free diving, eu dei uma pesquisada pra ver se descobria qual era, mas não achei.

    Essas imagens me conquistaram. Adoro quando o autor passa centenas de sensações com imagens simples. E desconheço Shamo, então vou ler sem preconceitos (no sentido bom da palavra).

    Só não agradeço a recomendação porque provavelmente vai atrasar várias outras leituras minhas, e por isso eu odeio você.

  2. Apesar de eu não ligar muito por você ter escrito “alpinista” (que é um termo errado), dizer que em Shamo, Ryo é um “garoto prodígio” e que o manga tem lutas de boxe, indica que você precisa ler novamente a obra ou ler um pouco mais sobre o esporte, amigo. Fiquei até triste agora. 😦

    • Mano, talvez garoto-prodígio não seja tão perfeito no sentido de que ele sempre soube lutar, mas no sentido de que ele vive sobre os instintos com os quais ele nasceu.

      O motivo que o levou à prisão estava no sangue dele, ele era um assassino prodígio. É só lembrar de uma das primeiras cenas do mangá, é só o Ryo aprender a fazer um soco que já consegue meter porrada no cara lá.

      As origens de ambos os personagens são parecidas.

      E boxe é pelo momento que (pra mim) mais consagrou a série.

      • Hm, posso concordar que de fato ele possa ser um “assassino prodígio”, porém, o cara que ele espanca é uma “mocinha” que nunca foi forte ou algo do tipo.

        Sobre o boxe, novamente, não teve um ÚNICO momento no manga em que o esporte praticado foi boxe. Tiveram vários estilos diferentes de “MMA” ou coisas do tipo, mas você consegue perceber que o uso das pernas é sempre permitido como uma forma de ataque. Pelo menos EU nunca vi boxe utilizando pernas para atacar.

      • “O berço do montanhismo, como é conhecido, é a cordilheira dos Alpes, na Europa, pelo que o termo alpinismo se popularizou como sinônimo de montanhismo, mas, a rigor, aplica-se apenas ao montanhismo praticado nos Alpes.”

        Fonte: Wikibosta

      • Utilizando parte do que o Judeu colocou, o termo “alpinista” na verdade nem existe por “alpinismo” em si já ser um termo falso.
        Tive que estudar sobre o assunto, pois estou, junto com o Chrono, traduzindo Kokou no Hito para português.

  3. Pronto, finalmente terminei de ler o que tem traduzido de Glaucos.
    Adorei a história e a forma como ela foi desenvolvida. Os pequenos treinos e as relações são muito interessantes, mas os momentos de mergulho são o grande trunfo da obra. As representações dos momentos em que o mergulhador encara o vazio do oceano é incrível.

    Foi uma ótima leitura, e vamos torcer pra um dia voltar a ter scans!

  4. exelente mangá lunca teria lido se não fosse a exelente recomendação de estranho e judeu e o arduo trabalho da uchiha scans

  5. Pingback: Checklist Underground #1 | Ao Quadrado²·

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