The Music of Marie

“And then God said to Marie,
Give the people of the
world the gift of hapiness.
Give the people of the
world the gift o peace.
Give the people of the world
the gift of an open heart.”

E assim começa, uma das mais criativas e lindas histórias já escritas: The Music of Marie.

Com roteiro e desenho do gênio-mangaka Usamaru Furuya (Suicide Club, Palepoli, Genkaku Picasso), The Music of Marie (ou Marie no Kanaderu Ongaku) é um mangá de 2 volumes, publicado em 2011 pela revista mensal Comic Briz.

O enredo é ambientado numa perfeita sociedade alternativa na qual uma mulher-robótica gigante, nomeada de Marie e cultuada com deusa, sobrevoa o mundo. É uma sociedade ideal, ninguém briga, não há preguiça ou várzea, todos contribuem para um lugar melhor, uma sociedade que apesar de ser tecnologicamente avançada, consegue muito bem viver sem a tecnologia e muita vezes nem a utiliza.

Neste cenário então a história se centra em Kai, um garoto que possui um incrível audição, tão boa que consegue até encontrar minérios através da corrente de água, e tão boa que ele é o único que consegue encontrar uma musica produzida por Marie. Através disso ele encontra uma maior aproximação com a deusa e em busca de iluminação ele acaba por parar dentro do seu corpo-mecânico, onde encontra a verdadeira realidade por trás de seu mundo e é colocado em uma difícil situação que poderá mudar tudo.

Vamos começar com a arte, que como sempre é uma marco excepcional nas obras Usamaru Furuya. Assim como em alguns de seus mangás anteriores, como Plastic Girl ou Genkaku Picasso, o mangaka encarna em seu espírito de ex-professor de artes e cria um cenário totalmente único e original. Em algo que parece ser uma mistura de arte abstrata com esculturas de argila, em poucas páginas o autor consegue criar um mundo extremamente encantador e incrivelmente espetacular.

A maleabilidade e suavidade das construções e esculturas, mesclam bem com a rigidez das mecânicas e engrenagens, quase como uma metáfora para a sociedade desse fictício mundo, que sabe perfeitamente combinar tecnologia e natureza numa existência ideal. Enfim, a arte nesse manga, é um dos grandes pontos fortes:

Mas como sempre, o mangaka-gênio (sério, Usamaru Furuya é um dos meus autores favoritos) também soube criar um ótimo roteiro, a historia possui praticamente duas fases  que são muito bem divididas em dois volumes.

No primeiro volume a história possui mais um clima de apresentação e ambientação, um ritmo bem lento, e quase que episódico, é apresentado ao leitor, algumas questão morais são levantadas aqui ou ali, principalmente na conversa do Kai com o “padre”, uma cena incrível, no qual o religioso descobre que tudo que acredita e uma farsa, não só uma crítica a religião, mas uma critica aos valores morais da nossa própria sociedade…. mas mesmo isso é mais pro final do volume, no geral é mais um clima para nos encantar com o mundo de Pirit e as outras ilhas.

No secundo volume no entanto o ritmo é totalmente oposto, freneticamente nós somos apresentados à um clima quase de ação acompanhado de diversos dilemas morais, várias segredos são revelados, e a duvida que Kai carrega em relação à sua decisão final é compartilhada em sintonia com o leitor. Neste momento nós não nos perguntamos “O que Kai tem que fazer nessa situação?”, mas sim “O que eu faria nessa situação?”, e mesmo depois da escolha, o leitor ainda continua em duvida “Será que era essa a escolha correta?”, é algo bem provocador e quase torturante eu diria.

Mas o que faz o mangá ser uma obra-prima, é na verdade o seu final, que é de literalmente fazer cagar tijolos…

[SPOILER]

Incrível como durante o mangá inteiro o autor deu inúmeras dicas para o fato de Kai estar morto, mas mesmo assim isso nem passou pela minha cabeça.

Fiquei muito tempo olhando, me questionando e voltando páginas, tentando entender o porque dele não ter aparecido naquela foto tirada com todos, mas devido ao clima tranquilo do manga preferi seguir em frente. Mesmo a cena da Pipi encontrando o corpo do Kai, tudo e tão centrado no romance entre a menina e o garoto, que mal percebemos que o restante dos personagens estão estáticos, quando também deveriam estar abraçando o menino.

Antes de ler essa cena final estava um pouco decepcionado com o autor, achei que ele estava tentando criar um final feliz oi trágico demais, pensava que o ideal seria o mangá terminar com a cena do Kai fazendo sua escolha final dentro da Marie, largando ao leitor a responsabilidade de pensar e se questionar sobre o que acontecerá. Mas essa cena final mudou totalmente

Foi uma incrível satisfação, não só pelo detalhe psicológico que essa revelação acrescentou à obra, mas principalmente pela surpresa do autor nos revelar que ele AINDA não tinha revelado tudo. Devido à toda euforia que aconteceu momentos antes, totalmente nos esquecemos desses pequenos detalhes, que foram aproveitados com excelência por Usamaru, criando assim um final PERFEITO para a história.

[/SPOILER]

De mais, achei que esse mangá seria uma ótima publicação para editora LPM, ou pra qualquer editora na verdade, é uma ótima história, voltada para um  publico mais adulto, mas sem ser “pseudo” demais, trata os assuntos com clareza e franqueza, além de ser bem curto o que facilita ainda mais a sua publicação, fica aqui o apelo. (ótimo mangá pra scans também, já que provavelmente nenhuma editora irá pegar mesmo…)

Então, se você quer experimentar uma original e criativa história, numa encantadora e surpreendente arte, então eu te recomendo: The Music of Marie.

Download: http://kotonoha.monkey-pirate.com/2005/09/20/the-music-of-marie/

10 Respostas para “The Music of Marie

  1. Não vou ler porque toda semana eu falo que vou terminar de ler para escrever sobre ele.
    Mas sério, Furuya é um gênio.
    A Imaginação visual dele é algo ímpar, sensacional.

  2. Eu lembro que eu li Jisatsu Circle do Furuya. E não me lembro de noda do manga, logo, a leitura não deve ter sido grande coisa.

    Mas eu gostei de Genkaku Picasso. Nesse manga, a arte e o enredo estava bem melhor.

  3. Ótimo review , quando acabei de ler o manga eu fiquei muito sentido, como ele pode ter me enganado por 500 pag ?

    Simplesmente uma obra fantasca a ambientação, os personagens não me agradaram tanto, mas a historia me prendeu na segunda metade,a primeira achei meio chata , ouve todo um preparo e quando você acha que ouve o climax ele te da um soco no estomago.

    Deve demorar pra uma outra obra me fazer sentir assim estou realizado , so não sei no que mas eu me sinto feliz , me disseram que devo reler para poder pegar todo o simbolismo que perdi na primeira leitura 😀

    Ate a próxima o/

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