Palepoli

Uma forma diferente de 4-koma: Palepoli

Paleopli é um manga do bizarramente genial  Usamaru Furuya (Litchi Hikari Club, Garden, The Music of Marie…). O manga contém curtas histórias/piadas no estilo 4-koma, no qual basicamente temos um 1º quadro para ambientação, um 2º para desenvolvimento, no 3º ocorre um clímax e terminando com algum desfecho cômico no 4º.

Já havia praticamente desistido de me aventurar por mangás voltados unicamente ao 4-koma, pra mim o gênero funcionava bem quando usado em doses minimas, como fazia Arakawa em FMA e Obata em Death Note, mas em um volume fechado acreditava que não seria algo cabível, acaba ficando muito repetitivo e as piadas acabam ficando muita cansativas e perdem a graça, o único que consigo dar algumas ressalvas é Azumanga Daioh, de resto (Hetalia, K-ON, Lucky Star) acho muito fraco e sem graça. Pelo menos era isso que eu pensava até conhecer Palepoli.
Logo de cara já dá pra perceber um diferencial em Palepoli: a arte é boa, digo, é muito raro termos um mangá de comédia em que a arte é no minimo decente, isso porque normalmente o foco é mais no enredo, nas piadas, então a arte fica mais simplista, pra não tira o foco do desfecho cômico (acho que é isso).
Neste mangá no entanto a própria arte é que faz a piada. Em muitas das tiras do temos pouco ou nenhum texto, muitas vezes a piada é contada puramente pela arte, o autor alias brinca muito com isso, muitas das tiras utilizam bastante dessa ideia, o autor vive quebrando a 4ª parede e usando metalinguagem na forma mais bela, alias na minha opinião, as melhores páginas são quando o autor faz isso.

Outro diferencial de Palepoli é que ele funciona muito bem como volume, isso aqui não é um livro de tirinhas pra guardar no banheiro e ler ocasionalmente, este mangá é um volume único pra ser lido todo de uma vez. Na maioria dos yonkoma, temos pequenos arcos que abrangem um certo número de tiras e apesar de uma certa e ocasional piada interna, é possível, tendo uma noção geral de contexto, escolher uma tira aleatória e ainda entender a piada. No entanto, se alguém tentar ler aleatoriamente uma das tiras do final deste mangá, simplesmente não vai entender nada e vai achar extremamente sem graça, isso porque o autor faz muita referência às tiras do começo e do meio, mistura piadas, entrelaça vários cenários criados por ele, acho que a melhor forma de expressar isso é que enquanto lia eu gritava na minha cabeça: “ISSO É GENIAL”. Não é a toa que Usamaru Furuya foi professor de arte, a criatividade e a habilidade dele de mudar de estilo é simplesmente incrível. .

O único pesar que posso dar é que tive o sentimento de que não entendi algumas das tiras, não sei se elas eram mesmo sem graça, mas acredito eu, que conheço muito pouco de cultura japonesa então realmente fiquei por fora de algumas piadas, mesmo com a explicação do editor (o que não é desculpa pra nada né, já que sou um leitor como outro qualquer). Outra ressalva é que algumas das tiras são NSFW, é um humor parecido com o do Shintaro Kago parando pra pensar agora, mas bem mais suave, só tomem cuidado os de coração frágil que temos algumas tripas espalhadas ocasionalmente.

Enfim, não tenho muito o que se falar, provavelmente só lendo mesmo pra entender,  Palepoli é uma forma bem diferente de 4-koma , obrigatório para qualquer fã do gênero e principalmente para não-fãns do gênero, sendo assim…

Recomendo o engraçadíssimo: Palepoli
http://hoxtranslations.blogspot.com/p/completed-projects.html

7 Respostas para “Palepoli

  1. @Lucashehehe lega, acho que esse mangá merece, ainda mais esse tipo que raramente iria ser traduzido por alguém. Eu realmente me apaixonei muito por esse mangá, Usamaru Furuya é gênio pra mim a partir de agora.

  2. Gente isto nada mais são histórias em quadrinhos iguais aquelas dos jornais em papel,porém na perspectiva da sociedade oriental.Com alguns temas recorrentes como o sobrenatural e a comédia escolar nos exemplos aqui citados fizeram um apanhado e montaram livros.É uma proposta de diversão rápida e não muito reverberante na cabeça do leitor,mas que vai ficando sedento por um pouquinho mais de comédia e nem vê o volume se esgotar.Como adendo pode-se ficar meio deslocado como ocorre com todas as piadas em que o tema não é muito familiar ou recorrente.Não é revolucionário;é um viés de um clássico da literatura cômica no jornalismo. 🙂

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