Kokou no Hito (The Climber)

O mangá de (não) esporte mais profundo que você irá ler: Kokou no Hito (The Climber).

Este é um mangá que conta a história de Mori Buntarou, um garoto quieto e tímido que ao chegar em sua nova escola acaba entrando em uma briga e é desafiado a escalar um dos prédios do local. Mesmo sabendo dos riscos, Mori topa o desafio e durante a escalada, totalmente ciente de que sua vida está correndo perigo, ele tem uma sensação que nunca teve antes, ele finalmente sente estar vivo, assim começa a sua infinita aventura em direção ao alpinismo.
 
Quando peguei esse mangá logo pensei “Humm….um manga de esportes, deve ser mais um daqueles belos clichês retardados que tem sobrando por ai”, mesmo assim a arte, que irei falar mais a frente, já havia me encantado então resolvi dar uma chance.
Não me surpreendi MUITO com os 2 primeiros volumes, digo, era totalmente diferente de qualquer mangá de esporte que eu já tinha lido, mas mesmo assim não fugia muito do padrão do genêro, tinha um garoto novo em um esporte, um mestre, novos amigos, o garoto descobre ser um prodígio e toda essa baboseira, apesar de alguns detalhes que poderiam diferenciar de um mangá comum e a magnífica arte, Kokou no Hito não estava me mostrando todo o potencial que tinha até então.

 

No entanto, à partir do 3º e 4º volumes, onde é contada uma trágica história e o personagem principal resolve mudar completamente sua vida, o enredo começa a tomar um rumo completamente diferente, acho que nunca vi um mangá mudar tanto, o que antes era raso e clichê agora é original e profundo. Daqui em diante fica totalmente impossível largar Kokou no Hito, nem por um segundo, eu mesmo li os 15 volumes em 3 dias, nunca fiz isso na vida!


O enredo do mangá é simplesmente genial, trata de diversos assuntos fora do universo do alpinismo, explora sentimentos humanos, motivos de vida, amor, sexo, e tudo de forma extremamente fluida e agradável. No entanto, apesar da altíssima qualidade do enredo da obra, temos pouquíssimos diálogos, alias temos capítulos inteiros sem nem ao menos uma fala e esse tipo de narrativa só é possível de uma forma: com uma bela arte.



Antes de mais nada a arte é de fazer o queixo despencar mesmo olhando fora de contexto, só alguns quadros e páginas duplas soltas já servem pra perceber a alta qualidade técnica do autor, novamente digo que não entendo nada de enquadramento e pintura, mas se é bonito pra mim já é mais do que o bastante e Kokou no Hito é genialmente lindo, aqui algumas páginas:

A arte já é bonita por si só, mas mais do que agradável aos olhos, a arte de The Climber auxilia na fluidez da narrativa da história.
As vezes tenho a sensação de que muito mangás falham ao tentarem serem livros, digo, tratam assuntos muito complexos e que necessitam de longos textos, mas não auxiliam esses longos textos com imagens, que é o ideal e o diferencial dos mangás e dos quadrinhos em geral. Acho que um bom exemplo é Death note, que apesar da ótima arte do Obata, muitas vezes tem longos textos que só são compensados com expressões de personagens, que são ótimas, mas mesmo assim pequenas e tornam o texto muito cansativo. 

Enfim, estou divagando aqui, o importante é quem em Kokou no Hito isso NÃO acontece, alias, é exatamente o oposto. Muitas vezes temos pouquíssimos diálogos e os temas são tratados quase que exclusivamente pela arte, é uma técnica que casa perfeitamente com o mangá, já que os temas são tão profundos e pesados e essa narrativa pela arte torna a leitura muito mais dinâmica, raramente ficamos parados muito tempo em página só (a não ser que seja pra apreciar o maravilhoso trabalho técnico do autor), assim a leitura acaba voando e causa um impacto muito profundo no leitor.

