Entendendo: Antologias Shonen Semanais – Parte 2

ShonenSemanaisSe você gosta (ou acompanha) alguma série shonen, a chance dela pertencer a uma antologia semanal é grande. Afinal, uma grande parte dos shonens de sucesso que temos acesso são publicados em antologias semanais.

Na parte 1 deste post, falamos sobre as duas principais antologias semanais shonen do Japão, a Shonen Jump, da editora Shueisha, e a Shonen Magazine, da editora Kodansha.

Neste post, iremos concluir falando da terceira e quarta maiores antologias shonen semanais.


Weekly Shonen Sunday

Nascida no mesmo dia do nascimento da Shonen Magazine com o objetivo de reproduzir a “tranquilidade” de um domingo, a Weekly Shonen Sunday também é a cara de uma franquia com o seu nome (Sunday) da editora Shogakukan. A Shonen Sunday nunca usufruiu de um sucesso absoluto, sempre ficando à sombra de outros títulos semanais de Shonen. É a terceira antologia shonen semanal de maior circulação, mas atualmente encontra-se numa preocupante descendente. A Sunday iniciou o século com quase 2 milhões de tiragem e atualmente encontra-se com uma circulação de aproximadamente 580 mil exemplares semanais; ou seja, em pouco mais de uma década, sua tiragem caiu para quase um quarto.

É difícil determinar o motivo dessa grande queda. Uma diminuição nas tiragens de antologias já era esperada nos últimos anos, depois de diversas crises econômicas e uma retração do mercado editorial japonês; mas proporcionalmente às outras revistas, a Sunday é a revista que teve a queda mais significativa.

Mascote da Shonen Sunday

O funcionamento da ToC da Shonen Sunday é muito parecido com a da Shonen Jump: existem cartões de votos e eles são levados em conta, e conseguimos ver o reflexo das votações na Table of Contents semanal. Mas muito se diz que a Sunday pesa mais a opinião dos próprios editores para determinar o destino das séries. Aliás, a “mão firme” dos editores da revista (e da editora Shogakukan de forma geral) já foi motivo de muita polêmica e insatisfação por parte de muitos autores. O caso que levantou o assunto do tratamento dos editores da Shogakukan foi o do Makoto Raiku, autor de Konjiki no Gash Bell!! (ou só “Zatch Bell!”), que visivelmente saiu brigado da editora. Ele processou a editora por ter perdido cinco imagens coloridas que ele havia feito para publicações, e pediu indenização. Essa briga judicial levantou a bola para diversas reclamações de mangakás da editora (não só da revista Sunday); desde gente dizendo que os editores ditavam o que o autor tinha que colocar nas histórias, até ameaças, chantagens… teve um assistente que disse ter ouvido um editor pedir pra um mangaká “desenhar One Piece” pra uma nova estreia da Sunday. Mas claro, sempre existem pessoas ruins em uma empresa, e não dá para julgar todos por esses fatos citados. Mas só de existirem diversas reclamações, já é algo preocupante.

Primeira edição da Shonen Sunday

Primeira edição da Shonen Sunday

A Sunday tradicionalmente dá um destaque muito grande para autores já consagrados. Na verdade, grande parte de suas publicações atuais são novos trabalhos de autores que já fizeram sucesso no passado, tanto na própria Sunday como em outras revistas também. Atualmente existem diversos autores nessa situação, a exemplo de Mitsuru Adachi (Touch!, Cross Game, atualmente lançando Over Fence), Kazuhiru Fujita (Ushio to Tora, Karakuri Circus, atualmente lançando Gekkou Jourei), Hiromu Arakawa (Fullmetal Alchemist, lançando Gin no Saji), Rumiko Takahashi (Ranman 1/2, InuYasha, lançando Kyokai no Rinne) e tantos outros.

