River’s Edge

Adolescência e vida escolar, dois temas amplamente explorados pelos animes e mangás, no entanto sempre de forma muito rasa e superficial, por isso fiquei um pouco relutante para ler este volume único, achei que seria mais um daqueles clichês insuportáveis. Hoje, estou feliz em dizer que cometi o maior erro da minha vida (que exagero) com este mangá.

A visão mais crua e realista da vida escolar:River’s Edge, de Kyoko Okazaki.
Haruna é uma menina que namora o valentão da escola Kannonzaki, este que frequentemente agride Yamada, um garoto quieto (quase anti-social), sobre o qual rodam vários boatos. Haruna frequentemente defende o garoto o que a leva a conhecer Kozue, uma modelo que sofre de bulimia e que divide junto com Yamada um incrível segredo que será revelado para Haruna.
Caso você ache que estes personagens não são perturbado o bastante, também entra na história outros casos clássicos da adolescência, uma menina que sem querer acabou virando a vadia da escola, um otaku gordo recluso socialmente, uma menina obcecada pelo “amor de sua vida”, entre outros.
Acho que já deu pra sacar que River’s Edge não é o seu típico mangá de vida escolar e slice of life, aqui a vida aos 17/18 anos são retratados da forma mais crua, cruel e ouso até dizer até negativa possível.
TODOS! Todos os jovens nesta história sofrem, o cotidiano aqui não é aquele feliz ,simples e raso como vemos em muitos animes por ai. Aqui a autora consegue trazer a mais profunda melancolia , quase que maligna, no cotidiano dos jovens, até o simples silêncio entre dois amigos parece penoso.
A pesar de fantasioso e conter alguns casos que não ocorreriam na vida comum de um jovem, o mangá soa muito real. Não é por pessimismo nem por raiva do passado, mas não é à toa que essa história soa mais real do que o school life fantasioso. Por mais que tenhamos adorado e curtido a vida colegial, perdas pesam muito mais do que ganhos, é por isso que a fila do supermercado do lado sempre é mais rápida que a sua e é por isso que nos identificamos facilmente com os pesares dos personagens de River’s Edge, mesmo que não tenham sido iguais aos nossos.
Deixando a pseudo-analise-psico-social de lado é valido notar um fato do mangá: A arte é péssima. Mas acho que de certa forma casa bem com a história, sim, essa a desculpa mais esfarrapada que tem pra arte ruim, mas é verdadeira também. O traço simples ajuda a amenizar o clima pesado que o enredo traz e ajuda o leitor a focar mais no texto e no momento retratado do que na arte do manga, algo que deve ser desnecessário para a autora.
Gosto também da forma madura em que o mangá trata o assunto sexo. Apesar de eu ter uma leve impressão de que a autora tentou converter tudo para o tema, vejo isso como algo plausível já que este é o principal tema na vida de um jovem de 18 anos. Em River’s Edge o sexo não é um alivio cômico nem tentativa de fanservice (também com essa arte não teria como), aqui o tema é retratado de forma mais adulta e vai além do romance “adulto” do josei, neste mangá o sexo e um descarrego emocional e psicológico dos personagens, todo o stresse e a carga emocional acmulados que não pode ser descarregados em sua vida normal é liberada pelo ato sexual. Realmente um ponto de vista nunca visto por mim retratado em nenhum mangá.
Eu não tenho a mínima afinidade por shoujo, josei ou histórias de romance em geral, mas esta história realmente me agradou muito. O clima de melancolia deixado no final da leitura realmente foi algo impressionante, te deixa com uma simples vontade de curtir o nada, de olhar para o céu estrelado (aham, em São Paulo) e contemplar a vida por horas e horas…ai ai. Quase, Quase! Ocorreram algumas lágrimas masculinas em alguns pontos também.
Sendo assim se você gosta de histórias maduras, romances, análises psicológicas ou simplesmente quer relaxar com um clima melancólica de uma história curta, então…
Eu te recomendo (obrigo) a ler: River’s Edge

8 Respostas para “River’s Edge

  1. Meu tipo de história preferida, essas que tem um feeling meio negativo, meio pseudo, meio revolts, aquela de que todo ser humano é um animal, hehe. Bom, tá na lista também. Merda, essa minha lista só faz crescer.

  2. Aqui também sempre é assim. Lista de mangás que quero ler é sempre maior que lista de mangás já li lá no myanimelist.Mas series curtinhas assim são boas, em menos de um dia você já zera e acrescentam bastante. Esse ai eu recomendo totalmente.

  3. Este traço é uma hipérbole da apatia que retrata a realidade desta cambada de mortos-vivos vítima dos próprios dramas.(Olha eu aqui vago e suspeitosamente fazendo o papel de advogado do diabo)Hipérbolica também é a maneira em que todos os dramas conjuntam numa obra só,o que como um contraponto da ode à felicidade e ao bem estar soa muito bem.E sexo pra descarregar a tensão..?Eles também aprenderam a usar esta desculpa esfarrapada(risos de canto de boca)No fim das contas casou inevitavelmente com a cara "underground" deste blog.

  4. "No fim das contas casou inevitavelmente com a cara "underground" deste blog."Principalmente porque ninguém leu né XDVocê vagou, mas até que acertou, o mangá é mesmo exagerado em várias partes, exagero esse alias que é amenizado exatamente pela simplicidade da arte, no final das contas tudo acaba tendo um toque bem real (um pouco vago isso, mas é essa a sensação que tive a ler:]).Mas sério, ainda estou pra achar alguém que leu esse mangá.

  5. Então só você que não pode contar a piada do "não nem eu".Todavia veja também por outro prisma de estar sobrando mais para você…( XD )mesmo que a intenção seja compartilhar.Além do mais já fez a sua parte que é o convite argumentado.

  6. Reclamo que é underground, mas se o pessoal começar a ler e virar mainstream, vou começar a pagar de Hipster e falar que conhecia antes de fazer sucesso.Um relação de amor e ódio. Melhor ficar desse jeito mesmo. XD

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