Em resumo, Kokou no Hito é uma ótima obra, narrativa fluida, arte excelente, acho que se fosse comparar com algum mangá, diria que é uma mistura entre Slam Dunk e Vagabond, entenda como quiser. Sendo assim…


Recomendo com o maior orgulho possível: Kokou no Hito (The Climber).
http://www.omfggscans.com/projects/kokou-no-hito/

21 Respostas para “Kokou no Hito (The Climber)

  1. Eu só li até o volume 2, é realmente tava naquele cliche de esporte com arte boa, mas agora vendo essas imagens e dizendo que evolui tanto, muita voltade de pegar novamente.

  2. Kokou no Hito é uma belíssima obra. Um dos melhores mangás publicados atualmente e um dos pouquíssimos em andamento que merecem um 10.Sabe aquele ditado "Uma imagem vale mais que mil palavras"? Pois é, amigo, Kokou no Hito faz um ótimo uso disso, a arte do Shinichi Sakamoto é belíssima.Uma coisa curiosa que eu notei enquanto lia, é a alto teor simbólico do mangá, com cenas bem abstratas (tipo aquela do Mori carregando a pedra nas costas), é tudo narrado como se fosse um livro (Afinal, O mangá é uma adaptação de um livro escrito no Japão lá pelos idos dos anos 60 que fala sobre um alpinista Katou Buntarou que realmente existiu).Colega, concordo com tudo o que disse. Esse mangá é belíssimo, e agora que no Japão ele está rumando aos seus capítulos finais (acho que o capítulo final sairá na próxima Young Jump segundo infromações que tenho lido pela internet), espero que a história tenha um belíssimo desfecho, pois é um mangá para ser lembrado e apreciado a cada página que se passa dele. E reforço a recomendação, LEIAM Kokou no Hito, quem ainda não leu, está perdendo um dos melhores mangás psicológicos atuais.ótima análise, continue assim!

  3. Realmente, Kokou no Hito é uma obra de arte. Inicialmente quando li a sinopse eu achava que seria chato. Uma história sobre alpinismo parecia não render muito. Mas eu estava enganado, rende, sobra e alimenta nossas barrigas. Um ótimo mangá.Nem sei se torço para uma adaptação em anime, pq seria dificil passarem a mesma emoção que o autor passa com o mangá.Pra quem gosta de Slam Dunk e cia, recomendadíssimo! um dos melhores mangás dos ultimos tempos!

  4. Comecei a ler Kokou no Hito depois de um post nesse blog, e realmente é um mangá incrivel(as cenas de escalada são impressionantes), é sem duvida um dos mangás mais fodas que já li…..a cena dele com a preda nas costas lembra muuuito Shingeki no Kyojin…

  5. Ai sim, sempre falei isso mas ninguém tem coragem de ler mangas tipo Kokou no Hito ou Dorohedoro, é uma pena, não sabem o que perdem.Ps: seu site tá com problema para carregar os comentários.

  6. Gostei muito da sua resenha, irei procurá-lo assim que acabar Akumetsu. Já faz um tempo que eu ando querendo um manga de esporte – não que eu considere alpinismo um esporte – que seja um pouco mais interessante que a partida da semana, interacalada com alguma comédia para quebrar a tensão.Obrigado pela dica.

  7. @NightGuardemos o melhor para nós.E estou ciente da merda que está essa parte de comentários, estou tentando resolver, mas esse blogger não tem me ajudado muito.@lucasEsse é SÓ o melhor mangá de esporte que você possa, ler certamente foge do padrão, tenho confiança de que você vá gostar, ponho meu nome em risco.@Zé FreireAgora que você falou….essa cena lembra mesmo Shingeki no Kyojin. Mas acho que só isso em comum também, além da arte incrível, os dois seguem caminhos totalmente diferentes. Quem sabe um dia ainda faça um review de Kyojin, se bem que acho que nem dá mais pra considerar ele underground.