É difícil determinar o “estilo” da Shonen Sunday, pois ela tem muitos títulos com focos muito distintos; desde histórias um pouco mais maduras, com histórias mais “sentimentais” (como a obras do Adachi) e/ou com uma violência mais visual, até histórias bem simples e quase infantis. Aliás, uma coisa notável é que em boa parte dos títulos, os personagens principais são levemente mais jovens do que personagens de outras antologias, com uma idade variando entre 10 e 14 anos de idade. Talvez essa estratégia seja para atingir o maior intervalo de idade possível e ter conteúdo pra todos os leitores, mas ao mesmo tempo isso fragmenta muito a “identidade” da revista, possivelmente distanciando outros leitores. Afinal, pouca gente vai comprar uma antologia para ler apenas um título que o agrada e depois jogar fora; é mais simples aguardar os volumes encadernados. Essa talvez seja uma explicação para o rápido declínio da revista, mas é mera especulação minha.

Hoje em dia, a line-up da revista está bem diversificada: títulos de fantasia, ação, esportes, romance… mas o que predomina são as séries com fanservice, ecchi, harem e até gender bender. Aliás, essa tendência parece ser recente, já que a Sunday não era muito famosa por títulos nesse estilo no passado. Talvez seja algo do momento, ou talvez a revista passe a se enveredar para esse lado para determinar uma identidade própria para si e para o público.

Atualmente, a Sunday tem uma saída para os cancelamentos na Antologia: algumas séries que seriam canceladas são transferidas para a Club Sunday, um site da Shogakukan, numa tentativa de ao menos dar um final decente para a série.

Alguns mangás famosos da Antologia: GeGeGe no Kitaro (1971), The Drifting Classroom (1972-1974), Ranma 1/2 (1987-1996), Detective Conan (1994-presente), Kekkaishi (2003-2011).


Weekly Shonen Champion

A constantemente esquecida antologia semanal da editora Akita Shoten, a Shonen Champion é a quarta antologia shonen semanal de maior circulação, mas seus números não são tão impressionantes: apenas 270 mil exemplares semanalmente. Igual as outras três antologias citadas, a linha Champion também tem vários outros títulos, incluindo sua irmã mensal Monthly Shonen Champion (casa de séries como Crows e Worst), a Champion Red (Saint Seiya Episódio G, Densha Otoko) e a sua contra-parte seinen Young Champion (Battle Royale, Love Junkies).

Mascote da Shonen Champion

Mascote da Shonen Champion

Iniciada em 1969, hoje em dia os trabalhos da Champion são em sua maioria muito obscuros para o público ocidental. Tirando alguns títulos bem pontuais, poucas informações se tem sobre a revista. Suas estreias e cancelamentos não são muito noticiados; aliás, não se sabe como funciona o sistema de cancelamento. Apesar disso tudo, a revista tem um histórico de muitos títulos importantes. O principal deles talvez seja Black Jack, do Osamu Tezuka, um dos trabalhos mais famosos do autor e possivelmente um dos trabalhos mais famosos da própria Champion. Além dele, a franquia Baki e a franquia Dokaben são originadas nesta antologia, e estão em publicação até hoje. Além disso, dois dos spin-offs de Saint Seiya (The Lost Canvas e Next Dimension) também são/foram publicados na Shonen Champion.

Por termos acesso a poucas séries da revista, é difícil afirmar qual é o estilo principal e a tendência da revista, mas ainda assim é possível concluir-se algumas coisas. Por exemplo, é notável que, das 4 antologias citadas, a Shonen Champion é aquela com conteúdo violento mais elevado, tanto psicologicamente quanto visualmente. Além disso, o conteúdo de suas obras tende a ser mais denso; como exemplo, a aclamada série Akumetsu foi publicada nesta revista.

Primeira edição da Shonen Champion

Primeira edição da Shonen Champion

A única tendência que é possível ser observada com o pouco de informações que temos é a quantidade de títulos da revista envolvendo delinquentes. Jump com ação fantasiosa, Magazine com esportes, Sunday com ecchi e fanservice, e Champion com delinquentes. Mesmo quando a série não é sobre briga de delinquentes propriamente dita, nos moldes de Crows e Worst, muitos protagonistas são/foram/lidam com delinquentes. Pode ser desde um delinquente que descobre ter sangue de demônio, até um delinquente que entra pra equipe de caratê. Aliás, artes marciais também tem um destaque interessante na revista. Assim sendo, é perceptível qual é o público alvo da Shonen Champion: os próprios delinquentes, bad boys, pessoal que mata aula pra ir fumar no telhado. Adolescentes são adolescentes, independente do estilo de vida, e todos buscam algo com que se identificar; e a Champion proporciona isso pra esse grupo específico.

