Shamo

Um garoto pálido, fraco e desnutrido vai para um reformatório juvenil cheio de brutamontes valentões que batem nele e até tentam estuprá-lo. É praticamente impossível não sentir dó e compaixão por Ryo Narushima…..bom isso até você descobrir que ele matou os pais a facadas. Mas até você descobrir isso já será tarde demais.

Então, essa praticamente é a introdução do Shamo. Após ser violentado, o garoto começa a aprender artes marciais com o Karateca que quase matou o 1º ministro e após várias lutas Ryo tenta sobreviver no reformatório, sempre em mente com a promessa de se reconciliar com a sua irmã assim que tudo terminar.
Enfim…Vamos começar dizendo que Shamo, como você deve ter percebido até agora, não é um mangá para pessoas de coração fraco, envolve mutilação, desmembramento, morte, estupro, sexo (quase) explicito entre outros. Mas sem chegar perto do Gore, é só violência gratuita mesmo.
Desde o começo Narushima não têm nenhuma chance de redenção, o autor sabe disso, nós sabemos disso e Ryo também sabe, ou pelo menos descobre. Uma vez que entrou no buraco ele nunca mais voltará, e não é como se cada tentativa afundasse ele mais, ele simplesmente não tenta sair de lá. Uma vez que aprendeu o Karate ele não usa para fazer o bem no reformatório, usa pra salvar a sua vida e que se foda o resto.
A evolução do personagem principal impressiona muito, de pouco em pouco podemos ver ele passando de um pálido magrelo até um lutador profissional. Talvez este seja um dos fatores que fazem com que criemos um certo afeto pelo garoto.
Ryo Narushima é o único personagem principal de mangá que não é herói, nem anti-herói ele é, o garoto é literalmente o Vilão da história. Faz de tudo pra conseguir o quer e isso inclui de matar até estuprar, usar anabolizantes para vencer as lutas, estuprar (é sério!) e chutar no saco.
O mais interessante de Shamo, é que não importa o que Ryo faça, você vai acabar torcendo por ele na luta. Não importa se o adversário têm uma bela história de ajuda ao pai doente e Ryo é só um cara que esfaqueou sua mãe. Durante a luta você vai torcer por ele.
Essa é a habilidade narrativa do autor. Não sei se é esse conceito de fraco vs. forte, ou se simplesmente simpatizamos “facilmente” com ele, por ter sofrido tanto no reformatório, mas uma coisa é certa você irá adorar e odiar Narushima ao máximo que você poder.
A arte realista casa certinho com a história, o autor consegue muito bem passar um personagem fraco e derrotado na cenas em que precisa, mas consegue também mostrar o mesmo personagem forte e pronto pra arrancar um pedaço da perna se necessário. Alguns quadros bem trabalhados impressionam bastante.
O único pesar de Shamo é que a obra se perdeu depois da luta com o Sugawara. Um luta épica que encerra(ria) o mangá de forma a não deixar praticamente nada em aberto, mas infelizmente o autor resolveu continuar a escrever, ficando nessa continuação interminável, parecendo quase um daqueles shounens intermináveis **cof*cof One Piece. Desta forma recomendo à vocês lerem somente até o final desta luta (Vol.13)
Alias nem sei se deveria estar resenhando essa obra ja que ela nem é tão underground assim, teve até filme. Filme que tentou se manter fiel a obra, mas acabou decepcionando um pouco no final, nem recomendo.
Enfim se você quer ler um mangá com muita porrada e gostar de personagens sem moral nem lei…
Eu com certeza te recomendo Shamo.

9 Respostas para “Shamo

  1. Começando pela estória dos pais se espera que te contem como em algum tipo de impulsoirrepreensível de auto-defesa ele(Ryo Narushima) perdeu um controle que seriaimpraticável no momento e manteve sua existência à custa de terceiros.A redenção da forma que ele deseja acho que ele nunca vai conseguir(sem querer ser oportador da verdade que ele jamais quer ouvir).Acabou sendo uma moral oposta a um certo tipo de guerreiro,o samurai,que mantinha umcódigo de honra acima da própria vida.É um personagem psicologicamente instável – ou simplesmente humano – que com todo o stress da situação que o belo e realista traço ajuda a passar te cativa ou ao menos te imanta a pesar na balança o valor "egoísta" da auto-sobrevivência.No modo como se estende pode ser que fique maçante(cíclico) ou veja por outro ângulo leitor :" Recuso-me a ter que decidir de novo.Jamais faria isso no lugar dele…Pelomenos não pela 2ª vez".É um cutucão na moral-ética e nos instintos inconfessáveis.

  2. O que mais acho interessante em Shamo, é que não importa o quão porcamente Ryo se comporte, durante a luta a sua torcida será para que ele ganhe, e o engraçado é que mesmo o autor constantemente nos lembra de que ele é o lado "mau" da historia, retratando o garoto em cores pretas e os seus oponentes em cores brancas, Sugawara era um fodendo monge porra XDAcho que, como você mesmo disse, nos identificamos com Ryo pelo "egoismo da auto-sobrevivência", quando se está pra morrer simplesmente não se pensa, ou talvez nos identificamos por no fundo sermos assim também, ou ao menos queremos agir dessa forma, talvez Ryo seja a personificação dos desejos egoístas das pessoas, ninguém faz nada por amor, nem mesmo amar.

  3. Ele seria o lado escuro da força ;)E a integridade vital é representada simbologicamente como um bem maior somente visto assim quando uma ameaça real surja(Pode soar piegas neste comentário e no mangá).E a forma do autor de contestar vários de nossos sentimentos para com os outros é com a degladiação difundida pela "lei do mais forte" ferramentalizada nas artes marciais como 'auto-defesa..?'

  4. Com certeza, afinal de contas todos preferem o lado negro da força, é infinitamente mais divertido ser malvado, o que novamente justifica nossa torcida por Ryo, não importando o quão ruim ele seja.

  5. Finalmente alguém falando de Shamo!! É um dos meus mangás favoritos pelo fato de tentar ser bem realista, não é aquele enredo bonitinho que tudo fica bem no final, é um mangá que mostra a merda realmente acontecendo e como alguns são capazes de fuder ( as vezes literalmente no mangá xD) com os outros para atingir um objetivo ou continuar no seu caminho.
    Não acho que a obra se perdeu depois da luta com sugawara, no começo ela perdeu um pouco de qualidade sim, mas depois Ryo foi abrindo seus horizontes para as formas de lutas, é mostrado que ele ainda pode gostar das pessoas (naquela parte do mestre de kung fu ou algo do tipo) e finalmente surgi seu yang que seria Toma, a introdução de Toma foi indo aos pouco e de forma bastante natural. Acho que Shamo tem um pouco mais o que mostrar, pena que o mangá ta em hiato =/

    ( as formas como as artes marciais são mostradas é incrível , desevolvimento de luta bem feito, estratégia bem elaborada , golpes bem desenhados)
    Ass: paga pau de Shamo

  6. Pingback: Glaucos | Ao Quadrado²·

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