  8. @RubioPaloosaSei que fico causando muito hype em cima desse manga, mas é bom MESMO. TEnte voltar, eu acho que vale muito a pena.@NintakunPreciso dizer mais alguma coisa? @——–M——–Tambem tive essa experiência, alias, talvez essa surpresa de mudança de roteiro também seja um fator positivo para que eu me encantasse tanto com a obra também.

  9. Suposições baseadas na onipresença da montanha,nos momentos sofridos e exaustivoscomo carregar a pedra,nas imagens com um realismo de "traços clássicos" etc. :O mangá parece ser uma analogia a um mito de como a morte não pode ser vencida definitivamente,o Mito de Sísifo – o Mestre da malícia e dos truques – ,que conseguiu enganar a morte(Tânatos) 2 vezes e se tornar um dos maiores ofensores dos deuses.Onde após finalmente morrer de velhice como era comum aos rebeldes ganhou um castigo eterno assim como Prometeu,Títio,Tântalo e Ixíon.Zeus o castigou a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha,sendo que quase no topo a pedra rolava como que numa repulsão magnética montanha abaixo até o pé da montanha.O que gerou a denominação de que quando algo envolve esforços inúteis pode ser chamado de "Trabalho de Sísifo".P.S.:Especula-se ainda qual era a reação de Sísifo ao ver a pedra rolar = alívio momentâneo por não empurrá-la por um tempo ou sofrimento por ter de repetir a tarefa.

  10. @AnonymousMuito interessante seria esse seu comentário, pelo que pouco li do conto (na Wikipedia mesmo :P) , seria uma analogia válida a se fazer, já que, pelo jeito, um dos temas do Mito de Sísifo seria essa busca do homem por um sentido na vida, em uma vida que não tem sentido desde o começo.Este é o exato tema tratado em Kokou no Hito e em vários mangás que usam esse tema de "Caminho da Espada", do guerreio que encontra o sentido da vida na guerra e na espada, ou no caso na montanha, mas na verdade tudo não passa de uma tentativa desesperada de agradar ao peso existencial que é a nossa consciência. O mangá não está longe do fim, aguardo com ansiedade pra saber qual vai ser o final, e quando ler o ultimo volume farei uma segunda análise do mangá.

  11. @O Judeu AteuO mais abrangente para explicar a questão inerente ao ser humano,"o sentido da vida",seria um conjunto de 3 obras animadas:1.relação com o apego : "Raison D'etré(lê-se Rêizon Dêtruê,com o som de quase 'meio u' ")em Ergo Proxy.2.relação com a responsabilidade do indivíduo : Kino no Tabi,principalmente no episódio "09.terra dos livros-não há nada escrito"3.relação com o tipo/escolha : Nindo(Caminho Ninja) em Naruto.Quanto Sísifo começou um punição/capricho mesmo de um Deus não-benevolente e orgulhoso,mas como se trata de um mito uma comparação com "o sentido da vida" está presente diante do caráter "alegórico" que a obra carrega.E falando no mangá,"momentos de tensão" para o clímax e o desfecho. Vlw!

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  13. Cara começei a visitar o site por conta do VQ, já vi algumas recomendações e li dois novos mangás pra mim, gostei muito do seu trabalho judeuateu, continue assim!

  14. Cara,
    Acabei de terminar de ler o mangá. Li em 3 dias, simplesmente não consegui parar de ler (inclusive me f*** na faculdade).
    A arte é magnifíca! As expressões e as montanhas são excelentes.
    Dá pra interpretar a obra de vários jeitos. Mas, não sei se foi só eu, eu acredito que possa ser uma espécie de personificação do próprio Japão. Um país isolado e reservado que enfrenta sozinho as forças da natureza. Um país perseverante, que não desiste nas piores horas, e apesar das feridas continua sorrindo.
    Viajei?!

    Por fim, queria falar do capítulo final. A forma com que o autor retrata a “morte ” da personagem e ressureição da personagem é sensacional. Pois, apesar de não poder nunca mais fazer a coisa que mais gosta, encontra um novo sentido na vida. Isso denota a evolução da personagem. Incrível, sem palavras.

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