Acredito que os principais motivos para a Shonen Champion ter pouco espaço no público ocidental se deve a dois fatores: vendas relativamente baixas de suas obras (o que afasta interesses de licenciamentos) e ausência de animes. Talvez esse último fator seja o predominante, uma vez que o mundo dos mangás no Ocidente começou a se desenvolver quando o público de anime se interessou em ir atrás das obras originais.

De qualquer forma, é uma pena que a revista seja tão esquecida; como em qualquer revista, seja shonen, shoujo ou seinen, muita coisa boa deve ter saído nela, e muitas jamais conheceremos.

Alguns mangás famosos da Antologia: Black Jack (1973), Baki (1999-presente), Akumetsu (2002), No Bra (2002), Saint Seiya: The Lost Canvas (2006), Crows Zero (2008-presente)


Concluindo

Embora com poucas antologias, o mundo dos shonens semanais é bastante amplo. Com uma rotatividade relativamente alta, sempre haverão nelas coisas novas a serem vistas e conhecidas; e muitas delas passarão despercebidos por nós. Em uma semana, só essas quatro revistas somam aproximadamente 85 títulos com capítulos novos toda semana.

Quantas dessas séries você conhece? Quantas passaram e você nunca viu? Quantas boas histórias permanecem apenas na língua japonesa? São perguntas que dificilmente nós, ocidentais sem conhecimento da língua japonesa, saberemos a resposta.

Mas uma coisa é certa: o mundo dos mangás, sendo shonen ou não, semanal ou não, é amplo. E como convidou um jovem garoto hiperativo ao seu tigre de pelúcia, devemos explorá-lo! (Sim, um final bem piegas para estes posts)

Por Guilherme “Estranho”.

7 Respostas para “Entendendo: Antologias Shonen Semanais – Parte 2

  1. Bem, legal da Sunday eu so acompanho atualmente Gin No Saji(devo ir atras de Kekaishi ainda) e Champion to lendo ainda Battle Royale., mais a situação da Sunday é tensa lol, e queria saber como eles consegui ter tantos autores famosos, pagam mais que a Jump ou a Magazine…?

    • É um questão muito complicada. Acredito que sim, a Sunday paga bem autores famosos. Provavelmente mais do que a Magazine e a Jump.

      A Jump a gente sabe que não liga se você é novato ou autor consagrado; se a série não faz sucesso, é rua.
      Tentei puxar na mente aqui alguma série da Sunday feita por um autor famoso e que tenha sido cancelada e não lembrei de nenhuma… MiXiM, do mesmo autor de MÄR e Flame of Recca, sempre foi mal nas ToCs da Sunday, mas nunca foi cancelado. Acho que os autores gostam dessa “estabilidade”.

      Agora, porque não procuram a Shonen Magazine, não faço ideia. Mas se eu fosse autor, ia preferir ir pra lá!

  2. Uma coisa interessante de se notar é a evolução e adaptação das revistas, de acordo com a mudança de seu público, pelas capas das mesmas. De esportistas a mulheres de biquínis.

    Agora imaginem uma mãe comprando para o seu filho de 10 anos uma revista cuja capa contém uma mulher com os peitos pulando para fora. Fala sério… queria ter sido criança lá no Japão.

      • Ah, sim, claro! Não sei se todas as revistas são assim, mas sei que algumas vêm com pôsteres da garota em questão, também. E eu, que sempre que via essas revistas em filmes nipônicos ou em animes, pensava que eram revistas pornográficas. Agora sei que são inoscentes revistas de histórias em quadrinhos…

  3. Com toda essas polêmicas envolvendo a Sunday, me bateu uma dúvida.

    Vocês sabem se a autora de Kekkaishi teve algum problema com a Sunday?
    Não sei se é só uma frustração minha, mas senti uma mudança súbita no último arco como se a Tanabe tivesse mudado seus planos.

    Ou talvez ela tenha apenas se perdido mesmo, enfim

  4. Pingback: Top 5-1 – Shonens Semanais | Ao Quadrado²·

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